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Artistas amazonenses falam sobre intercâmbio de dois meses com grupo teatral de São Paulo

Dimas Mendonça, Guta Rodrigues e Denni Sales embarcam para SP, onde farão uma residência na sede da companhia Club Noir, com renomados encenadores 26/03/2015 às 12:43
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Denni Sales e Guta Rodrigues terão aulas com Roberto Alvim e Juliana Galdino
ROSIEL MENDONÇA Manaus (AM)

Na madrugada de domingo, os artistas amazonenses Dimas Mendonça, Guta Rodrigues e Denni Sales embarcam para uma temporada em São Paulo, onde farão uma residência de dois meses na sede da companhia Club Noir, fundada por Juliana Galdino e Roberto Alvim, considerado um dos principais encenadores do teatro contemporâneo no País.

O intercâmbio foi contemplado no edital Conexão Cultura Brasil, do Ministério da Cultura, e inclui a montagem de um trabalho inédito e a realização de uma oficina quando os atores voltarem a Manaus.

Segundo Mendonça, que começou a atuar no Teatro Experimental do Sesc (Tesc), há dez anos, a residência vai servir para o amadurecimento do Processo Natimorto, experimento cênico idealizado por ele que transita pelas linguagens do teatro e da performance.

“Estamos desde 2011 experimentando cenas e temáticas, à procura de uma linguagem própria. Nesse período reunimos vários núcleos de pessoas interessadas em estudar o teatro contemporâneo, mas depois do intercâmbio a expectativa é que a gente formalize o Grupo de Teatro Natimorto”, adianta.

“Fizemos muitas performances na rua e em espaços fechados, mas até então não produzimos nenhum texto dramático. O Alvim tem uma ‘cena’ instigante que nos interessa bastante, então achei que ele poderia contribuir para organizarmos esse material”, completa ele, que participará, ao lado dos colegas, de oficinas de dramaturgia com Alvim e de interpretação com Juliana Galdino.

TROCAS

Denni Sales destaca que, durante a residência, o Club Noir estará em pleno processo de montagem de um novo espetáculo, então os artistas terão a oportunidade de acompanhar de perto o nascimento de uma peça de Alvim, que já dirigiu atores celebrados como Nathália Timberg e Caco Ciocler.

“Basicamente, vamos observar a pesquisa e dramaturgia do Club Noir, que tem uma inclinação para o contemporâneo, onde estamos inseridos. Ali dentro eles vêm desenvolvendo uma linguagem própria e contínua: o Roberto é uma figura importante para o teatro nacional e a Juliana tem toda uma pesquisa em interpretação. Além disso, eles foram bem solícitos em nos receber”, acrescenta Sales, que também passou pelo Tesc.

Nessa vivência em São Paulo, o trio amazonense também vai tentar absorver ao máximo o que a cidade oferecer. Conforme Guta Rodrigues adianta, eles já estão com vaga garantida para uma sessão do Método Abramovic, com a performer sérvia que está participando de uma retrospectiva da sua obra no Sesc Pompeia.

“A minha expectativa é a melhor possível. Pessoalmente, eu estava bem cansada de teatro, queria dar um tempo, mas durante o festival do ano passado me reuni com o Dimas e o Denni e surgiu a proposta de formatar uma nova ideia para o Natimorto. Parece que é o teatro me puxando de volta”, confessa a artista, que tem intimidade com os palcos desde os 17 anos de idade.

Nos dois meses no Club Noir, ela pretende “resgatar essa energia teatral” para voltar reciclada e com muito mais informação para Manaus.

Currículos de peso

O teatro não é entretenimento, tampouco reflexão, e sim lugar de experiências radicais – as palavras são de Roberto Alvim, publicadas no livro “Dramáticas do Transumano”. Dramaturgo, diretor e professor de artes cênicas, o carioca foi o primeiro autor brasileiro publicado na mais importante coleção de dramaturgia contemporânea europeia, a Les Solitaires Intempestifs, em 2005.

Além de diversas indicações para os prêmios mais importantes do teatro brasileiro (incluindo três indicações ao Prêmio SHELL), foi o vencedor do Prêmio Bravo! Prime 2009 de Melhor Espetáculo Teatral de São Paulo, por sua encenação da peça “O QUARTO”, de Harold Pinter.

Juliana Galdino trabalhou de 1999 a 2006 com o diretor Antunes Filho, em São Paulo. Com o diretor Roberto Alvim, funda a companhia Club Noir, em 2006, onde leciona interpretação na oficina de Atuação com Foco na Dramaturgia Contemporânea e atua nos seguintes espetáculos: “Anátema”, de Roberto Alvim; “Homem sem Rumo”, de Arne Lygre; “O Quarto”, de Harold Pinter; “Comunicação a Uma Academia”, de Franz Kafka; e “A Terrível Voz de Satã”, de Gregory Motton.

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