Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
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Vida

Artistas amazonenses opinam sobre polêmica de Ed Motta

Cantor fez declarações controversas na internet sobre a participação do público brasileiro em seus shows. Artistas locais repudiaram seus comentários


11/04/2015 às 09:14

“Impossível que imigrante brasileiro não saiba um básico de inglês”, “Não venha com um grupo de brasuca berrando ‘Manuel’ porque não tem” e “turma mais simplória que nunca me acompanhou no Brasil, público de sertanejo, axé, pagode, que vem beber cerveja barata” são alguns dos trechos do polêmico texto publicado pelo cantor Ed Motta na última quinta-feira, em sua página oficial no Facebook. Prestes a iniciar uma turnê pela Europa, o artista se viu na “obrigação” de escrever uma errata em que criticava o comportamento dos brasileiros que conferiam o seu show no exterior.

Indignados, os seguidores do músico criticaram a sua postura e, em poucas horas, Motta não somente ganhou vários “memes” nas redes sociais como ainda ficou entre os assuntos mais comentados no Twitter. Comentários como “realmente, ser popular no Brasil é para poucos” e “Ed, você é um mer**. Quer que eu fale isso em inglês?” rapidamente figuraram no post, ganhando respostas atravessadas do cantor: “para poucos idiotas” e “se você conseguir, acho importante para você como cidadão do 3º mundo”, escreveu ele, respectivamente.

Com uma extensa bagagem de apresentações pelo exterior, o músico amazonense Zezinho Corrêa reprova a atitude de Motta. “Graças a Deus fui muito bem sucedido nessa experiência de levar o meu trabalho para fora e de ser aceito. Mas sou mais feliz ainda por saber que isso só aconteceu em razão da força que tive no meu Estado. Acho que sem esse reconhecimento do público, eu jamais teria feito o que fiz e tido sucesso”, comentou o amazonense, em entrevista ao BEM VIVER. “Ele deveria sentir a mesma coisa, porque o artista não vive sem uma plateia ou sem um fã. Sem isso, ele não é nada. Nosso trabalho precisa ser visto e temos que ser iguais em todo canto do mundo”, completa ele, que já passou por países como França, Alemanha, Bélgica, Suíça, Polônia, Israel, Líbano, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Guiana Francesa.

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Arraial pelo mundo

Há três anos, foi a vez de Karine Aguiar sentir na pele a experiência de se apresentar no exterior. Com o seu elogiado “Arraial do mundo”, a musa do “jungle jazz” visitou Portugal, França e Estados Unidos, onde fez shows que superaram a expectativa de público. “Por mais que ele (Ed Motta) tenha seus motivos particulares para exprimir tais opiniões, não acredito que tenha sido feliz em suas declarações. Um artista, quando decide excursionar em carreira internacional, deve ter em mente que, em primeiro lugar, ele leva a imagem de uma nação inteira através de sua arte. Nós artistas temos a missão de levar ao mundo aquilo que nosso país tem de mais precioso, que é a sua cultura”, destaca a cantora.

Segundo ela, atitudes como esta do músico respingam “não só nele diretamente, mas na imagem de uma nação inteira”. “Quando se decide ser artista, você precisa também ter consciência que você estará sujeito a muitas coisas agradáveis e outras nem tanto. O rapaz, definitivamente, está reclamando à toa com uma agenda de 17 shows e 10 países europeus diferentes! Talvez isto seja somente parte de um plano de marketing da própria equipe dele para promover a tal turnê. Coisas do lado negro do ‘show business’ que somente os empresários entendem como funciona”, opina.

Prestes a se apresentar no concerto “Brazilian Jazz Extravaganza”, que acontece hoje no Yardley Community Centre, na Pensilvânia (EUA), Karine diz que, diferente de Motta, não se preocupa muito com a nacionalidade de seus espectadores. “Minha única preocupação é em levar minha mensagem para as pessoas, fazer meu trabalho bem feito, mostrar minha arte e dizer ao mundo que o Amazonas também tem voz, que nós artistas do Norte também temos competência para estar em um circuito internacional de shows/concertos”, ressalta. “Não me importo se alguém vá ao meu show fora do Brasil com camisa apertada, seminu ou que seja ‘pouco instruído’. O importante é que vá e que desfrute do show. Como diria Milton Nascimento, ‘o artista vai aonde o povo está’. Não escolho meu público, são eles que irão me escolher ou não”, encerra a cantora.

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