Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
Vida

Artistas e consultores dão orientações para ter iniciativas artísticas aprovadas

Editais e leis de incentivo são hoje as principais vias de acesso ao patrocínio cultural no Brasil, porém, projetos ainda esbarram na adequação de moldes estabelecidos



1.jpg Dyego Monnzaho, da Cia. Cacos, teve ações aprovadas em vários editais
30/11/2013 às 18:36

No caminho da cabeça de um artista ou produtor cultural até a realização, a maioria dos projetos no segmento cultural atualmente passa por editais ou seleções para concorrer a estímulos fiscais. Não há surpresa aí: editais e leis de incentivo são hoje as principais vias de acesso ao patrocínio cultural no Brasil. Mesmo assim, várias iniciativas ainda esbarram no processo de se adequar aos moldes das leis e editais, e na seleção que se segue.

O caminho para superar essa dificuldade e ter mais chances de ter uma ação artística aprovada numa seleção passa pelo projeto: é por meio dele que a iniciativa será considerada e ganhará – ou não – o aval para receber recursos. O primeiro e mais importante passo na hora de transformar uma ideia em projeto é avaliar bem para onde ele será enviado.

“É uma tarefa complexa, que demanda análise, estudo e muita autocrítica. É preciso visualizar sua inserção na sociedade , retorno, público alvo, abrangência. E, antes de propor, checar a aceitação do projeto no mercado onde será realizado”, afirma Inês Daou, que por quase três anos foi técnica parecerista do Ministério da Cultura nas áreas de Artes Cênicas, Diversidade Cultural e Humanidades.

O artista cênico Dyego Monnzaho, que já teve projetos aprovados em editais como o da Funarte e o da Caixa, sugere “sondar” o terreno antes de submeter um projeto. “No caso de leis de incentivo, é interessante levantar que grupos já ganharam, que regiões já foram contempladas, que tipo de projeto costuma ser aprovado. No edital, vale a pena avaliar o perfil da empresa que oferece, ver em que o projeto pode contribuir para ela”, aconselha ele. “Fazer isso ajuda a formatar uma ideia dentro do perfil certo, ou perto disso”.

Direto ao ponto

Na hora de escrever o projeto, o principal conselho é ir direto ao ponto. “O que realmente ganha pontos é uma apresentação clara, objetiva e que atenda a todas as exigências do edital”, assinala Inês, ressaltando ainda que é importante cumprir as regras estabelecidas no edital. “Já vi projetos muito bacanas, mas o proponente não respeitou um prazo ou não respondeu à diligência. Temos que indeferir”.

Ideia e execução também devem estar em compasso, como aponta Dyego. “Às vezes você coloca no projeto algo mirabolante, e o avaliador vai notar que o orçamento não vai cobrir”, diz. Caprichar na justificativa, ele explica, pode ser outro fator decisivo: “Nela você explica porque vale a pena patrocinar aquele projeto, o que envolve não só aspectos estéticos, mas também sociais e políticos, quando você busca recursos públicos”.

Mais peso

Ideia à parte, outros elementos podem ajudar um projeto a ganhar pontos. Dyego enumera fatores como a inovação na ideia, o enfoque em questões de identidade ou, no caso de circulação, o alcance a regiões menos favorecidas no País, como o Norte. “É importante trabalhar com a potência regional, com a sua realidade”, opina.

Inês, por outro lado, nota que tanto um projeto super criativo quanto outro convencional poderão ser aprovados em leis de incentivo, se atenderem o que é exigido. “Isso garante isonomia no processo seletivo”, diz. Portanto, é bom ter atenção redobrada a detalhes como documentação ou orçamento. Inês, que já avaliou mais de 200 projetos do País todo, conta que as falhas mais comuns eram “com relação à documentação e às justificativas para uso de determinada verba”.

No final, além do aspecto técnico, é preciso contar um pouco com a sorte, especialmente no caso de editais. “Qualquer projeto será diferente de artista para artista, e há fatores subjetivos a levar em consideração”, conclui Dyego. “Não há fórmula para ter um projeto contemplado”.

Lista

- Esteja atento ao calendário para poder elaborar seu projeto sem perder os prazos

- Seja objetivo, use linguagem direta, e evite excessos ou informações desnecessárias

- No orçamento, faça estimativas realistas e bem justificadas

- Revise a documentação com cuidado para não perder tempo com diligências mais tarde

- Leia todas as regras do edital, pois qualquer desacordo pode desabilitar o projeto

- Seja prático, deixando clara a relevância do projeto, público alvo e forma de execução

- Confira os editais vigentes em sites como o do Ministério da Cultura ou Cultura e Mercado.

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