Publicidade
Entretenimento
Vida

Artistas revelam seus pequenos tesouros em coleções pessoais

Peças acumuladas revelam interesses de renomados artistas plásticos de Manaus fora das telas ou esculturas 07/08/2015 às 16:49
Show 1
Jandr Reis acumula garrafas e outras peças de vidro azul do mundo todo
Jony Clay Borges Manaus (AM)

Há quem goste de colecionar obras de arte. Mas e os artistas, gostam de colecionar o quê? Alguns até apreciam reunir criações de seus pares, mas boa parte se dedica a juntar objetos mais prosaicos, sejam garrafas de vidro ou veículos em miniaturas.

Seguindo o exemplo de “Magnificent Obsession”, exposição que vem fazendo sucesso em Londres, apresentando ao público coleções pessoais de artistas como Andy Warhol ou Damien Hirst, pedimos a alguns artistas locais para apresentar os pequenos tesouros que acumulam em suas casas ou ateliês.

Óscar Ramos apresentou sua coleção de vidros lapidados pelo mar, que vem coletando em praias de todo lugar por onde passa desde os anos 1970. Sergio Cardoso, por sua vez, exibe parte das mais de mil miniaturas de carros e aviões que guarda com muito zelo desde que era criança. Helen Rossy juntou dezenas dos objetos curiosos e divertidos que encontra por aí e guarda em sua casa para mostrar aos leitores do caderno. E Jandr Reis apresenta a coleção com mais de cem peças que resultou de sua quase obsessão por peças em vidro azul. Confira!

AZUL TRANSLÚCIDO

Jandr Reis nem lembra de quem ganhou um conjunto de pedras decorativas azuis, lá nos anos 1990. Mas as peças o encantaram tanto que passou a buscar aquela cor em todo lugar. “Comecei a comprar louças, vasos, utensílios de casa, todos azuis. Não sei o que veio na minha cabeça”, recorda ele.

De lá para cá, o artista deixou os utensílios de lado para se concentrar em garrafas, vasos e similares. Muitas peças são doações de amigos. “Geralmente peço de presente objetos de vidro azul, e fico superfeliz de ganhar”, conta.

Outras ele adquiriu em viagens, como as que fez à Europa. “Sempre vou atrás de uma lembrança do lugar em vidro azul”, diz. Apesar do interesse, Jandr não vê uma relação direta das peças com sua arte. “Tenho muitas obras em azul também”, arrisca.

Mas as peças que guarda em casa são sua obsessão: “Fico fascinado quando vejo um vidro azul em qualquer lugar”.


OUTRAS NATUREZAS

Vidros lapidados pelo mar atraem interesse de Óscar Ramos há várias décadas (Evandro Seixas/Arquivo A CRÍTICA 25/04/2012)

Foi durante a visita à casa de uma amiga no Rio de Janeiro, nos anos 1970, que Óscar Ramos descobriu os vidros lapidados pelo mar. E ficou fascinado pelas peças, similares a pedras preciosas em estado bruto, às quais ele atribui um caráter transcendente.

“O mar trabalha no vidro até ele perder o fio, e virar outra coisa. Isso para mim era um fascínio, como se eu tivesse descoberto o que o (filósofo) Marshall MacLuhan chama de ‘objetos de outras naturezas’”, diz ele, que já teve quase mil peças, mas se desfez de muitas em viagens.

O artista e poeta visual também vê no interesse pelos vidros um reflexo de sua arte. “Minha influência do (designer) Max Bill, por exemplo, é a da obra como um looping, registro de algo que acontece. E um vidro lapidado pelo mar é isso: um processo de transformação pela natureza”.


COISINHAS DIVERTIDAS

Helen Rossy guarda pequenos brinquedos e bibelôs coloridos há 20 anos (Divulgação)

É até difícil reunir numa só categoria os objetos que Helen Rossy guarda na casa onde vive com o marido, Buy Chaves, em Novo Airão (a 115 quilômetros da capital). Há brinquedos, frascos de vidro, bibelôs, miniaturas. Tudo pequenino e divertido, todos achados e, algumas vezes, ganhos, segundo a escultora.

“O que me atrai é o colorido. Muitas vezes estão enterrados na areia, na rua, e sempre me pergunto quanto tempo esteve e como foi parar ali. Curiosidade”, diz. A coleção informal tem cerca de cem objetos. “Tenho peças que já têm 20 anos, e outra que achei ontem. Não procuro, mas se vejo algo, coleto”, conta ela.

Helen já usou algumas das miniaturas em obras de arte, mas a analogia entre as pequenas peças e as esculturas em madeira que produz (como o banco ao lado) são evidentes em seu caráter lúdico. “Na minha arte como na minha vida, adoro brincar”, ela diz.


MEMÓRIA EM CONSTRUÇÃO

Carros e aviões em miniatura compõem coleção de Sergio Cardoso (Divulgação)

Mais de mil carros em miniatura, com design do final do século 19 aos anos 1980, e algumas dezenas de réplicas de aviões das duas Grandes Guerras, integram a coleção que Sergio Cardoso compõe desde a infância. O que motiva o artista? “Tem uma certa busca nostálgica, um sentimento de segurar o tempo, a memória da História, por meio deles”, define.

Apaixonado pela estética do passado, Sergio já retratou carros e aviões em suas pinturas, e ambos por sua vez têm a ver com o cinema. “Minha pintura sempre foi ‘cinemática’. E o cinema popular de aventura me estimulou a expectativa de ter esses objetos”, diz.

Sua ambição, como a de todo colecionador, diz Sergio, é “construir memória”. “Colecionar é um ato de amor ao tempo na construção da memória”, conclui.

Publicidade
Publicidade