Sábado, 18 de Setembro de 2021
Segunda Chamada

Amazonense integra série sobre a educação pública no Brasil

Adanilo interpreta o indígena Anuiá na segunda temporada de “Segunda Chamada”, lançada pela Globoplay. A trama se passa numa escola estadual com Educação de Jovens e Adultos (EJA)



WhatsApp_Image_2021-09-11_at_14.38.05_0F8C9A83-0E12-4515-B005-466C8E3215B8.jpeg Foto: Fábio Rocha/Divulgação
11/09/2021 às 13:42

O ator indígena manauara, dramaturgo e diretor Adanilo integra o elenco da segunda temporada de “Segunda Chamada”, que estreou na última sexta-feira (10) e segue disponível no streaming da Globoplay. A série de seis capítulos, que está prevista para ser exibida na TV aberta no ano que vem, é um retrato da educação pública no Brasil. A trama se passa numa escola estadual com Educação de Jovens e Adultos (EJA), onde estuda Anuiá - personagem interpretado por Adanilo -, um indígena Yawalapiti que sonha em se tornar advogado para lutar pelos direitos de seu povo. 

A série, que é dirigida por Joana Jabace, também traz em seu elenco atrizes como Débora Bloch (Lucia), Thalita Carauta (Eliete), e Hermila Guedes (Sônia). Elas interpretam as professoras da Escola Estadual Carolina Maria de Jesus. Lúcia, Eliete, Sônia e outros professores estão preocupados com a realidade do novo ano letivo, por conta do baixo número de matrículas, que pode resultar na extinção do curso. Apesar dos conflitos enfrentados pelos novos alunos, o que permanece é sempre a vontade de vencer.



Personagem de Adanilo

Além da vontade de advogar, Anuiá também vende artesanato indígena na rua e entra em conflito com Jackson, outro aluno da escola. “Vocês acham que pra ser indígena tem que estar assim, né?” – o personagem aparece com o rosto pintado e, em seguida, vendendo artesanato. “A voz do indígena não está sendo ouvida por vocês. A nossa guerra não é só com arco e flecha não, Jackson. A gente luta com papel e caneta também”, diz Anuiá, em uma cena que saiu no trailer de divulgação da segunda temporada da série. 

Adanilo, que já atuou em longas como "Marighella", de Wagner Moura; "Eureka", de Lisandro Alonso; "Oeste Outra Vez", de Erico Rassi; "Noites Alienígenas", de Sérgio de Carvalho e "Anaíra", de Sérgio Machado, conta que foi a partir de “Marighella” que surgiu a oportunidade de interpretar Anuiá em “Segunda Chamada”.

“Em ‘Marighella’ trabalhei com a Letícia Naveira, que é a produtora da série. Ela me convidou para fazer o teste. Depois de aprovado nessa primeira etapa, fiz uma oficina com outros atores e com a presença da diretora Joana Jabace. Eu trabalho com uma agência de atores, chamada Casting Lab, e são elas que organizam tudo quando estou num trabalho”, pontua o ator. 

O manauara revela, ainda, sobre como foi a preparação para o seu papel. Pesquisas, estudos, exercícios de cena e interpretação foram fundamentais nesse processo inicial. 

“A preparação foi feita por Vinícius de Oliveira, Fernanda Rocha e Michelle Boesche. Fizemos vários exercícios de cena e interpretação, estudos em relação ao Ensino de Jovens e Adultos, tivemos palestra sobre pessoas em situações de rua, que compõem personagens de um dos núcleos da serie. Para o meu papel, pesquisei muito sobre os Yawalapiti, tive a oportunidade de trocar ideia com alguns deles e com alguns indígenas em contexto urbano de São Paulo”, destaca Adanilo. 

Os noticiários retratam, dia após dia, a luta de indígenas de todo o Brasil, que manifestam contra o “marco temporal” para a demarcação de terras. Como indígena manauara, Adanilo expôs a sua opinião a respeito de um tema tão delicado. “Desde a invasão europeia, a gente vive um dos momento mais fortes e potentes das consciências indígenas no Brasil. Apesar de estarmos em um momento delicado, de retrocessos e ameaças a muitos povos originários, também vemos muitas iniciativas que valorizam, recuperam e retomam as forças ancestrais e apontam para um futuro indígena. Precisamos reeducar as pessoas, incentivá-las a conhecer nossas origens, precisamos entender que nossos territórios são terras indígenas”, enfatiza. 

Outras frentes de arte

Além da participação em “Segunda Chamada”, atualmente Adanilo está envolvido em dois novos projetos: o filme "Omáguas - O Povo das Águas", que narra a trajetória do povo Kambeba na região do Amazonas, e o espetáculo de teatro "Ayuri Kawa", inspirado na vida de Ajuricaba, líder revolucionário dos Manaús.

Em Manaus, Adanilo foi co-fundador da Artrupe Produções, onde desenvolveu filmes, peças de teatro e eventos culturais diversos, participando de editais e festivais locais e nacionais. Atuou nos grupos “Apareceu a Margarida”, “Grupo Origem” e “Cês em Cena”. No Rio de Janeiro, colaborou com a criação da Companhia Casa 407, investigando a linguagem da palhaçaria e do teatro de rua, e fundou o Teatro Galeroso, grupo que investiga as artes cênicas e audiovisuais a partir de uma visão periférica da cidade de Manaus.
 

Repórter de A Crítica

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