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Ator, diretor e produtor carioca Michel Bercovitch realiza workshop em Manaus

Artista aborda os fundamentos da prática teatral no projeto ‘Workshops Vivo EnCena’, cujo tema é ‘Improvisação Teatral: Improvisando e aprendendo’ 01/04/2015 às 14:34
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Improvisação é essencial para o trabalho do ator, na visão de Bercovitch
JONY CLAY BORGES Manaus (AM)

Tão importante quanto a habilidade de interpretar uma cena descrita num roteiro é a de poder criar e atuar numa cena fora do texto, sem preparo prévio. É o que defende o produtor, ator e diretor carioca Michel Bercovitch, que vê na improvisação mais que um instrumental para os artistas do palco.

“Precisamos estar sempre prontos para ser testados a qualquer momento. A improvisação deixa o espírito livre, tira o senso do ridículo e nos deixa experimentar. Mais que uma ferramenta, é a liberdade do ator”, declara o artista, que já soma mais de 30 anos de carreira nos palcos, na TV e no cinema.

A improvisação é justamente o tema do curso que Bercovitch ministra em Manaus, nos próximos dias 14 e 15 deste mês, como parte das atividades do projeto “Workshops Vivo EnCena”. Na ação, com o tema “Improvisação Teatral: Improvisando e aprendendo”, o artista aborda os fundamentos da prática teatral – entre eles presença, respiração, tempo, espaço, geometria cênica e foco – por meio de exercícios e jogos de improvisação.

Do ensaio à criação

Embora seja mais associado ao improviso em cena – como uma saída nas ocasiões que fogem do script –, a improvisação é um recurso onipresente em todo o trabalho de interpretação, de acordo com Bercovitch. “Vemos a improvisação consolidada em todos os espetáculos. Está em tudo – exceto talvez na telenovela, mas exatamente porque os grandes atores de TV são grandes improvisadores”.

Fora do palco, avalia ele, a prática ajuda a enriquecer o processo de ensaio ou criação de um espetáculo. “Quando se pede ao ator para sair do texto e improvisar, ele fica mais preparado para o que vem depois. Improvisar uma passagem entre cenas pode servir de material importante para ele seguir com o personagem. E é muito comum um diretor ou ator usar cenas que não estão no roteiro: muitas vezes se compõe uma dramaturgia a partir de improvisações. Shakespeare, Vianinha (Oduvaldo Vianna Filho) trabalhavam assim, com improvisações orientadas”, comenta.

Saber improvisar, claro, contribui também para a atuação no palco: “Para se ter um frescor na atuação, as coisas têm de acontecer como se nunca tivessem acontecido, como se fosse a primeira e única vez. Por isso tenho um mote: depois de estudar, trabalhar, decorar, repetir... esqueça o que sabe! Sempre que entro em cena, procuro me dizer, ‘Esquece que já fez tantas vezes, não repete, não vá para a zona de segurança’”, explica. E a estratégia, segundo ele, tem dado certo. “Tem funcionado nos últimos 33 anos!”, brinca.

Palco e bastidores

Tanto funcionou que Bercovitch passou por várias mídias nesses 33 anos: além de dirigir, atuar e produzir no teatro, atua também na TV e no cinema desde o início dos anos 1990. Na primeira, participou de novelas como “Amor eterno amor” (2012) e minisséries como “Cinquentinha” (2009). “O que acho interessante na televisão é a ‘obra aberta’: você não sabe nunca para onde vai”, diz.

No cinema, ele acaba de fazer “A senhora das imagens”, cinebiografia da psiquiatra Nise da Silveira estrelada por Glória Pires, ainda a estrear. Atuou também no recente “Getúlio” (2014) e em “Cabra cega” (2004). “Foi o que mais gostei de fazer até hoje. Fala de ditadura militar no Brasil, é um filme lindo”, diz.

Mas é no teatro que Bercovitch mais se realiza. “Meu sonho sempre foi fazer isso. O teatro é onde gosto de estar e o que mais gosto de fazer, independente do que for – dirigir, atuar ou produzir”, declara ele, que trabalhou com grandes autores (entre eles Ibsen, Nelson Rodrigues, Shakespeare, Pirandello) e diretores (Aderbal Freire Filho, Antonio Abujamra, Miguel Falabella) ao longo de sua trajetória, em mais de 80 peças. “Fui educado por esses autores e seus personagens; eles me ensinaram muito na vida. E esses diretores sempre foram referências minhas”, declara.

Bercovitch se diz feliz ainda por poder trocar ideias com artistas de regiões e Estados como o Amazonas por meio dos workshops: “O Brasil é tão grande, e quanto mais pudermos trocar experiências, mais rico o País pode ficar”.

Michel Bercovitch

Nascido em 1966, no Rio de Janeiro, é ator, diretor e produtor teatral. Teve os primeiros estudos de teatro com Miguel Falabella, e depois Carlos Wilson, do Tablado. Seja nos palcos ou bastidores, trabalhou em mais de 80 peças. Recebeu indicações a vários prêmios, e ganhou o Prêmio Bravo! de Revelação pela direção de “O zelador” (1999). Trabalhou ainda em novelas e minisséries de TV, e em filmes como “Cabra cega” (2004).

Oficina

As atividades dos “Work- shops Vivo EnCena: Improvisação Teatral – Improvisando e apren -dendo” são gratuitas e para maiores de 16 anos. As inscrições estão abertas até o dia 9 de abril, para um total de 20 vagas. A iniciativa da Vivo tem apoio da Secretaria de Estado de Cultura do Amazo-nas. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (92) 99201-7648.

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