Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
CRIATIVIDADE

Ator e dramaturgo Márcio Ballas fala sobre o improviso teatral dentro e fora da TV

Márcio estará na noite desta terça-feira (25) em solo amazonense para ministrar uma palestra sobre “Improviso e Criatividade’, durante o Experience Day 2017, na Faculdade DeVry Martha Falcão



bv0825-200f.jpg Foto: Reprodução/Internet
25/04/2017 às 05:00

Ele é ator, diretor, dramaturgo especializado na linguagem de Clown e Improviso Teatral. Possui mais de 20 anos dedicados às artes e já arrancou muitos sorrisos do público dentro e fora da TV. Márcio Ballas estará na noite desta terça-feira (25) em solo amazonense para ministrar uma palestra sobre “Improviso e Criatividade’, durante o Experience Day 2017, na Faculdade DeVry Martha Falcão (Rua Natal, 300 – Adrianópolis). Em entrevista por telefone, Ballas debateu sobre o teatro improvisado e falou um pouco de como podemos utilizar a criatividade ao nosso favor. Confira!

Poderias falar sobre a Palestra “Improviso e Criatividade”? 
Há 20 anos que eu comecei a trabalhar com improviso, como palhaço, apresentador de TV. Na palestra eu conto como faço meus espetáculos acontecerem ali na hora, ao vivo como no programa que eu apresentava na Band “É tudo Improviso”, onde o público via a gente criar cenas e jogos. As pessoas perguntavam: ‘Márcio como que você faz para ser tão criativo? E a verdade é que por detrás disso tem algumas técnicas, alguns princípios que eu aprendi, então eu falo desses princípios lá. 



Que princípios são esses? Poderias falar sobre um?
O principal deles é o que eu chamo de “SIM”, o elemento central do trabalho do improvisador e do palhaço, que é a aceitação, o criar na hora, a partir do que eu tenho na hora, aceitar contexto, o momento presente, e jogar com o que me acontece. Na palestra eu falo e explico primeiro, que todo mundo é criativo.

Como podemos usar a criatividade ao nosso favor? 
O ser humano nasce criativo. Não é uma coisa que só poucas pessoas tem ou só algumas. Às vezes a gente acha que só o pessoal de propaganda, de marketing e artistas que tem, mas não, todos têm. E é uma competência que cada vez mais a gente tem que ter para sermos melhores no nosso dia a dia, no trabalho, para conseguirmos achar novas soluções para os problemas que surgem no dia. 

Você já participou de vários espetáculos no Brasil e no mundo. Como avalias o teatro do improviso de outros países com o nosso? 
Então, o improviso que a gente trabalha aqui ele é mais voltado ao público. Eu e uma turminha, digamos que palhaços de origem, vemos que o improviso daqui é de jogar muito para o público, de se relacionar muito com ele, e de colher feedback o tempo todo. Uma característica bem especifica do Brasil é de tomar muito o público em conta. Agora o Brasil é recente nessa questão de improviso. Outros países da Europa e os Estados Unidos fazem há mais tempo do que a gente, então essa linguagem está mais amadurecida lá.

O que te fascina no teatro do improviso?
O que me fascina primeiro é o fato de criar um espetáculo novo e diferente a cada noite. Segundo, a questão do público participar e ser co-autor do espetáculo, eu acho muito legal, pois tira ele dessa posição passiva, ainda mais nos dias de hoje em que somos muito passivos, onde assistimos no youtube, internet e TV sem interagir. No teatro do improviso o público é convidado a participar ativamente porque é ele quem dá os títulos, o nome dos personagens, o norte das histórias. Essa criação é feita entre o ator e o público, e juntos eles constroem um espetáculo único que só vai acontecer naquela noite.

Agora uma curiosidade sobre o programa ‘É tudo improviso’. Era tudo improviso mesmo, ou tinha um roteiro?
Realmente era tudo improviso mesmo, e por isso escolhemos esse nome para o programa. O legal do improviso é que as coisas são criadas ali, na hora. A televisão às vezes cobrava: ‘vocês não podem ter um roteiro? Pensar antes?’ E a gente dizia não! O legal do improviso é pensar na hora. Tem cenas que saem incríveis, mas tem cenas que saem horríveis. Tem momentos que sai muito legais, já outros, opa, tem falhas e erros. E o público gosta muito de ver isso, pois ele identifica que realmente é feito na hora. ‘É de verdade, eles fazem na hora. Ele trocou o nome do personagem’. Então faz parte do trabalho do improviso essa imperfeição. 

Qual a diferença do improviso dentro e fora da TV?
Tem uma pequena diferença porque no teatro tem alguns jogos que a gente consegue fazer, onde eles exigem a memória do espectador. Exemplo: lembrar que no começo da cena aconteceu algum fato e lá na frente esse fato volta a acontecer. Já na TV, como ela é muito instantânea, onde a pessoa está passando e pega o programa pela metade, esses jogos na TV têm que ser entendíveis. Há uma adaptação da própria linguagem. Mas na essência, eles são bem parecidos, pois é o mesmo formato.  


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