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Lançamento neste sábado

Autor de 'O rio comanda a vida', Leandro Tocantins é tema de livro a ser lançado

“Tradição e modernidade no pensamento de Leandro Tocantins” tem lançamento hoje, às 10h30. Livro do professor Odenei Ribeiro a ser lançado hoje, no IGHA, discute pensamento de autor falecido. 24/06/2016 às 21:55 - Atualizado em 24/06/2016 às 21:55
Show livro odenei
Publicação com selo da Editora Valer teve apoio financeiro da Fapeam (Foto: Divulgação)
Ivânia Vieira Especial para A CRÍTICA

Há 64 anos, “O rio comanda a vida” chegava ao mercado editorial brasileiro. Hoje a publicação está inserida na lista dos livros-referência sobre a Amazônia. O autor, o paraense Leandro Tocantins, igualmente alcançou importância acadêmica para quem quer ter algumas compreensões sobre o pensamento social amazônico.

A produção de Tocantins, mais de duas dezenas de livros, outros tantos artigos, ensaios, vem sendo resenhada e estudada por pesquisadores de universidades de diferentes lugares e, em um desafio mais complicado por exigir superar determinadas visões, pelas universidades da Região Amazônica.

No dia 25, somar-se-á a esse movimento um estudo de fôlego – “Tradição e modernidade no pensamento de Leandro Tocantins” – a ser lançado em Manaus, às 10h30, no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), na rua Bernardo Ramos, 117, Centro Histórico, por iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura da Amazônia (PPGSCA), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Fruto das pesquisas feitas para a produção da tese doutoral do professor Odenei de Souza Ribeiro (Ufam), a publicação está distribuída em quatro capítulos (O Trópico Úmido e os intelectuais; Do seringal posso ver o mundo; Leandro Tocantins e o Nacional Desenvolvimentismo; Tradição, cultura e modernidade), e 309 páginas, com selo da editoria Valer, e apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Na Amazônia profunda

Escritor, jornalista e historiador, Leandro Tocantins nasceu em Belém, em 1919 e morreu, em 2004, no Rio de Janeiro. Com a transferência dos pais para o Vale do Juruá, no rio Tarauacá, no Acre, quando ele tinha nove meses, desde cedo conviveu com as realidades dos seringais, as estradas fluviais, a complexidade amazônica, região que ocupa de forma recorrente as suas produções.

Estudar o pensamento de Tocantins é estudar a Amazônia profunda para brindar leitores com relatos e posicionamentos até então não realizados. Odenei de Souza Ribeiro faz isso: “É um trabalho que se inscreve na tradição de pesquisadores da Amazônia atentos à formação empírica e teórica do pensamento social brasileiro e da produção cientifica e revela-se da maior importância teórica e metodológica”, afirma a pesquisadora Marilene Correa da Silva Freitas, coordenadora do PPGSCA, autora da apresentação do livro.

Marilene acrescenta que a pesquisa de Odenei se insere na Amazonotropicologia, contorno da imaginação de um novo campo da inteligência da Amazônia desenhado por Leandro Tocantins e bem apreendido pelo autor.

Janela para o mundo

“Sobre as ruínas do extrativismo se acirraram as disputas entre as classes sociais e suas frações no espaço social Norte”, afirma o pesquisador Odenei  Ribeiro ao mergulhar nas análises das obras literárias de Tocantins que tratam das suas vivências na infância e na adolescência. A análise dessas obras nos revela as representações em disputa no jogo de forças entre as classes no espaço social regional dos anos 1930 e 1940.

Odenei descobre um Tocantins que reconhece a vitalidade e a importância da cultura da Amazônia para a formação do espírito do povo brasileiro ao evidenciar a crença de que as lendas e os mitos regionais estão enraizados na alma de todo brasileiro. E diz “(...) o caráter dissipador das energias do trabalho baseadas na aventura deve ser abandonado em favor de um novo tempo na Amazônia, não mais fundado no espírito de uma economia esparsa, e sim em uma política de investimentos públicos capaz de sustentar um desenvolvimento contínuo, o que permitiria uma integração efetiva da região ao todo da vida nacional”.

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