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Bactérias ‘do bem’: elas podem auxiliar no combate à obesidade

Estudo revelado no Congresso Paulista de Endocrinologia dá outra visão para combater a doença 18/06/2013 às 09:54
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De acordo com os estudos, o intestino grosso abriga cerca de 100 trilhões de microorganismos de diversas espécies, boas e ruins
Loyana Camelo Manaus, AM

Como duas pessoas podem comer o mesmo prato, uma engordar e a outra continuar com o mesmo peso? Por que tem quem sinta fome toda hora? A resposta para essas perguntas poderia estar facilmente ligada a genética, o estilo de vida ou até uma doença, porém, havia uma faceta obscura causadora da obesidade até pouco tempo. Durante o Congresso Paulista de Endocrinologia, realizado em abril último, foi revelado o resultado de uma pesquisa de quase oito anos confirmando algo que os médicos desconfiavam há algum tempo: a obesidade é também um processo inflamatório.

De acordo com os estudos, o intestino grosso abriga cerca de 100 trilhões de microorganismos de diversas espécies, boas e ruins, em uma eterna briga para prevalecerem umas sobre as outras. Quem fortalece esses “exércitos” é nossa dieta, capaz de incitar o crescimento ou diminuição destas bactérias. O endocrinologista Mário Quadros, participante do Congresso, elucida que as más bactérias, quando em maior quantidade, causam um fenômeno que responde satisfatoriamente às perguntas feitas no início do texto.

“Quando há desequilíbrio nesta flora bacteriana, o ser humano pode engordar ou emagrecer. Se o número de bactérias boas diminui, então há automaticamente uma diminuição da queima gastrocalórica”, diz.

Guerra interna

As “bactérias boas” a que se refere o médico têm o poder de queimar gorduras, diminuir a circunferência abdominal e promover a sensação de saciedade. De outro lado, as más (chamadas de firmicutes) fazem tudo o contrário e mais - lançam na corrente sanguínea uma substância que causa uma inflamação no centro da fome, localizado no hipotálamo (glândula cerebral).

“Esse processo inflamatório atinge o centro da saciedade no cérebro, e ali, provoca uma inflamação que não nos permite reconhecer que a alimentação foi digerida, nos deixando sempre insatisfeitos. Aí desencadeia também o metabolismo lento e o intestino preguiçoso. Isso explica a existência de pacientes que faziam dieta e não tinham resultado”, diz.

A farmacêutica Adriana Melo, 32 anos, iniciou em janeiro dieta rica em probióticos sob a orientação do Dr. Mário Quadros na esperança de livrar-se dos 6kg extras. No primeiro mês ela conseguiu perder 3kg.

“Fiz muitas dietas, já tomei remédio pra emagrecer e tudo que perdia, ganhava de novo. Agora vejo resultados claros. A dieta probiótica me deixa com mais energia, melhorando minha atividade intestinal e minha imunidade”, revela a paciente.

Destaque

Uma dieta repleta de gorduras e açúcares estimula o crescimento das bactérias más, as firmicutes. Mas o perigo não está apenas nos alimentos. Antibióticos em excesso e laxantes também promovem o desequilíbrio das bactérias boas e más. O bisfenol, produto encontrado no plástico de certas mamadeiras, está ligado à obesidade.

Alimentos relacionados

Coalhada feita a partir de leite coagulado: promove o equilíbrio do ecossistema intestinal, caseira ou industrializada;

Iogurte: por ser derivado de fermentação láctea, é fácil de digerir. Porções pequenas são o ideal, pois o excesso engorda;

Leite fermentado: com alto grau de lactobacilos (uma das bactérias do bem), esta bebida é um ótimo probiótico;

Azeite de oliva: ácido graxo livre, rico em ômega 9, diminui o processo inflamatório no cérebro e dá a sensação de saciedade.

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