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ESPETÁCULO

Bailarino amazonense Marcelo Mourão retorna a Manaus para espetáculo no TA

Os oito bailarinos que vão acompanha-lo no projeto - Sterling Baca, Tom Forster, Alexandre Hammoudi, Stella Abrera, Arron Scott, Gillian Murphy, Hee Seo e Devon Teuscher – carregam o mesmo profissionalismo de Mourão 19/06/2016 às 14:18
Show marcelo mourao
Marcelo (ao centro) virá com oito colegas do American Ballet Theatre a Manaus (Foto: Divulgação)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Depois de cinco anos sem regressar à sua terra natal para apresentações, o bailarino amazonense Marcelo Mourão fará o pouso de sua dança justamente no Teatro Amazonas, o maior templo artístico do estado. A grandiosidade do local acompanha certamente a grandiosidade do artista, que hoje é o principal bailarino do American Ballet Theatre (ABT), de Nova York. Ele se apresentará com mais oito parceiros da companhia norte-americana nos dias 12, 13 e 14 de agosto.

Em sua vida artística, Marcelo foi primeiro bailarino, mas sempre gostou de fazer seus próprios passos, desde pequeno. “Para ser bailarino, agora nessa fase da minha carreira, me preocupo muito em estar saudável com meu corpo, para poder estar sempre pronto para entrar no palco. Isso é muito importante depois de uma certa idade”, diz ele.

Os oito bailarinos que vão acompanha-lo no projeto - Sterling Baca, Tom Forster, Alexandre Hammoudi, Stella Abrera, Arron Scott, Gillian Murphy, Hee Seo e Devon Teuscher – carregam o mesmo profissionalismo de Mourão.

“Nós todos nos conhecemos há muito tempo. Duas das bailarinas - Gillian Murphy e Stella Abrera – já dançam comigo quase 20 anos. Como trabalhamos todos no ABT, foi fácil fazer a seleção. Todos são bailarinos que já vi dançar ou dançaram comigo ou já os coreografei. O talento nesse grupo é realmente incrível”, dialoga ele.

O primeiro ballet que Marcelo irá mostrar será “Apollo”, de George Balanchine, feito em 1928, e que retrata o deus grego Apollo com suas musas. “O segundo será o meu balé, ‘Tristesse’, com música de Chopin, que conta a história de quatro amigos de infância que se reúnem mais uma vez depois de muito tempo separados. Eles falam sobre as suas vidas e percebem como cresceram e tem as suas próprias opiniões. Talvez ‘Tristesse’ seja o mais complicado e interessante para o público, pois você imagina que acaba de uma maneira e tem uma mudança na história”, coloca.

Na sequência, haverá vários “pas de deux”: o pas de deux do “Lago dos Cisnes”, do coreógrafo Matthew Bourne onde o bailarino fará o papel de cisne. “Temos também ‘Toccare’, minha coreografia com música bem contemporânea de Ian Ng e, finalmente, o pas de deux do balcão de ‘Romeu e Julieta’ para finalizar. Será o mesmo programa todos os dias e escolhi esses balés porque todos me representam de alguma forma, seja como bailarino, ator, partner e coreógrafo”, destaca ele.

Um dos pontos altos das apresentações certamente será a interação dos bailarinos com a orquestra Amazonas Filarmônica. “Estou superanimado para dançar com a Filarmônica e com o grande maestro Marcelo de Jesus na regência. Geralmente, esses tipos de gala são feitos com gravação, mas fiz questão de ter música ao vivo para fazer um espetáculo mais completo para os artistas e para o público. Depois de tanto tempo sem dançar no Teatro Amazonas, tenho que fazer um espetáculo de impacto e grande estilo”, acentua Mourão.

Exercício

Como o ABT está em temporada, os bailarinos estão ensaiando para as performances em Manaus nos dias de “descanso”. “Todos os bailarinos estão fazendo espetáculos nesse momento, então combinar horários está sendo uma grande missão, mas muito prazerosa. Tenho certeza que até lá vamos estar prontos para um lindo espetáculo. Marcelo também aproveita para falar sobre uma questão que ainda é polêmica para alguns a masculinidade abordada nos balés.

“Existem muitas companhias de dança no Brasil e no mundo que precisam de bailarinos. Agora, mais do que nunca, têm homens dançando na televisão. Se me preocupo com meninos que querem dançar balé, mas seus pais não deixam? Sim, claro! Isso me preocupa muito, mas não é mais tabu. Aliás, os homens conseguem ser grandes estrelas da dança e ter lindas carreiras dentro e fora do Brasil”, afirma ele.

Marcelo explica que, em comparação com o balé brasileiro, o balé americano é bem patrocinado. “Todas as companhias americanas sempre estão fazendo produções novas e em temporada. Claro que o dinheiro para artes não é o mesmo, assim como no Brasil não é e em outras partes do mundo também não. Como moro em Nova York, todas as companhias passam por aqui, eu vejo de tudo. No Brasil, o balé precisa ser mais valorizado, os bailarinos são muito bons e precisam dançar mais. Ser bailarino no Brasil é ter muita coragem e amor pela arte”, pontua.

Para Marcelo, é bem difícil de coreografar e dançar ao mesmo tempo, mas, por enquanto, ele garante que vai continuar fazendo o que lhe dá prazer. “Entrar no palco e dançar com todo o meu coração e trabalhar com os bailarinos no estúdio, fazendo novos trabalhos, tem sido uma grande experiência. Antes de Manaus faço uma estreia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro como coreógrafo. O meu primeiro balé para a companhia. Adaptei uma versão livre do Folclore de Parintins com música de Villa-Lobos. Também vou para um Festival de Dança no Japão. Uma volta ao mundo, mas o meu coração está batendo de ansiedade para o dia 12 de agosto!”.

O que é:

“Marcelo Mourão Gomes no Teatro Amazonas”

Quando:

Dias 12 e 13 de agosto, às 20h, e 14 de agosto, às 19h

Onde:

Teatro Amazonas, rua 10 de julho, Centro

ingressos www.bestseat.com.br

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