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Banda amazonense Malbec muda de nome para Supercolisor e fala sobre construção de novo disco

O grupo de rock alternativo amazonense preferiu se tornar exclusivo e resolveu adotar o novo nome Supercolisor, após descobrir que existe uma banda americana chamada Malbec 06/01/2015 às 20:07
Show 1
Supercolisor é composta por Ian Fonseca (voz e piano), Silvio Romano (baixo e voz), Natan Fonseca (bateria) e Zé Cardoso (voz e guitarra)
Laynna Feitoza Manaus, AM

Nome parece ser o mesmo que identidade, mas na verdade não é. Fato esse confirmado pelos novos ares aspirados pela banda amazonense Malbec (que assim se chamava até o último domingo). Em processo de construção do segundo álbum oficial da banda desde o ano passado, o grupo está sob vigência de um novo nome – Supercolisor - e de novas expectativas semeadas por eles e também por seus fãs, que logo após o anúncio do novo batismo se uniram nas redes sociais para pulverizar a novidade ao público. Talvez a prova de que o nome se torna apenas segunda natureza com o passar do tempo, e a personalidade é o que prevalece.

A mudança do nome está longe de se dar por conta de “preciosismos”: há pouco tempo, os membros da agora Supercolisor descobriram uma banda americana chamada Malbec, que já tinha seis discos lançados. “Estávamos recebendo informações de outros amigos que estavam confundindo a nossa banda com a banda deles por engano. E várias das nossas playlists nas redes sociais ficaram misturadas, e os álbuns aglutinados, como se fossem da mesma banda. Mudamos até por questões judiciais. Se caso tivéssemos alguma repercussão internacional, isso poderia nos causar problemas sérios”, declara o vocalista e guitarrista Zé Cardoso.

Ainda de acordo com Zé, Supercolisor é a máquina mais avançada tecnologicamente que o ser humano já construiu até hoje. “Ela serve para acelerar e colidir partículas e fazer experimentos com partículas subatômicas, com velocidade próxima à velocidade da luz. É um vislumbre de como as partículas se comportam nesse tipo de situação. Essa questão é inspiradora, porque grande parte dos questionamentos do que somos e para onde vamos podem ser explicados por esse tipo de tecnologia. E também queríamos um nome que fosse absolutamente exclusivo com nenhuma música relacionada. Achamos uma coisa forte, inspiradora e especialmente única”, aponta o vocalista.

O novo disco (cujo nome ainda não pode ser divulgado) vai na contramão de algumas características sonoras de seu antecessor. O “Paranormal Songs”, marcado por um senso mais denso e incisivo, cujas composições foram inspiradas em obras da literatura – a exemplo da canção “Memórias do Subsolo”, inspirada no livro homônimo de Dostoiévski e da música “Machine Time”, baseada na obra “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley – e nas artes visuais – a canção “18h” inspira-se no quadro “O Sono”, de Salvador Dalí. O novo disco dá maior vazão às bases eletrônicas e ousa em incluir elementos musicais diversos em suas canções – algumas lembranças que remetem desde Kraftwerk a Beirut em algumas linhas sonoras do trabalho. Além disso, momentos do cotidiano, como o ato de se esbaldar em uma pista de dança e de contemplar os gatinhos de estimação também se firmam com leveza.

“Nós seremos sempre uma banda que vai fazer discos conforme o momento que estamos vivendo. As composições vieram em formato de canções. Estávamos vivendo um momento de explorar sentimentos pessoais e vivências próximas do cotidiano. Sentimos uma vontade de falar sobre coisas que, na prática, são importantes para quem ouve”, aponta Cardoso. Paralelo às gravações do segundo disco, a banda está terminando a produção do primeiro videoclipe do álbum. “O segundo videoclipe já está em planejamento. Estamos pretendendo fazer um pré-lançamento do novo disco com o clipe e um ou dois meses depois lançar o outro” adianta o guitarrista, que prefere manter segredo sobre as músicas que receberão o suporte audiovisual.

Previsto para ser lançado ainda no primeiro semestre de 2015, o novo disco será gravado pelo selo Invern Records, e, assim como em “Paranormal Songs”, masterizado por Joe Lambert, famoso por ter masterizado bandas como Animal Collective, Dirty Projectors e The National. O nome que vai assinar a mixagem ainda está sob definição, mas tanto o master quanto o mixer devem ser feitos em Nova York. E o novo disco deve contar com colaborações locais, afirma Cardoso. “Uma das coisas que a gente pretende fazer é se aproximar de outros artistas locais, e fazer um trabalho no sentido de convidar artistas da cidade para cantar faixas do disco. E não somente da música, mas artistas plásticos na parte gráfica do disco também”, coloca ele.

Produção

Para o produtor do disco, o vocalista e tecladista Ian Fonseca, influências musicais da Supercolisor vêm mais para o público diagnosticar os sons do que para o artista racionalizar. "A gente tem influência porque gosta de outros artistas, e, inevitavelmente, se inspira neles, vez ou outra. Acho, na verdade, que ninguém vai atrelar muito esse novo disco a nenhuma influência. Pode parecer ambicioso, mas acho que finalmente estamos chegando num resultado que pode ser definido como um som próprio", destaca Fonseca.

Conforme Ian, o novo álbum possui muitas faixas com violão de base. Com isso, a autenticidade do trabalho tem repouso na performance e verdade das histórias sendo contadas nas músicas. "Em uma faixa nesse disco que se chama ‘Insône’, o vocal final, no disco final, vai ser aquele que gravei numa demo caseira, feita 10 minutos depois da composição da própria letra, apenas pra registrá-la. E aí, você vê, a gente tem tanto trabalho pra gravar um disco em alta qualidade, mas não adianta, a performance é o que vence, no fim das contas. Talvez exatamente pela proximidade minha, no caso, com a sensação do que tava sendo falado e cantado", encerra ele.



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