Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
‘A Plebe é Rude’

Banda ícone do rock brasiliense, Plebe Rude é tema de documentário

Filme será lançado nesta sexta-feira (22) no fechado Canal Brasil e em plataformas de vídeo on demand



18/05/2016 às 11:29

“A gente nunca foi pop. Nunca fizemos canções de amor. O que nos movia, por morarmos em Brasília, por vivermos ainda na ditadura e sob a influência do rock pós-punk, era uma urgência de falar”. A frase de Philippe Seabra, vocalista da Plebe Rude, fala do início da banda e da postura que ela vem mantendo ao longo de sua trajetória.

A história do grupo hoje virou tema de documentário: “A Plebe é Rude”, a ser lançado nesta sexta-feira, dia 20, no Canal Brasil e em plataformas de vídeo sob demanda, como Now e Oi. Com direção de Diego Da Costa e Hiro Ishikawa, “A Plebe é Rude” revive a história da banda que, ao lado de outras como Legião Urbana, Ira! e Aborto Elétrico, colocou Brasília no mapa do rock nacional no início dos anos 1980.

O projeto do filme surgiu meio casualmente, quando Philippe, que também produz trilhas sonoras de cinema – uma delas foi a da premiada trilha de “Faroeste caboclo” (2013) – foi procurado por Da Costa para um filme de ficção. O projeto, todavia, não foi para a frente, e Da Costa apresentou ao vocalista outra ideia que sua produtora tinha em vista: a de um documentário sobre a Plebe Rude. Seabra topou na hora.

“(Nós da banda) Demos total acesso ao nosso acervo pessoal. E tem vários depoimentos: o Herbert Vianna fala, um cara que apoiou muito a gente, o Renato Russo, e de quase todos os membros que já passaram pela banda”, conta o vocalista, em entrevista por telefone à reportagem. A Plebe hoje é formada por Seabra, André X, Marcelo Capucci e Clemente. Arthur Dapieve, jornalista e pesquisador, e Jorge Davidson, executivo da primeira gravadora da banda, são outros entrevistados do filme, que conta com imagens raras em vídeo, material de jornais da época e fotos de arquivo.

Resistência e superação

“A Plebe é Rude” não esconde conflitos internos da banda – o que justifica a ausência de um dos ex-integrantes, Jander Bilaphra, entre os entrevistados. Por outro lado, o filme revela a amizade e a parceria entre Seabra e André X, ambos remanescentes do grupo original. “A Plebe foi fundada por essa amizade nossa”, diz o vocalista. “André é praticamente meu irmão mais velho”.

O documentário marca os 35 anos da banda e os 30 anos de seu primeiro álbum, “O concreto já rachou”. A fase inicial também vem à tona no filme. “Gravamos disco após cinco anos de formada a banda. Foram cinco anos que tivemos para consolidar nosso repertório e encontrar nossa identidade”, conta Seabra, que compara o cenário de ontem e o de hoje.

“Hoje esse processo é muito mais rápido, mas são bandas não encontraram seu som. A gente tocava em São Paulo, no Rio, sem a perspectiva de gravar, nem de viver de música. O que movia a galera nessa época era só a urgência de falar”, avalia ele, que vê na história da Plebe e de outras bandas brasilienses da época “uma história de superação”. “Brasília era uma cidade no meio do nada, não chegava cultura, não chegava nada. E vieram esses jovens, que apanhavam da polícia e da censura, e que acabaram mudando a cara da música brasileira”.

Na Plebe Rude, essa história se consolidou num rock de letras marcantes, com críticas sociais e políticas, que se expressou em canções como “Até quando esperar”, “Proteção” ou “Minha renda”. E o grupo, declara Seabra, faz questão de manter o registro nesse tom até hoje.

“A Plebe nunca fez música de amor, nunca se nivelou por baixo. Hoje a cultura brasileira está nivelada por baixo. Nossa missão, meio que inconsciente, é fazer o contraponto, mostrar que não é preciso fazer música idiota para viver, não precisa baixar a cabeça para o mercado. E acho que isso a gente conseguiu”.

Frase

"As pessoas que virem o filme vão vão ficar abismadas por duas coisas: uma é que já se fez rock sério no Brasil. Outra é que vão pensar, ‘Poxa, era tão legal, que droga que não tem mais nada assim na música hoje’", Philippe Seabra, vocalista da Plebe Rude.

Trajetória

Formada em Brasília em 1981, a Plebe Rude já vendeu mais de meio milhão de cópias de seus seis álbuns. O primeiro deles, “O concreto já rachou” (1986) foi listado pela “Rolling Stone” entre os 100 melhores da música brasileira de todos os tempos.

Plebe Rude com Herbert Vianna numa imagem rara da banda

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