Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
Vida

Banda The Dust Road precisa arrecadar verbas para show em Berlim

Depois de terem se mudado para São Paulo, os músicos da The Dust Road foram selecionados para tocar no Grito Rock Berlin, na Alemanha, sinal de que a aposta em mudar para o Sudeste tem dado certo. “Estamos tentando de tudo, e aqui por São Paulo a movimentação é maior. Entretanto, o apoio de Manaus é muito importante”, ressaltou o vocalista e guitarrista, Cahê Paixão



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19/02/2013 às 08:58

O esforço conjunto de amigos, familiares e fãs pode realizar o sonho de mais uma banda amazonense. Popularmente conhecido como “vaquinha”, o crowdfunding, ou financiamento coletivo, vem ganhando cada vez mais adeptos. Artistas do mundo todo utilizam da ferramenta para angariar fundos para a realização de projetos que custam um pouco mais. No caso mais recente, a banda amazonense The Dust Road precisa viajar para a Alemanha, e conta com a ajuda do público para conseguir a meta de R$ 9 mil.

Depois de terem se mudado para São Paulo, os músicos da The Dust Road foram selecionados para tocar no Grito Rock Berlin, na Alemanha, sinal de que a aposta em mudar para o Sudeste tem dado certo. “Estamos tentando de tudo, e aqui por São Paulo a movimentação é maior. Entretanto, o apoio de Manaus é muito importante”, ressaltou o vocalista e guitarrista, Cahê Paixão.

Formada, ainda, pelo baterista Gil Santos, com Collins Freitas nos teclados e o baixista Léo Colega, a Dust Road precisa de fundos para comprar as passagens de ida e volta, já que a hospedagem e alimentação estão garantidas pela organização do festival. Entretanto, há uma pegadinha: a The Dust Road tem poucos dias para arrecadar a quantia, já que precisa embarcar no próximo dia 28 para o show no dia 3 de março. “Foi tudo em cima da hora, porque duas bandas desistiram, e tivemos que correr. Mas a oportunidade é muito boa para deixar passar assim”, completou o guitarrista.

A volta dos músicos será no dia 4 de março, visto que a The Dust Road tem uma agenda de shows para cumprir em São Paulo. “Vamos fazer um show emocionante, porque o som do Norte tem esse ‘feeling’. Nossas músicas são em inglês, então acho que o público vai se identificar e cantar com a gente”, disse, animado, Cahê.

Quem quiser colaborar com o grupo pode obter mais informações por meio do link http://on. fb.me/VrC2wm ou ir direto ao site “Vakinha” para doar: http:// bit.ly/VrCavy. O site é seguro, e as doações podem ser feitas por meio de boleto ou cartão de crédito, até o próximo dia 27.

A banda

Iniciada em 2005, a The Dust Road desbravou os melhores palcos e aplausos de Manaus. A banda, que começa a encontrar novas plateias Brasil afora, participou de diversos festivais em Roraima, Rondônia, Distrito Federal e São Paulo.O grupo acumula apresentações com artistas nacionais e internacionais, aos poucos prova que a competência pode levar uma banda de rock da improvável Manaus a qualquer outro palco.

Artistas sem patrocínio

Outras bandas amazonenses viveram a experiência de contar com a ajuda do próximo para viajar e divulgar o som feito aqui. Em 2005, quando o crowdfunding era conhecido apenas como “vaquinha” mesmo, a banda Zona Tribal foi convidada para tocar na Bienal de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), e teve de correr contra o tempo para conseguir dinheiro e comprar cinco passagens para viajar a São Paulo.

“Corremos atrás de patrocínio, tanto na iniciativa pública como na privada. Na verdade, o grande drama – não só dos artistas do Norte, mas da população em geral, é o valor alto dos bilhetes”, ressaltou o vocalista Mencius Melo. “Muitas vezes, a banda ou o artista é pego de surpresa com o convite. Aí chega uma hora em que a gente tem que correr atrás para viabilizar, e aqui é quase impossível conseguir patrocínio”, lamentou.

Melo ainda faz uma comparação. “A projeção que o Estado ganha é enorme quando um artista fora do eixo Rio-São Paula ganha destaque. Um exemplo aconteceu agora, no Carnaval. Muitos artistas do Pará estavam todos na Sapucaí, representando o Estado. Acredito que todos receberam apoio de todos as maneiras, quando começaram”, apontou.

Mais recentemente, a banda Os Tucumanus teve de juntar grana para participar do Brazilian Day, em Nova York. A meta do grupo era R$ 10 mil para custear as passagens e despesas de toda a banda. O crowdfunding do grupo daria algo em troca para os que participassem. Infelizmente, a meta não foi alcançada, mas o guitarrista Denilson Novo não lamenta. “O projeto não vingou, mas levamos em consideração que dedicamos pouco tempo a isso. Então, a verba arrecadada ficou disponível para os contribuintes possam investir em outros projetos, ou retirá-la de volta”, explicou. “A ajuda dos fãs se deu mesmo com a feijoada que fizemos”, completou.

Apesar de não ter obtido êxito na primeira tentativa, Novo garante que a banda não dispensa a utilização da ferramenta no futuro. “Esperamos não precisar disso e poder levantar o caixa da banda por meio de shows e da venda de produtos em que pretendemos investir nesse ano, mas caso algo surja e nos surpreenda novamente com a necessidade de uma verba de que não dispomos certamente é uma ferramenta que auxilia muito”, ressaltou. Para ele, o financiamento  coletivo é mais “uma plataforma que pode contribuir para bons projetos e abrir um leque de possibilidades para quem acredita neles”. “É mais uma forma de quebrarmos barreiras em busca de valorizar a cultura que tantas vezes é deixada de lado pelo poder público e iniciativas privadas no Brasil”, finalizou.

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