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Bares de Manaus são tombados como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado

O projeto de Saraiva transformou em Patrimônio Cultural Imaterial do Estado ícones do circuito boêmio da cidade: o Bar do Armando, o Jangadeiro Bar e o Caldeira 20/08/2015 às 14:13
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O projeto de Saraiva também transformou em Patrimônio Cultural Imaterial do Estado outros dois ícones do circuito boêmio da cidade: o Bar do Armando e o Jangadeiro Bar
JONY CLAY BORGES Manaus (AM)

O nome original do estabelecimento na esquina das ruas José Clemente e Lobo D’Almada era Mercearia Nossa Senhora dos Milagres. Mas, após a explosão de uma caldeira da Santa Casa de Misericórdia justo naquele ponto, em 1970, o lugar ficou associado ao acidente e começou a ser chamado pelo nome como é conhecido nos dias atuais: Bar Caldeira.

Hoje, a partir das 19h, o bar do Centro celebra sua tradição e sua história com a inauguração de uma placa memorial registrando seu tombamento como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado.

“Para nós, esse reconhecimento foi muito bom, pois a partir do momento em que uma instituição é tombada, ela fica para sempre, você não pode mais mexer. Isso transformou o bar verdadeiramente num bar imortal”, assinala Carbajal Gomes, que há três anos administra o bar, inaugurado em 1963, e faz questão de manter viva a tradição do local. “Divulgamos bastante a história do Caldeira, as presenças importantes em sua história, como a de Vinicius de Moraes”.

A solenidade de inauguração da placa comemorativa será celebrada à moda do Caldeira, com shows de grupos de samba, entre eles o Fino do Samba.

A Velha Guarda do bar também marcará presença na festa, com direito a jantar especial na casa. “Isso para eles é bom: ver o ambiente que eles frequentaram há 40, 50 anos atrás, tombado como patrimônio”, destaca Gomes.

O descerramento terá ainda a presença de Bosco Saraiva, autor do projeto que propôs o tombamento do Caldeira.

A falta de preservação do patrimônio histórico do Estado é uma das grandes inquietações do deputado estadual.

“Este é um legado que quero deixar, de coisas efetivamente materializadas. Tenho muita preocupação com o arcabouço da história física da nossa cidade. Até hoje lamento a derrubada do Cine-Theatro Guarany, e toda vez me dói ver os antigos casarões da Joaquim Nabuco abandonados”, declara.

Tradicionais

Além do Caldeira, o projeto de Saraiva também transformou em Patrimônio Cultural Imaterial do Estado outros dois ícones do circuito boêmio da cidade: o Bar do Armando e o Jangadeiro Bar. Os dois estabelecimentos deverão receber placas memoriais com o registro do tombamento na próxima semana, em datas ainda a serem definidas.

Para Ana Cláudia Soeiro Soares, atual proprietária do Bar do Armando, a iniciativa ajuda a inscrever o local para sempre no cenário cultural.

“É fantástico, pois é uma forma de imortalizar o bar. Agora o Bar do Armando está tombado, imortalizado na cultura do Amazonas”, declara ela, à frente da casa desde a morte do pai, Armando Soares, em 2012. O famoso lusitano cuidou por décadas do bar, tradicional reduto de intelectuais e boêmios de Manaus que já soma 63 anos de fundação.

“Poucos comércios em Manaus têm esse tempo de vida, e isso é um diferencial do bar, além da história que tem na cidade de Manaus”, aponta Ana Cláudia. A filha de Armando vê o tombamento também como a concretização de um sonho de muitos anos. “Isso era uma vontade antiga minha, que surgiu com a ideia do tombamento da Banda da Bica, a exemplo do que aconteceu com a Banda de Ipanema, no Rio de Janeiro”, diz. “Fiquei muito feliz, quase explodi no dia em que soube da notícia”.

Quem também ficou exultante com a iniciativa foi Maria de Fátima Costa, atual proprietária do Jangadeiro Bar. Antes de assumir o bar, ela trabalhou ali por décadas ao lado do marido, João Fernando Neves, que herdou o negócio de Álvaro Neves e Alfredo Rodrigues Maia, fundadores do bar aberto em 1948.

“Ainda lembro do seu Alfredo dizendo, ‘Minha filha, nunca deixe fechar essas portas, pois isso aqui é um patrimônio’. Agora o bar é mesmo um patrimônio, e estou muito agradecida e feliz por essa realização”, declara ela.

Fátima gerencia o Jangadeiro ao lado do filho, Rafael Vila Cova, desde a morte do marido, em 2005.

De lá para cá, ainda faz questão de manter as tradições da casa situada na rua Marquês de Santa Cruz: “Nossa tradição maior aqui é o sanduíche de pernil, além da cerveja bem gelada para acompanhar o sanduíche”.

Blog Bosco Saraiva, Dep. Estadual e Presidente da Comissão de Cultura da Aleam

Esses locais que são marcantes da cidade precisam efetivamente ser perpetuados. Não podemos descuidar da memória de Manaus. A transformação em bens culturais imateriais do Estado é positiva no sentido de renovar a memória desses bares tradicionais, a mantê-la viva e conhecida pelas pessoas, a institucionalizar essa memória. Somos campeões em destruir a memória e a História da cidade. Na medida em que essa minha curta passagem pela presidência da Comissão de Cultura permitir, quero deixar um legado com iniciativas dessa natureza

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