Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020
Vida

Barriga negativa: nem todas as mulheres podem alcançar

O modismo, que também pode causar prejuízos à saúde e transtornos alimentares, ganhou maior repercussão depois que a modelo sul-africana Candice Swanepoel postou uma foto em seu Instagram destacando esse peculiar detalhe anatômico



1.jpg Ossos mais proeminentes que a barriga dependem da estrutura óssea de cada indivíduo
23/04/2013 às 14:36

Antes era o tanquinho. Agora, a chamada barriga negativa. Mas se tornar o abdome rígido e com os músculos delineados (tanquinho) já é difícil, deixar os ossos do quadril mais proeminentes que a barriga, característica da mais nova e polêmica tendência fitness, pode ser uma missão impossível, garantem os especialistas consultados por A CRÍTICA.

Isso porque atingir tal ideal feminino, absurdo para uns mas desejo de muitas, depende das propensões físicas de cada corpo: a estrutura óssea de cada indívíduo pode permitir ou não um abdome com a silhueta invertida.

O modismo, que também pode causar prejuízos à saúde e transtornos alimentares, ganhou maior repercussão depois que a modelo sul-africana Candice Swanepoel postou uma foto em seu Instagram destacando esse peculiar detalhe anatômico.

“As pessoas olham a foto da modelo sul-africana e não conseguem atingir o perfil por causa da estrutura óssea. É o que chamamos de individualidade biológica”, diz o personal trainer Gabriel Moraes, da Companhia Athletica. A academia se antecipou à questão e recomenda aos seus alunos que evitem a barriga negativa como “meta”.

Fala de especialista

O endocrinologista Filippo Pedrinola, referência no Brasil em Medicina Integrativa e qualidade de vida, corrobora: “É um radicalismo, que busca um corpo inalcançável e acaba levando a comportamentos não-saudáveis”, diz ele.

“Tem gente que possui a barriga mais pra dentro, isso é genética. Cada um tem que lidar com sua natureza. Não se pode brigar com a genética, porque a pessoa vai acabar perdendo”, conclui o especialista, alertando também para os potenciais riscos à saúde.

“A busca por essa anatomia pode gerar vigorexia, que é o excesso de atividade física, a desnutrição e ainda transtornos alimentaers como a bulimia e anorexia”, alerta Pedrinola.

Avaliação física

A modelo precursora da barriga negativa, Candice Swanepoel, tem uma estrutura óssea que permite esse curioso detalhe da anatomia. “É preciso que cada indivíduo faça uma avaliação física, nutricional e médica para obter os melhores resultados dentro de seus padrões”, destaca Gabriel Moraes, da Cia Athletica.



Sarada e saudável

Para ficar com a barriguinha “sarada”, mas sem prejuízos à própria saúde, a orientação dos especilialistas é, claro, procurar auxílio médico, nutricional e fazer atividade física com acompanhamento profissional. Eles adiantam, porém, o que pode contribuir e prejudicar a meta de ter uma barriga definida.

“É preciso retirar os carboidratos de alto índice glicêmico, como os carboidratos refinados (farinhas, açúcar, álcool), pois se depositam na barriga, e fazer uma dieta que inclua os carboidratos integrais”, diz o doutor Filippo Pedrinola. Ele aconselha as carnes magras (peixes, frango sem pele e carne sem gordura visível) e atividades aeróbicas de 3 a 4 vezes por semana. Enfatizar exercícios na região abdominal e Pilates também são boas dicas.

Pontos


Barriga negativa é uma detalhe anatômico particular de algumas pessoas, caracterizadas em geral pelos ósseos da bacia proeminentes e um histórico de infância magra.

No entanto, a obtenção desse anseio estético feminino pode ser perigosa à saúde: além de potencialmente prejudicial à alimentação e à atividade física, a primeira pela escassez e a segunda pelo excesso.

É importante observar que pessoas com objetivos tão radicais podem ter cuidados para dois transtornos alimentares: a anorexia e a bulimia.

O mito “comer carboidrato à noite engorda” foi refutado pelo endocrinologista Filippo Pedrinola, para quem os carboidratos integrais de baixo índice glicêmico (arroz integral, macarrão) são “até bons de noite”, é claro, com a atividade física necessária para utilizar os nutrientes como energia.


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