Publicidade
Entretenimento
Vida

Bloco ‘Maria Vem Com As Outras’ mesclará folia aos direitos da mulher

O bloco é realizado desde 2011. O destaque desta edição é a exibição de uma marchinha de carnaval especialmente criada com a temática dos direitos da mulher 06/02/2013 às 18:59
Show 1
São esperados 3 mil brincantes para o bloco
Laynna Feitoza Manaus, AM

O público feminino terá uma voz de apoio específica no período de festas momescas. Trata-se da 3ª edição do bloco ‘Maria Vem Com As Outras’, cuja concentração acontecerá nesta sexta (08) às 15h, na Praça da Polícia, localizada na Avenida 7 de Setembro, bairro Centro, com percurso até a Praça da Saudade. O bloco é realizado pelo Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim) em parceria com os movimentos voltados para a categoria feminina, entre eles, a União Brasileira de Mulheres (UBM), Ong Maria Bonita, e a Liga Amazonense Contra o Câncer (LACC).

Segundo Antônia Baracho, uma das organizadoras do evento e membro da União Brasileira de Mulheres (UBM), o bloco defende os direitos da mulher, mas não é voltado apenas para o público feminino.  

“Queremos conscientizar a população, não só ao público feminino, mas ao masculino, jovens, e crianças acerca dos direitos da mulher. Atualmente a mulher ainda sofre muito preconceito, seja por mostrar o seu corpo, ou pelo livre arbítrio de agir. A violência doméstica está aí em graus elevadíssimos. A ideia central é tornar o carnaval não apenas feito de diversão, mas mesclando a diversão à conscientização”, pontuou Baracho.

Marchinha de direito às mulheres e abadá personalizado

O bloco é realizado anualmente, desde 2011. Na primeira edição, reuniu cerca de mil pessoas. Na segunda edição, aproximadamente duas mil foram apoiar a causa. Para a terceira edição, a expectativa de público gira em torno de três mil brincantes. O destaque desta edição é a exibição de uma marchinha de carnaval especialmente criada com a temática dos direitos da mulher, de acordo com a organizadora. A marchinha foi composta pela representante feminina Leila Dorotéia.

“A letra da marchinha fala sobre as conquistas das mulheres em relação à sociedade. A mulher, até hoje, sofre preconceito em relação à conquista de espaço dentro do Legislativo em relação aos homens, por exemplo. Há também a questão da Lei Maria da Penha, que consta também na marchinha. A Maria da Penha é uma mulher que está aí para contar sua história, e que por duas vezes consecutivas sofreu tentativa de assassinato por parte do seu marido”, recordou Antonia.


Também integrando o rol de destaques, o bloco possuirá um abadá personalizado com cores fortes e a arte inspirada no símbolo da mulher. “O abadá simboliza o crescimento da luta das mulheres e a efetivação feminina na sociedade. A arte possui imagens de mulheres de todas as etnias. Uns serão disponibilizados nas cores verde-limão, outros amarelos e laranjas”, contou Isis Tavares, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim).

Após o término do trajeto do trio pelas ruas do Centro, a parada na Praça da Saudade terá um momento reservado aos discursos de mulheres dispostas a defender e a contar as suas histórias. “Queremos mostrar que as mulheres merecem respeito tanto na opção sexual quanto nos espaços profissionais. Não temos nada no estado e no município que ampare diretamente a mulher”, levantou Baracho.

Violência contra as mulheres atinge metade da população, diz presidente do Cedim

De acordo com Isis Tavares, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim), extraoficialmente, não há dados que afirmem o aumento da violência contra a mulher no AM, o que não significa que a referida violência tenha reduzido.

“A deputada Jô Moraes (PCdoB/MG) esteve aqui em Manaus para ouvir a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da violência, concluir o relatório, e apresentá-lo ao Senado e à Câmara. No relatório, é feito um diagnóstico dos problemas que já rondam as mulheres e ele pontua algumas indicações. Uma delas é que precisamos de um órgão específico para lidar com e garantir os direitos da mulher”, ponderou Isis.

De acordo com a presidente do Cedim, a violência contra as mulheres atinge metade da população, por conta do índice expressivo de mulheres na sociedade. Ainda segundo ela, o governador Omar Aziz afirmou que irá criar uma Coordenadoria da Mulher. “É importante porque só a Secretaria de Segurança Pública (SSP) não vai dar conta da demanda completa. Entre as secretarias que já ajudam bastante estão a Secretaria de Justiça e a Secretaria de Assistência Social”, explicou Tavares.

“Manaus é a segunda capital com maior índice de violência contra as mulheres, seja no campo sexual, moral ou profissional, e queremos chamar a atenção para o público feminino. Não queremos falar apenas com as mulheres, e sim com a sociedade em geral. Queremos um mundo sem violência”, concluiu a presidente.

Publicidade
Publicidade