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Blog de viagem reúne dicas de destinos do Brasil e do exterior para público gay

Há dois meses no ar, o blog Viaja Bi! reúne lugares onde o público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) é bem vindo 04/01/2015 às 10:29
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Amanda e Eloah fazem parte do quarteto de blogueiros/viajantes que ajudam a fazer a página
Natália Caplan ---

Quer conhecer um lugar diferente, “gay-friendly” — local onde o público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) é bem vindo —, sem gastar muito? É só acessar o blog Viaja, Bi! Criada há pouco mais de dois meses, a página dá dicas de viagens nacionais e internacionais de forma divertida, prática e irreverente.

“A ideia é justamente focar em viagens, mostrando lugares que aceitam a diversidade, onde você será bem recebido, que não tem camas separadas ou preconceito”, diz o idealizador, Rafael Leick, 29. “Somos gays viajando, que olham o mundo e compartilham as experiências para disponibilizar informações sobre a cena gay”, completa.

O blogueiro tem a ajuda de mais três amigos — Fábio Pastorello, 41, Amanda Fernandes, 30, e Eloah Cristina, 28 —, que escrevem sobre opções de cultura e entretenimento. Segundo o publicitário, o projeto começou a ser concebido em 2013, justamente pela falta de alternativas na Internet – que até existem, mas têm roteiros focados em sexo e “pegação”.

Proposta dos blogueiros do Viaja, Bi! é falar de lugares e roteiros do Brasil e do resto do mundo de forma alegre e irreverente, com destaque para os locais gay-friendly

“É uma necessidade, porque era muito difícil encontrar informações sobre a cena gay de cada cidade, sem ser em sites voltados ao sexo. Queria algo concreto e certo, ter um site de referência para o público gay”, declara Leick, ao ressaltar o sucesso. “Sabíamos que ia dar certo, pela demanda, mas a repercussão foi muito surpreendente”, enfatiza.

Com mais de mil curtidas no Facebook, o “Viaja, bi!” sugere destinos divertidos, familiares e românticos, mas também revela onde os integrantes do blog lidaram com algum tipo de hostilidade. “Assim, nossos leitores podem ter consciência”, afirma, ao citar que a maioria dos lugares, porém, é ótima para visitar. “Mas, geralmente, somos bem recebidos”, enfatiza.

O publicitário apontou preferências pessoais e já disponíveis detalhadamente no blog: “Londres tem a balada ‘Heaven’, com um show de calouros. Berlim e Grécia também são receptivos. Em Buenos Aires, tem o Inside RestoBar, onde você diz se quer ‘pimenta’ com o jantar. Se, sim, eles brincam de te abraçar e fazer carinhos para descontrair”.

Extremos

O fotógrafo Fábio Pastorello conhece 21 países e 18 Estados do Brasil e gosta de compartilhar essa vivência no blog. “É bom trazer nossas experiências, mostrar os destinos mais receptivos aos gays, onde vamos aproveitar, sem se sentir desconfortável. Viajo sempre com o meu namorado e é bom circular sem ter nenhum receio ou preocupação nesse sentido”, diz.

Ele, inclusive, publicou recentemente no Viaja, Bi! uma série de dicas para quem quer curtir as férias neste novo ano. “São viagens que fiz em 2014, curti muito e senti bastante receptividade: Rio de Janeiro, Florianópolis, Bonito (MS) e alguns lugares da Europa. Alguns não são especificamente gays, mas bem simpatizantes”, enfatiza.

Além de indicar ao público LGBT uma parada na rua Farme de Amoedo, na capital carioca, e na Zona Rosa, na Cidade do México — ambas com variedade de bares e restaurantes bem receptivos —, ele também prepara um post especial sobre as melhores edições da Parada Gay no Brasil e no exterior, que será publicado até o fim deste mês.

“São algumas paradas a que fui pelo mundo. Gostei muito de Londres e de Nova York, que é impressionante pelo tamanho. Tem muitas pessoas desfilando, separadas por organizações, categorias profissionais (bombeiros, políticos, entre outros). A gente ficou cerca de duas horas assistindo e continuava passando gente”, lembra.

Porém, assim como existem alternativas badaladas e que não podem ficar fora do roteiro turístico, há lugares em que ser homossexual pode dar cadeia. “Tem a Rússia, alguns países na América Central, na Ásia... Não sabemos se existe hostilidade, mas a questão é a lei do lugar. Vamos escrever um post só sobre isso”, afirma.

A vez delas

Casadas há mais de um ano, Eloah Cristina e Amanda Fernandes dedicam-se à vida de blogueiras e à fotografia. Assim, perderam as contas de quantas viagens fizeram e adoram compartilhar as aventuras no Viaja, Bi!. e a gastronomia — com roteiros também — no Marola com Carambola.

“Largamos tudo pelos blogs para podermos viajar a hora que quiser. Às vezes, até esquecemos de ‘curtir’ o passeio, porque ficamos anotando tudo, concentradas em fazer fotos e captar o que tem de melhor para escrever depois”, declara a primeira aos risos.

Se por um lado a webdesigner não consegue contabilizar os lugares visitados, por outro, não pensa duas vezes em sugestões para dar aos leitores. “O lugar que a gente mais indica é Cancun. Você encontra de tudo, tem pessoas de todas as nacionalidades e é superacolhedor. Às vezes, sai mais barato que viajar para o Nordeste”, ressalta.

De acordo com Eloah, o segredo para garantir um passeio sem “apertos” é pesquisar antes. O selo “gay-friendly”, porém, nem sempre é certeza de boa receptividade. “Fomos a um hotel em Porto de Galinhas (PE) para a nossa lua-de-mel e avisamos antes. Mesmo assim, a recepcionista insistiu em camas de solteiro e, no fim, a camareira só juntou”, lembra.

Já Amanda lembrou o constrangimento de um casal de amigas que foram para o Egito e nem puderam chegar perto uma da outra. “É uma questão cultural. Antes de ser gay, eu sou uma pessoa normal. Cada tem uma personalidade”, enfatiza. “Acho importante ter sites desse tipo, porque a maioria é voltada ao público masculino e/ou gays solteiros”, completa.

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