Terça-feira, 21 de Janeiro de 2020
ENTREVISTA

Blogueira Denise Godinho reproduz receitas ‘escondidas’ em livros famosos

Criadora do blog "Capitu vem para o jantar", que acaba de virar livro, conta tudo sobre o projeto



b0117-13f.jpg A ideia surgiu enquanto Denise lia "Dom Casmurro", de Machado de Assis (Divulgação)
17/07/2017 às 13:14

Tudo começou quando Denise Godinho lia um dos maiores clássicos da literatura brasileira: “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. A certa altura da história, às vésperas de se confinar num seminário, o personagem Bentinho oferece uma cocada à sua amada Capitu, mas ela recusa, contrariada. A curiosidade fez Denise se perguntar por que o autor teria incluído esse doce no romance, e como a resposta teria que vir do próprio Machado, a leitora se satisfez em reproduzir as cocadas na cozinha da própria casa.

Foi assim que surgiu o blog “Capitu vem para o jantar”, no qual ela recria receitas “escondidas” em grandes obras da literatura, como o Bantha Milk de “Star Wars” ou as lembas élficas de “O Senhor dos Aneis”. Recentemente, o blog virou um livro homônimo publicado pela Verus Editora, do Grupo Editorial Record. Na obra, Denise não só ensina a preparar os quitutes literários como reúne curiosidades sobre as preferências gastronômicas de diversos escritores. 



Você começou a se aventurar na cozinha por conta do blog ou já tinha uma aproximação com a gastronomia antes dele? 

Foi por causa do blog. Aliás, o blog surgiu justamente porque eu queria aprender a cozinhar. Mas, me faltava uma motivação. Um dia, relendo “Dom Casmurro”, li a menção da cocada no livro e fiquei com muita vontade de comer o doce. E aí decidi me aventurar e improvisar uma cocada com o que tinha no armário. E isso me despertou. E se finalmente eu aprendesse a cozinhar as receitas citadas nos livros que eu gosto? Nascia “Capitu veio para o jantar”. 

Pode citar um livro em que a culinária tenha um papel de destaque? 

Nossas, há vários! “Como água para chocolate”, por exemplo, que é um livro que eu gosto muito, gira em torno da comida. A personagem principal cozinha muito bem e seus sentimentos interferem no preparo. Quando está muito feliz, ela faz a melhor comida do mundo, que apaixona a todos. Quando está triste, quem come sua comida passa por um surto e chora sem fim. Além disso, todo fim de capítulo contém uma receita.  

Alguma dessas iguarias chamou mais a sua atenção? Tem uma preferida? 

Gosto muito da cocada de “Dom Casmurro” por causa do apelo sentimental. Afinal, foi ela que me trouxe até aqui. Também adorei fazer o Boeuf Bourguignon de “Julie & Julia” e a Cerveja Amanteigada do Harry Potter.  

Você chegou a ler todos os livros que aparecem no blog ou alguns só te ajudam a ter ideias? 

Li todos os livros porque procuro entender o significado da comida para a trama. Acho que dessa forma fica mais legal aproveitar o livro de outra forma, com o viés da culinária. Além disso, as comidinhas citadas em tais obras muitas vezes dão um panorama social, cultural e histórico que ajuda a compreender aquele tempo da história.  

Como é seu processo de pesquisa para elaborar as receitas? 

Eu procuro fazer as receitas como elas seriam realmente no livro. Às vezes tenho sorte, pois alguns escritores são tão descritivos que praticamente passam a receita. Outras vezes alguns chegam mesmo até a passar a receita, como acontece com Jorge Amado. Em outros momentos, vou pelo contexto histórico. Como aquela receita era preparada naquela época? Ou naquele país? Quais os ingredientes usados, etc.?

Você interage bastante com o público? Eles  enviam sugestões? 

Já recebi inúmeras sugestões de leitores e pretendo preparar todas elas. Mas é que como tenho essa proposta de ler todos os livros antes, às vezes demora. Mas vou chegar lá! (risos)

Você também acabou ampliando o alcance do blog para os filmes? 

Ampliei. Mas não é o foco principal. Até porque a verdade é que há muitos filmes inspirados em livros, e muitas vezes as comidas aparecem nos dois formatos. Mas, por enquanto, o meu foco mesmo é a literatura.


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