Sábado, 24 de Agosto de 2019
CULTURA

Bois do Mocambo fazem espetáculo no segundo dia de festival; hoje tem mais

Touro Branco abre e o atual campeão, Espalha, finaliza a programação neste domingo (28)



moca_1_2A08287D-2DE5-41C5-BE30-B56074F53D6C.JPG Fotos: Euzivaldo Queiroz
28/07/2019 às 14:32

Os bois-bumbás Espalha Emoção e Touro Branco foram os grandes protagonistas do segundo dia do 16° Festival do Mocambo do Arari, na Zona Rural de Parintins, município distante 369 km de Manaus. As associações deram um grande espetáculo de cores, animação e de organização do seu conjunto folclórico, deixando um “gostinho de quero mais” para a noite deste domingo, a partir de 20h, quando voltam à arena do Mocambódromo encerrando o evento: o Touro Branco abre e o atual campeão, Espalha, finaliza a programação.

Na primeira noite o Espalha Emoção celebrou seus 20 anos de história – até mais antigo que o próprio Festival – no primeiro ato do tema “Vigésima Evolução”.

O Boi tratou do início da tradição de brincar de bumbá no Mocambo do Arari e relembrou figuras como Edivaldo Caldeira, o “Baruka", fundador do Espalha Emoção junto com outros brincantes que foram citados pelo apresentador Cardoso Jr., como Leandro Mendonça e irmãos Pimentel, entre outros.

Acredite se quiser: o primeiro nome do boi foi “Espalha Merda", já que brincadeira visava apenas ser cômica com paródias dos bois de Parintins.

Cardoso Jr. fez as “honras do Boi" abrindo os serviços e entrando junto com a ala de ritmistas chamada de Tamurada e seus membros, os famosos “tamureiros". Em seguida entrou em cena o talentoso levantador de toadas Edilson Santana, membro da ala musical do Boi Garantido. Ele só não foi melhor por conta de falhas no sistema de som – que também prejudicaram o boi adversário Touro Branco.

Edilson Santana concorreu no item Toada, Letra e Música com a canção “Visionários da Criação”, um dos hits do Boi neste ano.

O jovem e talentoso Raul Anjos representou Edivaldo “Baruka” e demais fundadores, e cantou a toada “Vinte Anos de Tradição” antes da Celebração Folclórica “Curumins do Mocambo”.

Bastante participativo, o apresentador Cardoso Jr. aproveitou para brincar de bola com os meninos que integravam a cênica (que também tinha pessoas trançando palhas e cipós).

O Boi Espalha Emoção entrou a pé, no chão e, em certo momento, o tripa Eledilson Ribeiro foi “revelado” para o público presente ao Mocambódromo, sendo ovacionado.

Em seu quinto ano no Espalha, o Amo do Boi, o compositor ex-Caprichoso e hoje Garantido, Adriano Aguiar, versou para a sua galera, para a torcida adversária e para os jurados, destacando-se, além da oratória, também por tocar violão durante a apresentação.

A Sinhazinha da Fazenda, Brena Souza, saiu de dentro da alegoria da celebração folclórica – a estrutura representou uma casa de madeira, habitação bastante comum em Mocambo do Arari.

Foi na alegoria da Figura Típica Regional “O Artesão do Mocambo” que Kelly Fonseca, a Rainha do Folclore, surgiu: foi dentro de uma das casas de cipós e palhas  numa evolução marcada graça e beleza.

A Vaqueirada veio nas cores dourada e branca com fitas cintilantes e trazendo na copa o desenho da cabeça de um boi e a letra “E", de Espalha. Parte dos vaqueiros veio com cavalinhos feitos de palha.

A evolução principal foi ao som da toada “Apoio dos Vaqueiros”. Eles ainda aproveitaram para fazer uma coreografia balançando as suas lanças para os lados.

 A porta-estandarte Thainara Miranda veio de pés no chão igual ao próprio Boi Espalha Emoção e evoluiu com desenvoltura.

A tribo indígena coreografada evoluiu sincronizada com imensos círculos representando trançados de palha, num dos destaques da apresentação de primeira noite do Espalha Emoção. Eles antecederam dois imensos tuxauas e uma alegoria em forma de um índio com os braços abertos.

Por trás dessa alegoria surgiu uma cobra gigante que conduziu a Cunhã-Poranga, Sassá Reis, representando a índia guerreira da tribo do Sol, Iacy, durante a encenação da Lenda Amazônica do Encontro do Sol com a Lua.

Já o Pajé fez sua coreografia comandando uma cênica onde outros índios obedeciam aos seus comandos.

O ritual Maraká trouxe uma gigantesca oca feita de palha, cascas de madeira e folhas, de onde saiu um colossal jacaré conduzindo em seu dorso o Pajé.

A torcida do Espalha Emoção foi um show à parte, interagindo a todo momento com bandeiras brancas e amarelas, pompons prateados, flores de papelão, decoração lembrando bambus formando o nome do tema (“Vigésima Evolução”) e até uma imensa cabeça de boi.

O Espalha concluiu a sua apresentação no primeiro dia com o tempo de 1h59min (1 minuto a menos que o máximo de 2 horas conforme consta no regulamento.

O vice-presidente do Espalha, Ricardo Gadelha, avaliou positivamente  o primeiro dia de apresentação.

“O Espalha Emoção veio bem tradicional e evoluiu bem na Arena. Nossos itens arrasaram e nosso boi evoluiu bem. Fomos 100% e neste domingo seremos mais 100%”, comentou ele.

Touro branco

Em seu espetáculo o Boi Touro Branco desenvolveu a primeira parte do tema “Chão de Bravos” contando a história da formação do povo brasileiro.

A apresentação iniciou de uma forma impressionante: o animador foi o garoto Pierre Cardoso, de apenas 10  anos de idade, que comandou a galera laranja e branca abrindo passagem para o performático apresentador oficial Leonardo Pantoja, que é compositor do Boi Caprichoso.

De voz bradante, o Levantador Oficial Gilson Matos começou sua participação em grande estilo cantando “Brasil de Nossa Gente”, um dos hits deste 16° Festival.

Nessa hora a Batucada já havia entrado na Arena  usando capuzes, lembrando a época dos colonizadores.

O boi começou sua apresentação alegórica pelo ritual Tupinambá, concebido pelo artista Oscar Souza,  com uma evolução magistral do pajé Djalma Cardoso.

A tribo coreografada exibiu uma cênica que arrancou muitos aplausos da galera laranja e branca: um integrante foi içado por um tronco de madeira e “voou" sobre as fileiras de outros indígenas.

O Amo do Boi Patrick Modesto, que é integrante da ala musical do Boi Garantido, lembrou, em seus versos, das matérias-primas palha e cipó e convidou as pessoas a conhecerem o Festival do Mocambo.

De uma alegoria em forma de casarão saiu a Sinhazinha da Fazenda, Flávia Oliveira. E veio a hora da chegada da estrela: o Touro Branco surgiu de uma das janelas do casarão.

A cênica do Auto do Boi foi suscinta e bastante auto-explicativo para quem nunca viu ao vivo: o Pai Francisco atira e mata o boi para cortar sua língua, a pedido do desejo de Mãe Catirina, entristecendo a Sinhazinha e enfurecendo o Amo do Boi. A salvação veio com o Pajé, ressuscitando o Touro Branco e voltando a fazer a galera laranja e branca feliz.

Na evolução, a Vaqueirada veio lembrando as cores verde e amarela do Brasil, com um símbolo lateral no formato da bandeira nacional próximo à copa da lança – que tinha garças, barcos e casas em miniatura, num claro clamor ecológico.

A cantora Paula Gomes emocionou o Mocambódromo ao apresentar a música “Canto das Três Raças”, canção imortalizada e de autoria da grande artista já falecida Clara Nunes, a “Sabiá”.

A Rainha do Folclore, Alciele Ferreira, mostrou uma animação contagiante que foi transmitida para a sua galera.

A Figura Típica Regional retratada em alegoria foi “O Seringueiro da Amazônia”: nela estavam, além do próprio homenageado, também demonstrada a produção da borracha a partir da extração do látex direto da árvore. Uma surpresa: de um barco denominado “Bravos"  apareceu a porta-estandarte.

Em seguida, a estrutura denominada “Árvore da Vida” foi montada na Arena e, de dentro dela, um ser verde foi transportado para o  centro do Mocambódromo, andando, balançando pernas  e braços e tendo os olhos iluminados. Nesse momento apareceu a cunhã-poranga Caroline Barro, com toda a sua simpatia e graciosidade junto à galera laranja e branca.

Grandiosas, a dupla de tuxauas originalidade estava bem luxuosa e com belos detalhes.

Atuante e sempre atento a todos os detalhes do Touro Branco, foi tocando tambor que o apresentador Leonardo Pantoja  chamou as tribos coreografadas. Aplausos e mais aplausos.

A galera laranja do Touro Branco estava quieta até começar a hora do seu boi. A partir do momento que era “pra valer", eles começaram a desfraldar as suas bandeiras em cores laranja e verde, mais pompons brancos e prateados e bandeiras com a cabeça do Boi com a estrela na testa.

A Lgtorcida fez até uma coreografia lembrando o fenômeno amazônico da pororoca.

O boi encerrou sua apresentação com uma grande apoteose, reunindo seus itens oficiais e cravando o tempo de 1h55.

O Amo do Boi Touro Branco,  salientou que tudo ocorreu de acordo com direção, comissão de Arte e setor musical e que a expectativa é fazer ainda melhor neste domingo.

“Foi tudo dentro do planejado. É isso: brincamos de boi e vamos buscar o título. Neste domingo queremos fazer um espetáculo ainda mais bonito e com êxito. É isso que a galera laranja e branca espera”, analisa Patrick Modesto.

PROGRAMAÇÃO DE DOMINGO:

Tempo mínimo. 90. Minutos, máximo 120 minutos.

1º Boi Bumba: Touro Branco – 20h às 22h

Intervalo 30 minutos

2º Boi Bumba: Espalha Emoção – 22h30 às 0h30

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