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Brasileiras não ousam em cor nem corte de cabelo, dizem hair stylists

Mauro Freire fez a crítica nesta semana; em Manaus, há quem concorde com ele e milite na busca pela beleza natural de cada uma 17/07/2015 às 10:52
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Ana Paula Simões, do Amanda Beauty Center, diz não gostar de visuais estereotipados
Loyana Camelo Manaus (AM)

O hairstylist Mauro Freire, um dos mais conhecidos e respeitados do País, deu uma declaração polêmica essa semana à revista “Harper’s Bazaar”. Categórico, ele afirma que as mulheres brasileiras “estão todas iguais”: cabelos loiros de raiz escura, compridos, levemente ondulados à la Gisele Bündchen. Com isso, acabou levantando a questão da falta de criatividade quanto aos cortes e cores, atingindo em cheio quem já vai para o salão com a foto da celebridade com quem quer se parecer. A busca pela beleza real, adequada às particularidades de cada uma, está em baixa.

E não é apenas Freire que observa esse padrão. Em Manaus também há quem milite contra a maré, buscando convencer que a graça aflora naturalmente quando há harmonia entre a cor/corte e diversos elementos subjetivos, como a  personalidade, o tom da pele, o formato do rosto e muito mais. Com fios curtos e bicolores (preto e roxo), a hair stylist Ana Paula Simões (@nanasimoes20), do Amanda Beauty Center, parece já entregar de cara estar longe de se encaixar em algo definido como padrão. 

“A coisa mais difícil é uma cliente chegar no salão e perguntar: ‘O que você acha que ficaria bom em mim? Qual a sua opinião sobre a cor indicada para a minha pele, para  o meu dia a dia, para o meu trabalho?’. Isso quase não ocorre. A maioria já chega impondo, dizendo que quer, por exemplo, um tom de ruivo igual ao da Marina Ruy Barbosa. Isso é  um estereótipo. Como se fossem cópias, algo totalmente fabricado. Não é o que eu vendo”, explica.

A profissional comenta sobre a falta de ousadia da brasileira, ressaltada por Mauro Freire quando diz que reconhece o público feminino no exterior pelo cabelo. “O conceito de beleza fora do Brasil é ter o cabelo saudável, com mechas sutis para parecer o mais natural possível”. Num outro extremo, Ana Paula se diz encantada quando encontra uma cliente mais destemida. Principalmente se o desejo for colorir os fios com tons nada convencionais - aí a identificação é imediata.

“Essa é minha paixão maior! Porque sei que as mulheres em busca desse tipo de cabelo querem ser elas. Querem algo único, só delas”, frisa.

Vanguardista

De forma bem parecida pensa Cecy Procópio,  hair stylist membro da Hauté Coiffure Française (HCF), associação internacional que reúne cabeleireiros de todo o Mundo. Sua postura vanguardista é conhecida na cena amazonense, e por vezes, é até de certa forma mal interpretada. Mais uma vez, isto tem a ver com a falta de audácia da brasileira.

“Há muito tempo, fui taxada de não gostar de loira de cabelo liso. Não é isso. Você viaja, conhece novas técnicas e claro, quer introduzi-las nas pessoas. Mas elas não se permitem nem experimentar. Querem apenas  o que está na moda”, atesta. Ano passado, inclusive” Cecy esteve em Paris e participou do show de tendências internacionais da HCF. Seu perfil não teria como ser diferente.

Ir contra o desejo da cliente mais teimosa pode ser, no entanto, um tanto complicado. Para Ana Paula Simões, é importante ter uma conversa franca com a cliente e explicar todas as implicações da má escolha. Caso não vislumbre uma mudança de ideia, a hair stylist não vai contra suas concepções. “Por vezes indico  outro profissional”, fala.

Cecy Procópio também prefere não forçar a barra. “Tem alguns trabalhos que não realizo. Nunca fiz, por exemplo, defrisagem e não faço o loiro platinado. Danificam muito o fio. Se o cabelo da pessoa recebe esse processo e ela quer Fazer, até tento. Mas se for feito  o diagnóstico no fio e vejo que ele não resiste, não faço. Pela saúde do cabelo”.

Busca rápida

Livro em breve: Cecy Procópio se prepara para ainda este ano lançar o livro “Simplesmente pessoas”. Neste, a hair stylist catalogou fotos de transformações capilares de clientes entre 2003 e 2014, acompanhadas do depoimento de cada um. O objetivo é mostrar como uma mudança de look pode mudar a vida de uma pessoa.

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