Artes visuais

Brasiliense se inspira no guaraná para compor suas pinturas

A artista Juliana Lama, que tem suas obras espalhadas por alguns lugares do Brasil, também pinta imagens de criaturas da Amazônia

Gabrielly Gentil
28/12/2021 às 19:57.
Atualizado em 08/03/2022 às 19:01

(Pintura sobre a cabanagem, do projeto ‘Tumultos’ (Foto: Divulgação))

A artista visual Juliana Lama é brasiliense, mas têm muito em comum com o Estado do Amazonas. Uma das marcas registradas de suas obras é o guaraná, uma fruta típica da Amazônia. Há dois anos, a artista veio visitar a família paterna que mora em Manaus, como de costume. Mas, desta vez, um primo contou a ela a história mawé do guaraná, e o fruto virou parte de seus trabalhos, que atualmente estão expostos nas ruas, tanto em graffiti quanto em lambe-lambe.

“Meu pai é daqui [Manaus], tenho um bocado de família aqui, cresci vindo visitar e passando temporadas, sempre gostei muito daqui. Os guaranás apareceram no meu trabalho depois de ter contato com a história mawé do guaraná que ouvi de um primo, e acabou virando parte de vários trabalhos”, enfatiza Lama.

Retratos

A artista revelou que gosta muito de pintar retratos, e chamou atenção para um deles, baseado numa pesquisa de fotos tiradas na Amazônia no século XIX. “Sabemos que várias dessas fotos foram tiradas por pessoas de fora daqui, com olhar colonizador. Alguns olhares das fotos são incômodos. Eu pintei na intenção de intensificar a presença das pessoas retratadas, olhar como sujeitos agentes”, destaca ela.

As amigas e o guaraná também foram inspirações para Juliana, principalmente durante esse período de pandemia. “As outras [pinturas] com guaranás são amigas. Pandemia tá sofrida demais, estamos vivendo um luto coletivo, desmantelo de instituições, crise, notícia ruim, uma atrás da outra; precisava respirar alguns sorrisos, na energia, na força do guaraná (risos)”, brinca Lama, se referindo ao guaraná, considerado um energético natural.

A “Máscara”, pintura na qual Juliana classifica como uma criação de ente guerreiro, que mistura forças de diferentes criaturas como onça, cobra grande e o guaraná, estão presentes em mais de uma obra da artista: em quadros e lambes nas ruas.

A arte e a ruaJuliana nunca expôs as obras citadas em galerias, e no momento não tem exposição marcada. No entanto, como já citado, suas artes estão espalhadas pelas ruas de alguns lugares do Brasil. “Gosto muito de trabalhar na rua”, afirma. Ela relembra, inclusive, que pintou uma parede em Florianópolis, na qual um menino pequeno reconheceu serem guaranás. A artista declara, ainda, que tem interesse em fazer uma exposição com as novas pinturas. “É sempre bom ter mais possibilidades de mostrar o trabalho”, completa ela.

Poesia e imagem

A parede mais recente que Juliana pintou fica em Taguatinga (DF), e é parte de um projeto chamado “Tumultos”, que estuda insurreições na América Latina no século XIX. A pintura é sobre a cabanagem, e mistura poesia e imagem. “Os versos são de um amigo, Dudu; ele faz parte do projeto ‘Tumultos’ comigo. A ideia é misturar poesia e imagem contando histórias dessas insurreições”, destaca ela.

A artista visual está passando mais uma temporada em Manaus, e apesar de ainda não ter pintado durante esse tempo por aqui, revelou que já recebeu um convite e pretende aceitar. No Instagram @julianalama é possível acompanhar os trabalhos da artista: suas pinturas e projetos.

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