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Cabaré chinelo

Cabaré vai virar centro de artes

Prédio, que será restaurado, foi cenário do apogeu da borracha no Amazonas e lembra a saga de sofrimento de um povo 01/09/2013 às 17:16
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Localizado na rua Bernardo Ramos, prédio abrigou prostíbulo de luxo no tempo do Hotel Cassina, com as 'polacas', 'coiotes' e 'francesinhas'. Decadência chegou e ele virou o Cabaré Chinelo
Ana Celia Ossame Manaus

O guardador de carros Antônio Monteiro, 49, ainda conheceu o piso de itaúba preta do Cabaré Chinelo, polido com estearina, substância usada para produção de velas e capaz de fazer deslizar suavemente os sapatos dos casais dançarinos. Era criança quando começou a trabalhar na rua do prédio que já perdera o status de Hotel Cassina, local onde os chamados barões da borracha costumavam gastar seus muitos cruzeiros, nome do dinheiro da época, ganhos ao custo do  sofrimento e mortes dos seringueiros que viviam nas matas para coletar o “ouro branco”.

Em ruínas há décadas, somente a estrutura forte erguida em 1899 mantém-se de pé. Mas se os dias de glória estão muito distantes, podem voltar de certa forma. O anúncio da inclusão de Manaus no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas e do prédio do antigo cabaré neste reacendeu a esperança de ver o belo edifício que só existe em fotografias restaurado. 

Situado na rua Bernardo Ramos, no Centro antigo da cidade, o local, segundo historiadores, foi um espaço de glamour  da prostituição na cidade recebendo as “cocotes”, “polacas”, “francesinhas” que faziam a alegria de muitos seringalistas, mas nunca foi frequentado pelos seringueiros,  os verdadeiros heróis responsáveis pela manutenção do luxo e riqueza dos seringalistas na cidade.

Centro de Arte

A proposta é transformá-lo em um Centro de Arte Popular. O prédio tem arcos abaulados e estilo eclético. Antônio disse ter conhecido o esplendor da construção intacta, com paredes de fibra de tacana e o piso do assoalho.  “Era muito bonito”, atesta. Ele conhecia o proprietário, o desembargador Benjamim do Couto Ramos. O prédio era pintado de vermelho e  foi invadido e assaltado várias vezes. Viu uma vez caixas de louças decoradas e outros objetos de luxo serem levados para um destino ignorado.

Entre as obras anunciadas pelo PAC Cidades Históricas para Manaus estão a requalificação urbanística da Praça XV de Novembro, restauração do Relógio Municipal (escadaria, trecho da Av. Eduardo Ribeiro, entre a av. 7 de Setembro e  Alfândega, requalificação urbanística da Praça Adalberto Vale, com obras de acessibilidade, iluminação, sinalização e paisagismo, restauração do Pavilhão Universal.

O entorno do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, a ser inaugurado no próximo dia 24 de outubro, também será alvo de recursos do programa, com a recuperação da pavimentação, acessibilidade, iluminação, sinalização, mobiliário urbano e paisagismo. O Iphan promete também a restauração do Casarão da Biblioteca Municipal, da Antiga Câmara Municipal, do Antigo edifício do Corpo de Bombeiros e a implantação da Pinacoteca Municipal. A reportagem entrou em contato com a assessoria do Iphan em Brasília para saber mais detalhes sobre as obras de requalificação, mas não obteve resposta ao e-mail encaminhado.


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