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Cabelo como escultura: hairstylist fala da arte sustentável do penteado conceitual

A hairstylist Cecy Procópio explica um pouco da técnica revolucionária de reaproveitamento de fios que faz cabelo virar obra de arte 12/10/2014 às 16:11
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A modelo Sara Vasconcelos posa, em ensaio exclusivo, com criações da hairstylist Cecy Procópio
Loyana Camelo Manaus (AM)

Logo cedo, a hairstylist Cecy Procópio entendeu que o cabelo era uma ótima matéria-prima para arte. Por isso, os muitos fios que caem todos os dias no chão do seu estúdio, ao invés de irem direto para o lixo, ganham formatos artísticos dignos das passarelas internacionais. Decerto, é por essa criatividade que Cecy tem o seu trabalho vanguardista reconhecido pela Haute Coiffure Française (HCF), da onde é uma das embaixadoras.

Apesar de propositalmente exagerados, seus penteados conceituais guardam em si uma sacada genial: as possibilidades infinitas derivadas da reutilização. Cecy guarda os fios, limpa e forma estruturas leves o suficiente para fazer qualquer penteado incrível. O reaproveitamento ela já fazia há um tempo, mas a técnica foi aperfeiçoada após uma viagem feita no início do ano para Paris.

Lá, a hairstylist teve a oportunidade de participar do show de tendências internacionais da HCF (que acontece no Carrossel do Louvre) e também entrou em contato com Laetitia Guenaou, diretora artística do instituto. “Quando eu precisava de enchimentos para um penteado com estrutura grandes, eu usava cabelo, mas tinha dificuldades porque não tinha a técnica da leveza. E quando tive o treinamento com a Laetitia foi maravilhoso - hoje trabalho de maneira bem mais fácil”, explica Cecy.

A hairstylist aproveita para desmistificar um pensamento bem enraizado no meio feminino: não é preciso ser escrava de um cabelo longo para poder fazer o penteado que se deseja. Com o manuseio correto e o enchimento da cor desejada, tudo é possível. 

Arte no dia a dia

Os penteados-conceito têm o exagero artístico exigido para as passarelas, mas Cecy Procópio alerta que essas ideias em verdade servem para estimular o hairstylist como artista e não algo para se usar no dia a dia.

Essa visão conceitual ajuda muito a profissional a conceber novas criações todos os dias, aumentando a gama de instrumentos para o seu trabalho. “Todo mundo é artista a partir do momento em que escolhe ser. Sempre gostei de cabelo, de cor, de forma e também percebi que gostava de fazer outras coisas voltadas para arte. Mas o meu pouco tempo não me dava condição. Quando me propus a ser cabeleireira, me perguntei, por que não juntar as duas coisas?”, relembra Cecy.

No ensaio para o JORNAL A CRÍTICA, fica claro o quanto a questão da arte e da consciência ambiental andam lado a lado no estúdio de Cecy. Ela reaproveita não só os fios que corta, mas também as sacolas que embalam as toalhas, os tubos de tinta e brinca com ousadia. A postura sustentável, ela diz, é sua contribuição obrigatória para o mundo.“Eu acho que busco fazer minha parte. E qualquer pessoa pode fazer isso, até dentro da sua própria casa, se ela pensar no meio ambiente. Assim, vamos ter um mundo melhor. Para algumas pessoas é difícil pensar que um cabeleireiro se preocupa com isso porque na nossa área a gente se preocupa muito com o luxo – o que eu acho maravilhoso - mas quero é aliar a beleza ao luxo, ao conceito, se preocupando com a natureza”, frisa.

Cecy faz questão de não levar o mérito pela criação da arte do reaproveitamento de fios, tanto  para os penteados conceitos e como para o dia a dia. Ela diz, no entanto, que faz questão de divulgar a técnica. “Meu momento é de mostrar, de contribuir e provar que por meio da arte você pode fazer várias coisas, o que quiser”, conclui.

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