Publicidade
Entretenimento
MÚSICA

Caldeirão glam e pop: banda Amazônia Hollywood ousa no visual e nas letras

Com dois singles lançados, projeto leva a assinatura do cantor Jonas Póvoa e do produtor Tomás Magno 26/03/2017 às 05:00 - Atualizado em 26/03/2017 às 17:26
Show am holly
Jonas Póvoa também é o autor das letras da banda (Divulgação)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Houve um tempo em que se exaltava a cordialidade do brasileiro, povo com vocação para a felicidade. Para o cantor e compositor niteroiense Jonas Póvoa, no entanto, essa conta não fecha mais. E isso aparece em “Boa noite Brasil”, primeiro single da nova banda dele, a Amazônia Hollywood: “Todo mundo ri no país mais feliz do planeta (...) Você que vai bancar a festa?”, diz a letra da música, disponível nas plataformas de streaming.

Com ironia nas palavras e um som que persegue uma clara verve pop, o novo projeto de Jonas chegou causando burburinho positivo. “Temos essa vontade de ser pop, de flertar com as coisas de vanguarda que estão rolando no mundo. Os grandes artistas populares fizeram essa tradução, enveloparam a vanguarda numa linguagem acessível”, diz.

A primeira investida dele na música remonta a 2011, quando formou a banda Wah Wah Joe com uns primos. “Temos uma tradição de rock clássico na família, assim como da música dos anos 80. Os letristas dessa época são uma grande referência para mim, como Cazuza, Lobão e Marina, por terem uma poesia mais urbana”, explica o artista, que também bebe nas muitas fontes de Caetano Veloso, Rita Lee e Gilberto Gil.

Depois de algumas faixas lançadas na Internet, a Wah Wah Joe acabou se dissolvendo, e Jonas só voltaria a se dedicar a um novo projeto musical a partir de 2014, depois de conhecer Tomás Magno (produtor da Amazônia Hollywood). “Conheci o Tomás por meio de colegas da banda Tereza, que também é de Niterói. Ele fez um trabalho muito transformador na banda, e isso me chamou a atenção”, relembra.

Os dois começaram a trabalhar juntos, e as idas e vindas resultaram na criação da Amazônia Hollywood, seguida do lançamento dos singles “Boa noite Brasil”, em janeiro deste ano, e “Cheetah”, disponibilizada há uma semana.

“Não somos uma banda com músicos fixos. Esse é um projeto de um cantor e letrista que se juntou com um produtor”, explica Jonas, que considera essa dinâmica ideal para a experimentação de sons novos. “Isso dá a mesma liberdade de uma carreira solo, mas mantendo o nome de banda”.

Referências

O nome de batismo do projeto, aliás, pouco tem a ver com alguma influência amazônica mais explícita no estilo da banda. Segundo Jonas, a escolha veio, sobretudo, como um apelo ao “exótico” – essa imagem que insiste em pairar nas representações sobre a Amazônia.

“Amazônia Hollywood é resultado de um exercício de combinações aleatórias de nomes. Fiz uma lista de grandezas conhecidas por todos, como montanhas, vulcões, sentimentos e oceanos, e fui tentando fazer misturas bem exóticas. Ao mesmo tempo, é um nome bem contrastante, da natureza com o artificial”, explica o cantor.

No visual, a banda é devedora da fase glam de David Bowie e também dos brazucas Rita Lee e Cauby Peixoto, niteroiense como Jonas: “Eles são referências nessa questão de você poder ser extravagante e ser várias personagens ao mesmo tempo. Há nisso um caráter político construído liricamente”.

Política

Artista pensando e falando sobre política, pode isso? Em tempos de ânimos acirrados e crises de todos os tipos, o artista que resolve se posicionar nem sempre é visto com bons olhos. Jonas Póvoa é um dos que não se esquivam do atual debate político, mas nem por isso cobra uma posição dos colegas.

“Acho que só quem é atingido por essa questão deve falar. Se o artista não se incomoda, não acho que seja necessário falar disso, ainda mais num período conturbado como esse. A gente adoece muito se envolvendo e opinando, porque é um jogo baixo e cada vez mais estarrecedor”, comenta o vocalista, que participou dos protestos de junho de 2013. “Para mim, os protestos foram esvaziados por um projeto de mídia que criou o personagem do Black bloc e colocou o povo contra o povo”.

Jonas afirma que o single “Boa noite Brasil” reflete um pouco dessas tensões. “Quando a banda começou, tivemos vontade de que a primeira música fosse sobre o fim do Brasil, mas um fim que é sempre um renascimento. A letra é uma alegoria do fim e do renascimento representada pelo Sol, algo que inclusive aparece na mitologia indígena”.

Publicidade
Publicidade