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FILME BRASILEIRO

Campanha nas redes traz filme premiado para o circuito de cinema de Manaus

"Era o Hotel Cambridge", que aborda o tema dos refugiados e do movimento dos sem-teto no Brasil, estreia nesta quinta-feira no Cinépolis Ponta Negra 30/05/2017 às 13:27
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Filme é dirigido por Eliane Caffé (Divulgação)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Depois de uma mobilização realizada nas redes sociais, o filme brasileiro “Era o Hotel Cambridge” enfim chegará ao circuito comercial de Manaus nesta quinta-feira, dia 1º de junho. Exibido em dezenas de festivais, onde conquistou alguns prêmios importantes, o longa-metragem da diretora Eliane Caffé ficará em cartaz no Cinépolis do Shopping Ponta Negra, inicialmente, até a próxima semana.

O filme mostra a difícil realidade de refugiados recém-chegados ao Brasil que, junto com trabalhadores sem-teto, ocupam um velho edifício abandonado na região central de São Paulo. Dentre os elementos que compõem esse drama está a tensão diária da ameaça de despejo, além de situações cômicas e do encontro de diferentes visões de mundo.

A produtora de lançamento Maria Nilda, da Aurora Filmes, explica que, a exemplo de outras cidades, o filme será exibido em Manaus graças a uma campanha via Facebook. “Essa movimentação é fruto de uma demanda sempre espontânea, porque muitas cidades não costumam receber todos os lançamentos. A ideia, então, é mobilizar pessoas e mostrar para a distribuidora que existe uma audiência interessada”.

No caso da capital amazonense, quem iniciou a campanha foi a produtora cultural Wanessa Leal, que ficou conhecendo “Era o hotel Cambridge” por meio de um texto da jornalista Eliane Brum. “Achei super interessante o modo como o filme conduziu o tema da ocupação pelo movimento de luta pela moradia. É uma obra que acaba sendo documentário, apesar do apelo ficcional, porque fala de um assunto atual, do descaso com essa luta, coisa que podemos ver em Manaus também”, lembra. 

Por e-mail, Wanessa entrou em contato com a produção do filme, e dessa troca de mensagens surgiu a proposta de criar uma campanha na Internet com o objetivo de promover a estreia em Manaus. “Aqui quase não chegam esses filmes de cunho mais político e social, o que na verdade é um problema de distribuição no Brasil inteiro. Por ser um tema de utilidade pública, essa iniciativa não deixa de ser o cumprimento do meu papel como cidadã, jornalista e produtora”, finaliza ela, que ainda negocia a vinda da diretora.

Zonza de conflito

A preparação de “Era o hotel Cambridge” levou dois anos e foi gerida por um coletivo que permitiu transformar todo o edifício, que é zona de conflito real, no set criativo da filmagem. Esse coletivo foi composto por quatro frentes principais: equipe de produção do filme; lideranças da Frente de Luta pela Moradia; grupo dos refugiados e núcleo de estudantes de arquitetura da Escola da Cidade. Por meio de oficinas dentro da ocupação foi que surgiu a matéria-prima para o aprimoramento do roteiro e da direção de arte. 

“Quando iniciamos a pesquisa, o tema do refúgio não estava com o destaque midiático de hoje. À medida que avançamos, uma sincronicidade de acontecimentos globais, ligados ao refúgio, se impôs e não nos abandonou mais”, explica Eliane Caffé, a mesma diretora de “Narradores de Javé” (2002) e “O sol do meio dia” (2009). 

“A ficção começou a ter respaldo da realidade de tal forma que, de repente, um grande número de refugiados estava de fato entrando nas ocupações espalhadas pelo centro de São Paulo. Então, fortaleceu-se a ideia de filmarmos imergindo no cotidiano real de um edifício ocupado”, completa Eliane, que vem se dedicando a descobrir o lugar da linguagem audiovisual em “zonas de conflitos reais”, tanto no contexto rural do Brasil como nos grandes centros urbanos.

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