Publicidade
Entretenimento
SAÚDE

Câncer de pele: Fiquem atentos aos 'sinais'

Detecção precoce é fundamental para sucesso do tratamento do melanoma, considerado o tipo mais agressivo 03/07/2017 às 10:22 - Atualizado em 03/07/2017 às 20:04
Show avalia  o
Todos devem observar sinais na pele e seguir a regra do ABCDE para encontrar mudanças suspeitas e relatar ao dermatologista
Natália Caplan São Paulo

Era apenas uma pinta. Mas se transformou em uma luta pela vida. Mãe de três filhos (de 10, 13 e 16 anos), Luciana Fiorin Gimenez, 42, descobriu o melanoma em 2012. De lá para cá, já enfrentou metástases em vários órgãos, duas cirurgias e levantou a bandeira para informar outras pessoas sobre a doença na campanha “Eu senti na pele”, do Instituto Melanoma Brasil. A dentista é apenas um entre os 5,5 mil casos de câncer de pele diagnosticados por ano no País.

“Era uma pinta que já existia em minha mama direita. Percebi um crescimento rápido e uma mudança de cor. Estranhei e fui ao dermatologista. O médico cauterizou e disse que ia cair em uma semana, mas não caiu e começou a coçar. Fiz a retirada com um cirurgião plástico e foi diagnosticado o melanoma. Nunca imaginamos que vai acontecer com a gente. Tantas incertezas, insegurança e o desconhecimento da doença...”, lembra.

Após a notícia, ela recebeu indicações de especialistas para iniciar o acompanhamento imediatamente. Por nove meses, Luciana recebeu tratamento e precisou ser submetida a uma cirurgia para a retirada de 29 linfonodos (gânglios linfáticos), dos quais cinco já haviam migrado para outras partes do corpo. Iniciou uma nova medicação imunoterápica, mas os efeitos colaterais a deixavam exausta.

“Era um tratamento de um ano, mas no segundo mês eu não consegui terminar, porque me deu arritmia. Passou um tempo e fui para a radioterapia. Apareceram metástases no fígado e começou a espalhar muito rápido: baço, alguns ossos, ovário... Iniciei outra imunoterapia e vi que as metástases continuaram aumentando. Depois, o oncologista me colocou na bioquimioterapia. Essa foi difícil para mim. Foram dias terríveis”, conta.

 ‘Um dia de cada vez’

Era uma semana de internação sozinha, na UTI, e duas semanas em casa para se recuperar dos efeitos colaterais. Com mais uma etapa finalizada, a dentista comemorou a melhora no abdômen. Porém, no exame de crânio, massas malignas no cérebro foram detectadas. A batalha continuou, desta vez, com um remédio via oral, que só iria surtir efeito por cerca de sete meses, segundo o especialista.

“O oncologista disse que tinha uma medicação nova. Deu tudo certo e me sentia super bem. Vivo um dia de cada vez e voltei a fazer o que eu sempre quis: trabalhar e cuidar dos meus filhos”, diz, ao ressaltar a importância de observar qualquer sinal suspeito na pele. “As pessoas precisam saber da gravidade do melanoma, pois a chance de causar metástases em outros órgãos é grande. Por isso, a prevenção e a detecção precoces são muito importantes”, finaliza.

BLOG Rebecca Montanheiro, presidente e fundadora do Melanoma Brasil - Grupo de Apoio e Acolhimento de Pacientes

“Descobri o melanoma em dezembro de 2013, por um incômodo estético de uma pinta que começou a mudar muito. Tenho outras pintas no corpo e, como todo mundo, eu sempre achei ‘é só uma pinta, se me incomodar, eu tiro’. Quando fui fazer a retirada, recebi o diagnóstico. É o câncer mais agressivo de pele e eu não sabia o que era. Foi um susto. Graças a Deus, não tive comprometimentos maiores em outros órgãos, porque recebi um diagnóstico precoce. Isso é super importante, porque aumenta as chances de cura em 90%. Essa falta de informação me levou a fazer esse trabalho: comunicar às pessoas o que é essa doença, com uma linguagem mais acessível.

TRÊS PERGUNTAS PARA Oncologista Rodrigo Munhoz, especialista em melanoma do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp)

Quem está mais suscetível ao câncer de pele?

Ainda que seja mais comum em pele clara, todo tipo de pele está sujeito ao desenvolvimento do melanoma. Isso tem associação a um dos principais fatores de risco que, naturalmente, é a exposição solar, principalmente durante a infância e adolescência, com efeitos na idade adulta.

Mesmo que o tom de pele seja escuro?

Quem está mais exposto aos raios ultravioletas, independentemente da cor da pele, tem um risco aumentado. Ainda que, proporcionalmente, esse risco seja maior para quem tem a pele mais clara. Mesmo com a pele mais escura, é preciso ter cuidado com a exposição ao sol.

Qual é seu conselho às pessoas?

Para o sucesso do tratamento, o diagnóstico precisa ser feito no momento oportuno. Essa vigilância constante da pele, independentemente de cor ou tom, é fundamental. Pintas com aspectos que chamem à atenção, devem ser investigadas e avaliadas por um dermatologista.

Prevenção

- Evitar os horários de pico de exposição solar, 10h às 16h;

- Sempre usar roupas barreira, roupas com proteção contra os raios UV, e protetor solar;

- Evitar atividades externas sem proteção;

Predisposição

- Pessoas de pele branca, com manchas ou pintas, quem se expõe ao sol sem proteção, ou que tenha histórico de câncer de pele na família; e idosos são mais propensos;

- Regiões do corpo predispostos em apresentar lesões: as que ficam mais expostas ao sol: rosto, cabeça e dorso das mãos.

SAIBA +

O melanoma, câncer decorrente do crescimento anormal dos melanócitos (células responsáveis pela produção de melanina, que dá a cor e pigmentação à epiderme) é o menos comum, porém, mais agressivo entre os cânceres de pele. A exposição solar em excesso e sem proteção, desde na infância, é um dos principais fatores que levam às pessoas a desenvolver algum tipo de câncer de pele. Aproximadamente 181 mil pessoas, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), desenvolveram o câncer de pele somente em 2016.

Descoberta

A Novartis anunciou os resultados de um estudo de Fase 2, mostrando um benefício de sobrevivência durável para  pacientes com melanoma metastático com mutação BRAF V600 tratados com a combinação de dabrafenibe + trametinibe. Os achados da análise de cinco anos do estudo representam o maior acompanhamento já feito de uma terapia combinada e foram apresentados na 53ª reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), em Chicago (EUA).

*A repórter viajou a convite da Novartis.

Publicidade
Publicidade