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Câncer infantil: diagnóstico precoce é principal arma no combate à doença

Amanhã, 15 de fevereiro, é celebrado o Dia Mundial de Luta contra o Câncer Infantil; atenção aos primeiros sinais da doença é grande bandeira do movimento 12/02/2016 às 17:56
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Câncer é hoje a doença que mais mata adolescentes e crianças de 1 a 19 anos no Brasil
Jony Clay Borges Manaus (AM)

O câncer é hoje a doença que mais mata adolescentes e crianças de 1 a 19 anos no Brasil. A cada ano, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 12 mil novos casos são registrados no País. Antecedendo o Dia Mundial de Luta contra o Câncer Infantil, celebrado amanhã, dia 15 de fevereiro, é importante lembrar que a doença tem cura, e que o diagnóstico e o tratamento precoces são as melhores armas para combatê-la.

A detecção precoce do câncer passa pela atenção a todas as mudanças na saúde da criança ou adolescente, em especial a sintomas como febre, palidez, manchas roxas sem relação com machucados, entre outras (veja lista nesta página).

“É importante notar esses sintomas e procurar um pediatra, que vai fazer o exame físico e, caso tenha suspeita, pedir outras avaliações para saber se se trata de câncer”, explica Socorro Sampaio, médica hematologista da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam).

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Tal como ocorre nos adultos, o câncer resulta do surgimento de células alteradas que começam a se reproduzir fora do controle do organismo. O tipo da doença varia de segundo o local de origem. Por exemplo, no caso da leucemia, câncer mais comum em crianças e adolescentes, o problema começa a se desenvolver na medula óssea, afetando a produção de células do sangue, como hemácias, leucócitos e plaquetas.

“A criança fica com anemia, palidez, cansa com facilidade, tem dor nas pernas”, exemplifica Socorro, citando ainda sinais como sangramentos e maior suscetibilidade a infecções entre os sintomas da leucemia.

O tratamento da doença é feito com a quimioterapia, às vezes associada à radioterapia. Transplantes também podem ser feitos no início ou durante a tratamento. Diversas avaliações são feitas no início e no decorrer do processo, classificando os pacientes em patamares de baixo até alto risco, a fim de ajustar a medicação à resposta individual.

O protocolo de tratamento da leucemia, que corresponde a padrões internacionais e é seguido no Hemoam – que hoje participa de ensaio clínico regional, com 26 crianças registradas dentre as 42 hoje em tratamento –, aumenta a efetividade e o sucesso da terapia. Para outros tipos de câncer, outros protocolos similares são aplicados.

Terapia e apoio
O tratamento da leucemia, segundo Socorro, dura cerca de dois anos e meio. Famílias humildes do interior, de outros Estados e até de outros países que vêm buscar diagnóstico e tratamento em Manaus contam com o auxílio do Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC). Hoje, quase 500 crianças e adolescentes estão cadastrados na instituição, que recebe pacientes da Hemoam e da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon).

O grupo oferece abrigo, alimentação e até transporte para elas e suas responsáveis nos períodos em que eles precisem ficar na cidade para exames ou tratamento. O terrível diagnóstico e a distância imposta pelo tratamento às vezes criam situações delicadas para as famílias. “É muito triste – qual a família que vai ficar feliz com um diagnóstico desse? E o mais triste ainda é que algumas têm de ficar na casa de apoio e deixar seus outros filhos em suas cidades”, comenta Joyce Monteiro, diretora assistencial do GACC.

Em situações como essa, o apoio da instituição ajuda a garantir o processo terapêutico. “Damos apoio porque é importante que elas não percam ou abandonem seu tratamento, seja por falta de onde ficar ou outro motivo. Em alguns casos até procuramos as famílias quando devem voltar”, explica a diretora.

O início do tratamento, segundo Socorro, pode ser árdua. “Os primeiros são os mais difíceis. A criança chora, porque não entende porque está passando por aquilo. Chora a mãe, choram até os profissionais de saúde às vezes”, conta a especialista. O processo, por outro lado, pode ser a garantia de um futuro sem traumas. “A primeira paciente que recebeu tratamento no Hemoam hoje tem quatro filhos e vive muito bem. Isso foi em 1987. Outros que já foram tratados hoje têm famílias, fizeram faculdade, mestrado. Têm uma vida praticamente normal”.

As chances de sucesso do tratamento estão diretamente ligadas à descoberta da doença o quanto antes, e por isso tanto Joyce quanto Socorro enfatizam a importância da atenção aos sintomas e do diagnóstico precoce.

“Quanto mais cedo, mais chances de tratamento dar certo”, assinala Joyce. “Quanto mais cedo o problema é detectado, maior é a chance de cura e consequentemente de se ter uma melhor qualidade de vida”, conclui Socorro.

Programa

A Fundação Hemoam deverá realizar este ano um programa para ampliação do diagnóstico precoce na capital e no interior do Estado. A iniciativa busca qualificar e capacitar profissionais da saúde pública no diagnóstico do câncer infantil em Manaus, Itacoatiara, Tefé e Coari. A ação será em parceria com o GACC, e também busca apoio do Instituto Ronald McDonald.

SAIBA MAIS

Doença: O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças causadas pela proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo.

Tipos: Os tipos mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam a medula óssea), os do sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático). Há ainda retinoblastoma (afeta a retina, no fundo do olho), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles), entre outros.

No Brasil: O câncer representa a primeira causa de morte (7% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, para todas as regiões do País.

Fique atento aos sinais e sintomas do câncer infantojuvenil:

. Perda de peso
. Palidez inexplicada
. Febre prolongada sem causa identificada
. Anemia inexplicável, às vezes com dores nos ossos
. Dor ou caroço nas pernas, em geral após história de trauma
. Manchas roxas ou sangramento no corpo mesmo sem um machucado
. Vômitos com dor de cabeça
. Diminuição da visão ou perda de equilíbrio
. Crescimento do olho, podendo estar acompanhado de mancha roxa na região
. Dores nos ossos e juntas, com ou sem inchaços
. Reflexo branco no olho (olho de gato)
. Caroço em qualquer parte do corpo, especialmente na barriga
. Ínguas de crescimento progressivo


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