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Cantora amazonense Anne Jezini embarca para a França para finalizar álbum de estreia

Intitulado ‘Mormaço’, o trabalho agrega as influências de diferentes culturas que estão na formação da artista, de ascendência judaica, portuguesa e amazônica 20/10/2014 às 11:20
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Anne Jezini embarca para a Europa acompanhada do produtor Rosivaldo Cordeiro
Laynna Feitoza Manaus (AM)

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A cantora amazonense Anne Jezini é a personificação de uma linguagem que dialoga com diversas misturas culturais: a moça judia, de sotaque levemente inclinado ao português, dotada de uma sonoridade moderna e com um leve tempero do som da região embarca no dia 5 de novembro rumo à França, onde fará a masterização e mixagem do seu primeiro álbum, intitulado provisoriamente de “Mormaço”. Previamente gravado e editado na Digital Verde Studios, em Manaus, o disco cruzará o oceano rumo à Davout Studios, gravadora que já foi palco do trabalho de artistas como Nina Simone, Ray Charles, Rihanna, Cesária Évora e que comportou inclusive a gravação da trilha sonora do filme “Star Wars”.

O primeiro álbum de Anne é fruto de uma parceria com o produtor e multi-instrumentista Rosivaldo Cordeiro, que na época da chamada “era de ouro” do Carrapicho trabalhou como músico contratado e produtor da banda, e acabou vivenciando a explosão viral do grupo na Europa. O disco que carregava o hit “Tic Tic Tac” foi gravado no mesmo estúdio que lapidará “Mormaço”, localizado em Paris. Rosivaldo e Anne se conheceram por meio do Movimento Pirão AM – do qual são membros. O produtor ficou responsável por assistenciar a construção de uma coletânea musical do projeto. Em meio ao planejamento das duas faixas de Anne no disco, eles descobriram uma compatibilidade musical inegável.

“Desde o início o projeto de Anne não se desenhou para o Amazonas. Ela vive uma vibe cosmopolita, completamente alternativa. Começamos a desenvolver o disco e a ouvir muito material, até porque eu tinha que entender quem era a Anne. Confesso que não entendia, porque a gente sempre pensa numa coisa muito brasileira. Tinha acabado de produzir o EP da Márcia Novo chamado ‘Tudo Novo’, com uma vibe muito tropical, quente e latina. É a primeira vez que pego um trabalho alternativo e psicodélico, com a oportunidade de revelar umas coisas mais ‘pink floydianas’ e experimentais. Uma das coisas que ela deixou bem claro para mim é ‘não tenha pena de ousar’”, coloca Rosivaldo.

O esboço do álbum de Jezini já impressiona pela exótica mescla de sons: quem o ouve pode identificar alguns elementos de trip-hop ancorados na bossa nova; violões que remetem ao samba de raiz; um toque de guitarrada da Amazônia; sons tribais que lembram o boi bumbá e chorinho mixado ao baião. E tudo embalado por um ramalhete de sintetizadores. Ainda segundo Cordeiro, outros gêneros continuam se encontrando no set de Anne. “Aconteceu de uma música migrar mais para uma linha jazzista, meio fox-trot. E depois, em outro dia, conseguimos transformá-la numa balada que seria apenas voz e violão. Depois a música virou uma balada rock gigante que experimentamos com o público no ‘Até o Tucupi’, e que teve uma grande aceitação”, pondera ele.

 
Ray Charles e Nina Simone já gravaram no Davout Studios, na França, onde Anne e Rosivaldo (na foto) finalizam o álbum (Reprodução)

A relação de Rosivaldo com a França inclinou o projeto de Anne ao Davout Studios, que, ao atestar a qualidade da amazonense, fez questão de abraçá-la. Na corrente de parcerias conquistadas pelo talento da moça estão também a do renomado engenheiro de áudio francês Jean Loup Morette, que já trabalhou com Cesária Évora e Ray Charles. Mesmo sem estar finalizado, o álbum já atraiu apoiadores de sua difusão na capital francesa e arredores: um destes nomes é do manager representante da Cendi Music na Europa, Álvaro Pignatari. “Assim que eu disse que tinha uma artista de determinado jeito, Álvaro ouviu e, ao ouvir, enlouqueceu: disse ‘cara, isso daqui tem tudo a ver com a França”, celebra Cordeiro.

Reflexos

“Mormaço” será gravado e editado em Manaus, e finalizado na França. A previsão é que no dia 18 de novembro a mixagem e a masterização já estejam prontas. Após este momento, Anne deve ficar mais um mês em Paris fazendo o layout do disco, fotos e criação de logo, para que o álbum invada com urgência as plataformas digitais. Já o disco físico deve receber a prensagem e a fabricação de uma gravadora na Alemanha, e está previsto para sair no próximo semestre. Logo após as festas de fim de ano, Jezini deve retornar à França para intensificar as ações de lançamento e divulgação do disco.

Assim como quem ouve o esboço inicial de “Mormaço”, Anne não consegue colocar o disco em um gênero só. “Quis privilegiar as minhas influências e usar muito da linguagem do Rosivaldo, por conta dele já tocar no Grupo Imbaúba e de já ter trabalhado no próprio álbum dele, o ‘Guitarreiro’. Nossos trabalhos ‘casaram’ por conta do respeito intenso que ele dedica ao meu estilo musical”, declara.

Ainda segundo Jezini, as letras do álbum – das quais oito das dez letras foram compostas por ela – têm elementos melancólicos, apesar dos ritmos muito alegres. “Eu uso muito desse contraste de ritmos animados, mas com essa melancolia”, dispara, revelando que as composições expressam suas experiências pessoais, sem emular nada.

Para Anne, tudo está indo conforme planejado. Apesar do disco ser lançado na França, a cantora pretende voltar às raízes e fazer a difusão dele no Amazonas. “O disco tem muito do Brasil nele. A minha expectativa com a viagem é que estou muito feliz, mas sempre com o pé no chão. E com muita certeza de que vai ter muito trabalho pela frente”, encerra a cantora.

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