Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
Música

Cantora amazonense Karine Aguiar vai gravar disco em estúdio de Nova York

Novo trabalho falará das figuras femininas de poder dos povos amazônicos



b0122-1f__aumentar_lado_dir_pra_caber_titulo__0177A8C7-F6AD-47A0-A343-48158CD5F5F7.JPG Foto: Daniel Kersys/Divulgação
22/08/2019 às 17:06

O primeiro contato da cantora Karine Aguiar com o protagonismo da figura feminina nos povos amazônicos foi por meio de “Dessana Dessana”, obra do maestro amazonense Adelson Santos em parceria com o Aldísio Filgueiras e Márcio Souza. “Me apaixonei por Yebá-beló, a deusa geradora do povo Dessana. Com a minha recente imersão na cultura sateré-mawé, me apaixonei por outras personagens como Onhiamuaçabê que deu origem ao fruto do guaraná e à Tapiraiauara, um ser mítico que protege rios e lagos, segundo os ribeirinhos do Baixo Amazonas”, conta ela.

Pensar esse conceito a fez perceber o quanto as mulheres amazônidas que habitam a floresta são especialmente fortes, altaneiras e que, se não fosse o esforço dessas mulheres, esse mundo talvez não existisse. É essa a roupa que seu próximo disco, com previsão de ser lançado em 2020, vestirá. O trabalho será gravado no estúdio Sound On Studios, em Nova York, por onde já passaram artistas como Beyoncé, Jay-Z, Rihanna, Janet Jackson, Britney Spears, entre outros.

“É também uma ode às mulheres que vivem nas grandes cidades amazônicas, que criam seus filhos sozinhas, que são chefes de família, que cuidam da casa, que estudam e trabalham e que precisam todos os dias enfrentar uma série de obstáculos para se afirmarem em seus corpos e em suas escolhas”, declara ela.

A gravação do terceiro álbum de Karine deve iniciar em maio de 2020 com o apoio de Vana Gierig e Matthew Parrish – produtores dos seus primeiros discos. “O Vana Gierig virá à Amazônia conosco fazer uma imersão em nossa cultura pra compreendermos juntos o conceito deste novo trabalho, que busca lançar ainda mais luz sobre as culturas musicais e às narrativas vindas da floresta. O lançamento provavelmente deve acontecer no final do ano que vem”, comenta a amazonense.

Para a sonoridade do novo disco, Aguiar afirma que sua equipe continuará sendo fiel à proposta que vem desde o Arraial do Mundo (2012), passando pelo Organic (2016) e pelo seu single mais recente Biojoias (2018). Segundo a cantora, as questões centrais a serem resolvidas nesse processo são: como equilibrar as sonoridades amazônicas e o Jazz? E como trazer uma mensagem que possa ao mesmo tempo informar, encantar e criar afeto nas pessoas sobre a natureza?

Clamor

O disco da amazonense está sendo gestado em um período de catástrofe ambiental, onde as queimadas estão assolando a Amazônia com força bem maior em relação aos últimos anos. Karine, que sempre cantou as lutas pela preservação da floresta, afirma que seu clamor estará ainda mais vívido em seu próximo disco.

“Tenho trazido a natureza como fio condutor desde a identidade visual dos meus trabalhos até o produto sonoro. Neste terceiro disco, isso virá muito mais evidente, sem dúvida. Estamos em um período obscuro, de total desinformação e anticientificismo e, enquanto a gente estiver vivendo isso, quero que a minha arte seja uma ferramenta de aprendizado e informação a quem estiver disposto a não se afundar de vez nas trevas”, diz ela.

A cantora compreende o próprio processo de degradação da natureza como uma consequência do sexismo, que coloca a mulher em uma posição de fragilidade. “A natureza, enquanto grande organismo feminino também tem sido subjugada”.

Saiba +

O concerto “Jungle Jazz: Uma sinfonia amazônica” vai acontecer no dia 8 de dezembro no Teatro Amazonas e marca o registro do primeiro material audiovisual ao vivo de Karine. “É um trabalho com formato diferente de tudo o que apresentei até hoje, pois envolve a Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica e o Coral Musikart”.

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