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MÚSICA

Cantora Céu lança novo álbum 'Tropix' e entra em turnê pelo Brasil

Com 12 composições, “Tropix” é o mais autoral de seus álbuns. Apenas duas não são de Céu – “Chico Buarque Song”, versão da música da banda paulistana Fellini, e “A nave vai”, de Jorge Du Peixe, vocalista da Nação Zumbi 27/04/2016 às 10:37
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Em entrevista exclusiva, a cantora e compositora paulista falou sobre esse novo trabalho, os shows e seu fascínio pela região Norte.(Foto: Marcos Alves)
Lucy Rodrigues Manaus (AM)

Céu está mais eletrônica e sintética; ao mesmo tempo, ainda mais viva e original. A sensação de quem ouve “Tropix”, seu quarto e mais recente álbum lançado pelo selo Slap e cuja turnê nacional inicia amanhã, no Sesc Pompeia em  São Paulo, é a de que há algo completamente novo no ar, uma pegada mais dançante e noturna, unindo os beats de pista de dança com a levada quente dos trópicos. Essa, aliás, é a ideia que batiza o disco – um verdadeiro “pixel tropical”. Em entrevista exclusiva ao Bem Viver esta semana, a cantora e compositora paulista falou sobre esse novo trabalho, os shows e seu fascínio pela região Norte.

“Venho conversando muito com jornalistas e muitos me questionam essa mudança estética do álbum. Isso não foi uma coisa feita com algum tipo de estratégia, aconteceu naturalmente. Tem flertes com beats e música sintética e por isso causa um certo estranhamento do que a gente vinha fazendo.  Tem gente que acha que é um rompimento. Eu acho apenas que é um álbum diferente, que conversa com a obra e que flerta com coisas eletrônicas”, explica.

Tanto que a essência da voz malemolente e sussurrada e das composições inspiradas em vivências pessoais permanecem mais fortes e vivas do que nunca. A própria música de abertura do álbum, “Perfume do invisível”, remete aos vocais sussurrados de “Vagarosa” (Six Degrees Records, 2009) e da música “Retrovisor” de  Caravana Sereira Bloom  (Urban Jungle / Universal Music, 2012). “Essa música fala muito sobre mim, meu jeito introspectivo de conquistar as coisas, de se sentir desconfortável, como todo artista. A arte é tentar explicar esse desconforto”, disse.

Com 12 composições, “Tropix” é o mais autoral de seus álbuns. Apenas duas não são de Céu – “Chico Buarque Song”, versão da música da banda paulistana Fellini, e “A nave vai”, de Jorge Du Peixe, vocalista da Nação Zumbi.

O disco conta ainda com participação especial da cantora Tulipa Ruiz, na faixa “Etílica / Interlúdio”, fruto da  amizade das duas. “Eu e Tulipa nos encontramos bastante aqui em São Paulo. Desde o início, quando compus ‘Etílica’, pensei nela”, conta.

“A menina e o monstro”, composta com inspiração na filha Rosa Morena, tem barulhinhos que remetem ao universo infantil, mas encorpados com sons de gente grande. “A Rosa é muito musical. Conhecia todas as músicas do disco e quando ouvi ela cantando um vocalize dessa música disse ‘Filha, vamos gravar isso’. No início ela ficou assustada, mas depois gostou. Minha vida é assim, eu agrego as coisas que me inspiram, que me fazem ser gente”, confessa.

Power trio

Para a produção do álbum e os shows, em vez de se cercar de diversos músicos e produtores, Céu preferiu manter o power trio que a acompanhou no DVD de 2014 – o percussionista da Nação Zumbi e seu fiel escudeiro Pupillo, o baixista Lucas Martins e, em vez da guitarra, chamou o francês Hervé Salters para assumir os teclados.

“Tive essa experiência do power trio no final do Caravana e foi muito interessante. Não tirando toda a maravilha da banda grandona, mas queria essa leveza que ressaltasse as canções, então decidi manter isso. Desde que iniciei esse álbum queria voltar a flertar com essa roda beat do primeiro disco sem deixar de lado os trópicos. O Pupillo traz a carga rítmica do Brasil e o Hervé é enérgico, bota todo mundo pra dançar. Eu curto dançar   no palco, então casou”.

A decisão foi mesmo acertada, tanto que os shows que iniciaram pela Europa foram sucesso de público e de crítica. No último final de semana de março o álbum da cantora foi o estrangeiro mais baixado do iTunes nos EUA. O jornal New York Times publicou uma resenha do seu novo trabalho usando referências como Gal Costa, Radiohead e até Run DMC para descrever o som criado por ela.  “Estou muito feliz com a receptividade lá fora, não tenho do que reclamar. Fiz show na Europa e as pessoas receberam muito bem. Agora é São Paulo e depois Brasil”.

Norte

Céu considera fazer show no Norte e em Manaus. Entre as músicas mais dançantes de Tropix, Varanda Suspensa, feita parceria com Hervé Salters,  destaca-se pela levada caribenha e característica do Norte do País. 

“Eu sou louca pela região Norte...Amazonas, Pará, a guitarrada, Dona Onete, Mestre Vieira...O próprio Caravana foi inspirado nos sons do Norte e Nordeste. Sou uma entusiasta dessa região, seus sons, cheiros, sabores, amo as comidas. Quero muito voltar a Manaus, pois 2009 - único show da cantora aqui - está muito longe. É só me chamarem que eu vou”, finaliza.

Faixas

Tropix

1 Perfume do invisível (Céu)

2 Arrastar-te-ei (Céu)

3  Amor pixelado (Céu)

4  Varanda Suspensa (Céu/Hervé Salters)

5  Pot-Porri: Etílica (Céu)/Interlúdio (Hervé Salters) - Part. Especial Tulipa Ruiz

6   A menina e o monstro (Céu)

7 Minhas Bics (Céu)

8 Chico Buarque Song (Ricardo Salvagni/ Carlos Adão Volpato/ Jair Marcos Vieira/ Thomas Kurt Georg Pappon)

9 Sangria (Céu/ Lira)

10  Camadas (Céu/Fernando Almeida)

11  A nave vai (Jorge Du Peixe)

12   Rapsódia brasilis (Céu)

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