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Capital holandesa serve de inspiração para o curta “Caos & possibilidades”

Com toques de realismo fantástico e quadrinhos, produção está em fase final 03/03/2013 às 13:54
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No curta “Caos & possibilidades”, o homem-lagarto é identificado por uma tattoo na testa
rosiel mendonça Manaus

Num dos muitos cafés de Amsterdã, conhecida como a “Veneza do Norte” da Holanda, por conta dos inúmeros canais que cortam a cidade, dois amazonenses e um catarinense trocam ideias para a produção de um curta-metragem. É fim de janeiro e a sensação térmica é de -5 °C do lado de fora. Entre um café e outro, eles vão delineando o roteiro de “Caos & possibilidades”, que vai contar a história do detetive Samuel Santos, destacado para perseguir uma criatura de origem misteriosa na capital holandesa.

Os atores amazonenses Ítalo Castro e Begê Muniz, além do designer Guilherme Gehr, haviam voltado há pouco tempo de Roterdã, onde o filme “A floresta de Jonathas”, de Sérgio Andrade, foi exibido em um dos festivais de cinema mais prestigiados do mundo. “Estávamos com todos os equipamentos em mãos e pensamos: por que não produzir alguma coisa? Sempre consultávamos o Sérgio para ver o que ele achava do roteiro e demorou um bocado para ele aprovar a versão final”, lembrou Castro, explicando como aconteceu o brainstorm.

E assim o curta foi saindo do papel, com as ruas, praças e vielas de Amsterdã sendo usadas como locações. Produzido de forma independente, “Caos & possibilidades” está na fase de montagem e desenho de som, trabalho comandado por Daniel Magalhães e MBlack Marialva, respectivamente. A previsão é que tudo fique pronto ao longo desta semana. “Vamos disponibilizar no Vimeo e inscrever em alguns festivais do segmento”, adiantou Castro.

Soturno
Com um clima propositalmente soturno, o curta dirigido e escrito pelo trio é um suspense policial com toques de experimentalismo, pois mescla cenas reais com ilustrações em ângulos próprios do universo das histórias em quadrinhos. O desenho foi o recurso ideal na hora de retratar o Homem-Lagarto, ser misterioso, vivido por Begê Muniz em sua forma humana, que aterroriza os moradores de Amsterdã.

“No começo, tínhamos pensado em basear esse personagem perverso em alguma lenda amazônica, mas percebemos que o papel de muitas criaturas, a exemplo do Curupira, é cuidar da selva. Depois de algumas pesquisas, chegamos à história dos homens-lagarto, que aparecem em relatos de muitas culturas ao redor do mundo”, complementou Castro, intérprete do detetive Samuel Santos.

“Já tinha escrito roteiros para mangá, fanzine, quadrinho, mas nunca para um filme. Gostei muito do resultado porque é o que eu gosto de fazer: produzir para o cinema”, ressaltou o ator. Por outro lado, Begê Muniz destacou o processo colaborativo de produção do curta. “Foi algo muito natural, o mais difícil foi conseguirmos entrar em consenso quanto ao roteiro”.

Seleções
Sobre as exibições de “A floresta de Jonathas” em Roterdã, Muniz contou que o público holandês recebeu muito bem a produção amazonense. “Todos ficaram bastante curiosos em relação à história. Fui questionado, dentre outras coisas, sobre a sensação de se perder na floresta e sobre o meu processo de emagrecimento para encarnar o papel”, disse ele, que dá vida ao personagem-título.

Ainda este mês, o longa amazonense será exibido no 20º Festival Internacional de Cinema de Praga, na República Tcheca, e na mostra New Latin American Cinema do Museum of Fine Arts, em Boston, Estados Unidos.


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