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Cardiologista fala sobre relação com a medicina: 'Cada paciente é único', afirma

Na semana do Dia do Médico (18 de outubro), VIDA homenageia um dos mais conceituados profissionais do país, o fundador e diretor do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, Roberto Kalil Filho 18/10/2014 às 18:42
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Roberto Kalil já fez diagnóstico de câncer no ex-presidente Lula e acompanhou tratamento
LUCY RODRIGUES Manaus (AM)

São Paulo (SP) - Com uma trajetória inspiradora, focada no estudo, trabalho e dedicação aos seus pacientes, o cardiologista Roberto Kalil Filho é o profissional escolhido por A CRÍTICA para ser homenageado nesta semana do Dia do Médico. Fundador e diretor do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, diretor da divisão clínica e professor de cardiologia do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina de São Paulo, médico e amigo de políticos, empresários e famosos – entre eles o ex-presidente Lula, Dilma Rousseff e Gilberto Gil – Dr. Kalil “abre o coração” em entrevista exclusiva ao VIDA, em que fala, entre outros assuntos, sobre a relação com seus pacientes, os avanços da cardiologia moderna e, principalmente, sobre a prevenção como forma de evitar o maior causador de mortes no mundo: o infarto.

O senhor é exemplo para estudantes e profissionais da saúde no Brasil e no mundo, pela sua carreira, construída com uma base sólida científica e clínica. O que o senhor define como um bom médico?

O bom médico para mim é o que exerce a medicina. Aquele que, dentro do conhecimento médico- que ninguém é Deus -, procura sempre o bem do paciente. Isso requer muito trabalho e dedicação, é bem verdade.

A profissão também envolve muito estresse, um dos fatores que prejudicam o coração. De que maneira o senhor gerencia isso?

Na verdade, o estresse hoje, se você pegar uma cidade como São Paulo, em qualquer profissão morando aqui você está sujeito ao nível de estresse máximo, até pela própria condição da cidade. Então, em qualquer profissão você tem que tentar ao máximo gerenciar esse estresse ou pelo menos ter algum antídoto, que é o exercício. O elixir da vida é o exercício. São muitas horas de trabalho diárias, então tento fazer exercício. Qualquer ser humano vivo na face da terra deveria caminhar pelo menos uma hora todos os dias.

O senhor é cardiologista de grandes chefes de Estado, empresários e famosos. Como é essa relação?

Esse negócio de cardiologista do poder, de presidente, de famosos é bobagem. Sou cardiologista e ponto. Trato meus pacientes como pacientes e cada um é único. Você não pode tratar o paciente pelo cargo. Tem que tratar ele como paciente e eu sou bem rígido com todos eles. De alguns, sou amigo pessoal, mas a amizade é uma coisa e a relação médico-paciente é outra.

A cardiologia avançou muito, porém o infarto ainda é a maior causa de mortes no mundo. A que se deve isso?

Mesmo diante de toda a tecnologia, remédios novos, a doença que mais mata no mundo é o infarto. Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a alta incidência de mortalidade por infarto vai continuar. Porque apesar da mídia, dos veículos, de campanhas das sociedades médicas e dos governos municipal, estadual e federal, no mundo inteiro está muito aquém das pessoas ouvirem e aplicarem isso. Então, o grande avanço para a cardiologia nesses próximos anos será, na verdade, não só em tecnologia, mas principalmente na prevenção. Hoje, no tratamento de insuficiência cardíaca, que é coração fraco, há transplantes cardíacos; há os corações artificiais e o suporte mecânico para manter o paciente vivo até o transplante. Mas para reduzir a mortalidade a única maneira é a prevenção.

O que devemos entender por prevenção?

Se eu perguntar para você, você pode ter pressão alta? Você me diz que não. Pode ter colesterol alto? Também não. Mas você se cuida? Essa é a principal questão. Então, o que é a prevenção? É o hipertenso controlar a hipertensão, o obeso baixar o peso, o diabético controlar a glicemia. É fazer exercícios, não fumar, não usar drogas, não usar álcool em excesso...As pessoas que têm colesterol alto primeiro devem fazer dieta e exercício. Se não baixar, por recomendação médica, devem usar estatinas [medicação para baixar colesterol]. Isso é prevenção. Principalmente nas pessoas com fator hereditário pois, como a maioria das doenças, é o fator hereditário que mais pesa. Então, se o avô infartou, o pai infartou, a mãe infartou, esse filho vai ter que se prevenir.

O senhor vai lançar um livro ano que vem?

Livros de cardiologia clínica temos alguns projetos, mas temos um projeto meio diferente de um livro de cardiologia para leigos, ainda sem nome e data definidos. Assim que tiver conto para vocês. 

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