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ARTE

Artista cria obras de arte utilizando lixo tecnológico como monitores e scanners

Carioca radicado em Manaus, Kennedy Pestana tem como marca um trabalho que envolve, acima do valor artístico, promover o uso consciente de materiais recicláveis 21/02/2018 às 15:24 - Atualizado em 22/02/2018 às 16:54
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A ideia de produzir as obras surgiu após visita de um amigo músico e serviu como terapia para encarar problemas pessoais (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Juan Gabriel Manaus, AM

Scanners antigos, monitores usados, tudo pode virar arte. Pelo menos é assim que o artista Kennedy Pestana encara as dezenas de resíduos tecnológicos aos quais tem acesso diariamente. Abrindo mão das tintas e pincéis, o carioca radicado em Manaus criou há apenas quatro meses a Urbanus, marca que carrega como forma de divulgar o trabalho dele que envolve, acima do valor artístico, promover o uso consciente de materiais recicláveis.

Morando na capital amazonense há trinta anos, Kennedy tem uma trajetória camaleônica. Sem medo de se reinventar, começou trabalhando como programador na área de informática, depois disso atuou como planista de navio cargueiro, dono de salão de beleza e músico. Após o término de um relacionamento que durou vinte anos, encontrou na arte uma terapia, se reinventou mais uma vez e decidiu cair de cabeça no que hoje é uma das formas que encontrou para se sustentar.

“Um músico amigo meu veio do Rio de Janeiro pra cá fazer um workshop de bateria. Ele assinou o cartaz pra mim e como o cartaz era muito grande, guardei ele em um scanner e todo dia quando acordava eu dava de cara com esse quadro, até que uma vez pensei que poderia fazer mais deles”, conta Kennedy ao explicar como surgiu a ideia de produzir seu trabalho.

Os anos trabalhando com a tecnologia serviram para apontar ao carioca alguns pontos importantes como o descarte correto de materiais eletrônicos. Partindo da ideia de reciclar o que iria pro lixo e gerar renda, entrou em contato com uma empresa de tecnologia e selou uma parceria para que conseguisse ter acesso a todo o material que seria jogado fora.

O processo de produção dos quadros é simples e leva cerca de três dias para ficar pronto. O artista conta que os interessados que entram em contato mostram alguma foto ou ilustração que desejam colocar dentro das telas e gabinetes e, a partir daí, é feito um trabalho que se inicia com o tratamento adequado da imagem feita no computador, a verificação do tamanho apropriado para que não haja perda de qualidade no produto final e principalmente, a busca por um monitor no tamanho adequado.

Projetos

Carioca de nascença, Kennedy não se poupa ao afirmar que nutre um amor maior pelo Amazonas do que pelo Rio de Janeiro. A gratidão ao Estado que o acolheu vem na forma de um projeto que deve ganhar vida ainda este ano. A ideia é trazer fotos de diferentes partes do Amazonas fixadas em monitores, scanners e televisões. Junto as imagens, frases de cantores e poetas da terra, tudo para levar a cultura amazônica aos quatro cantos do mundo.

Além de expor, o artista tem planos de expandir a ideia a novos patamares, em forma de projeto social e até agregando os filhos na área dos vestuários. “Com a Urbanus, hoje eu tenho uma linha de reciclagem e como eu criei a marca, tenho ela para projetos sociais que estou tentando iniciar com o governo entrando na parte de cultura. Como eu tenho filhos adolescentes, também estou trazendo eles pra ajudar na marca com camisas temáticas, tanto com ideias para os fãs de tecnologia, quanto para a música”, revela.

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