Quarta-feira, 15 de Julho de 2020
iguaria da floresta

Caxiri Amazônia promove ação solidária em prol de culinária indígena

Restaurante faz parceria com etnia Tukano e passa a oferecer Quinhapira, primeira receita original indígena preparada pelos próprios indígenas



WhatsApp_Image_2020-06-28_at_16.12.15_7202BF65-20C3-451C-BAB7-924FBE1A2484.jpeg Disponível no menu a la carte exclusivamente aos sábados, este prato rionegrense pode ser provado no restaurante (Foto: Ana Paula Lustosa)
28/06/2020 às 16:33

A culinária da região Norte é uma das mais peculiares do Brasil. Com seus temperos fortes e sabores típicos, ela vem conquistando cada vez mais admiradores e também notoriedade nos cardápios — dentro e fora do país. 

Com base em elementos nativos e modos de preparação característicos, os costumes, as histórias e os povos diferentes se misturam para formar uma das mais ricas culturas gastronômicas do país — além de uma das mais saudáveis.



Diante desse cenário de inúmeras combinações e possibilidades, o restaurante Caxiri Amazônia, em parceria com o Bahserikowi (Centro de Medicina Indígena), traz aos manauaras a Quinhapira, alimento cotidiano dos povos indígenas do Alto Rio Negro. Batizado de "comida dos deuses" em oãmahrã, a Quinhapira é um caldo feito à base de água, sal e pimenta defumada. Os peixes são cozidos na Quinhapira e em algumas vezes, acrescido de tucupi como tempero. "Posso afirmar que as pessoas terão acesso à uma culinária extremamente sofisticada por sua simplicidade e surpreendente por sua potência de sabor", garante a chef Débora Shornik. 

Com peixe ou sem peixe, a quinhapira é servida pela manhã, antes de ir ao roçado, ao meio dia e pela noite como jantar. Ela também é oferecida aos que visitam as comunidades indígenas, na chegada e na partida de suas viagens, como gesto de proteção e acolhimento. É um elemento central da socialidade destes povos. Pode ser acompanhado de bijú de macaxeira, mas na versão do Caxiri Amazônia, virá com o beiju da goma da mandioca. 

“Para mim, é um momento histórico. A  importância dessa culinária estar circulando na cidade é imensurável. Sempre achei que faltava essa 'peça-chave' na cena da gastronomia local . Com essa iniciativa, não falta mais”, declara a chef Débora Shornik. 

Valorização 

Inédito no menu do Caxiri Amazônia, esta é a primeira receita original indígena servida e preparada pelos próprios indígenas: na cozinha da casa, a chef Débora Shornik recebe as cozinheiras Tukano e Sateré-Mawe, da etnia Tukano, do Alto Rio Negro. 

“Não se trata de um festival indígena, estamos fincando uma bandeira, apresentando um restaurante indígena que está estreando na cidade – Biatüwi. Considero de extrema importância por luz e dar voz a eles e uma das motivações que valida o nome do restaurante ser Caxiri é fazer parte desse movimento e dividir o espaço com eles”, afirma a chef Débora.

Disponível no menu a la carte exclusivamente aos sábados, este prato rionegrense pode ser provado no restaurante, retirado “para viagem”, ou entregue pelo iFood – em charmosa embalagem feita de folhas de bananeira, e o caldo cuidadosamente mantido em um pote de vidro. 

O Caxiri Amazônia retomou as suas atividades presenciais no dia 20/06, sob as determinações municipais de higiene e segurança, diante do contexto da Covid-19. De 34 mesas, atualmente o restaurante está atuando com 17 mesas, respeitando dois metros de distanciamento, conforme as determinações do Ministério da Saúde.


Sobre o Caxiri Amazônia

Em um casarão restaurado, com janelões voltados para o portentoso Teatro Amazonas – ícone da arquitetura colonial no apogeu da economia da borracha no século 19, no Centro do Manaus – o restaurante brinda, desde 2016, os paladares de locais e visitantes com a abundância dos sabores amazônicos e brasileiros. Entre os pratos mais cobiçados estão os ceviches de peixe, o matrinxã assado na brasa e a deliciosa costela de tambaqui com mil folhas de banana pacovã. 

A chef Débora Shornik, paulista, é uma pesquisadora da riqueza gastronômica nacional, principalmente as PANCS (plantas comestíveis não convencionais), tendo também atuado em cozinhas autorais como a do Arturito, da chef ítalo-argentina, Paola Carosella, com quem Débora iniciou sua carreira em 2005. Entre seus principais fornecedores estão agricultores familiares que provém alimentos orgânicos, a feira Manaus Moderna, e os peixes como o pirarucu vem de manejo sustentável. A chef também mantém consultoria nos menus dos restaurantes flutuante Flor do Luar e Camu-camu, no hotel Mirante do Gavião Lodge, ambos em Novo Airão (AM).

Chef Débora Shornik (Foto: Ana Paula Lustosa)

Charmosa embalagem feita de folhas de bananeira (Foto: Ana Paula Lustosa)

Caldo será mantido em um pote de vidro (Foto: Ana Paula Lustosa)

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