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LITERATURA

Celdo Braga fala sobre ‘ler a Amazônia além dos livros’ durante palestra, em Manaus

O projeto “Comemore a Leitura/encontro com o escritor”, da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), integra o cliclo de atividades de valorização do livro e de incentivo à leitura em vários pontos de Manaus 03/05/2016 às 12:29
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O escritor relatou a importância de estabelecer, enquanto amazônidas, uma relação de pertencimento com a paisagem, a fim de que a sociedade possa conhecer suas ‘raízes caboclas’
ACRITICA.COM Manaus (AM)

“No Amazonas, não existe escritor que registre o caboclo em primeira pessoa. Todos contam-no em terceira pessoa. É como se não fôssemos nós, como se nos referíssemos apenas àquele ribeirinho, àquela pessoa distante, no interior”. Para o escritor, músico e pesquisador dos sons amazônicos, Celdo Braga, esta condição é um dos reflexos da sociedade amazonense atual, que renega suas origens e se perde sem uma identificação cultural. O assunto foi tema da palestra “A poesia sonora da Amazônia”, ministrada por ele aos alunos da Faculdade Martha Falcão | DeVry nesta segunda-feira (2), em homenagem ao Dia da Literatura Brasileira, celebrado em 1º de Maio.

O projeto “Comemore a Leitura/encontro com o escritor”, da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), integra o cliclo de atividades de valorização do livro e de incentivo à leitura em vários pontos de Manaus e visa a formação de leitores no meio acadêmico, inserindo a literatura regional nas estantes universitárias.

Para Celdo Braga, a leitura não é algo atinente somente aos livros. “Podemos desenvolver um olhar diferenciado sobre qualquer objeto, seja ele uma folha, uma cuia, madeiras, plásticos. O olhar, a interpretação tem duas vertentes: uma objetiva e uma subjetiva”, declarou.  “Isso é ler: enxergar além, ver o que está disponível no nosso meio e se apropriar do que é nosso”, completou. 

O escritor relatou a importância de estabelecer, enquanto amazônidas, uma relação de pertencimento com a paisagem, a fim de que a sociedade possa conhecer suas ‘raízes caboclas’. Não por acaso, este foi o nome escolhido por ele para estrear no meio musical, grupo com o qual tocou por 25 anos. “Ninguém gosta do que não conhece, por isso é importante deixarmos de ignorar a Amazônia. Nasci no interior e cresci ouvindo expressões como ‘no mato tem onça, cobra, mapinguari’ ou ‘água não tem cabelo, olha o candiru, a piranha, etc’. Isso não estimula a gostarmos do mato e acabamos não nos reconhecendo nessa paisagem, esquecemos quem somos”, explicou.

Natural de Benjamin Constant (AM), Celdo Braga é formado em letras pela PUC (Potíficia Universidade Católica) de Porto Alegre. Foi nessa ocasião em que ele despertou para o “olhar amazônico”. “Vi que lá nos pampas um apartamento com vista para quatro árvores de eucalipto era mais caro e então pensei: não damos valor ao nosso verde. Isso fez eu me reconhecer, aprender a gostar de mim e foi com base nisso que desenvolvi meu trabalho. Abracei minha terra e fiz disso a minha missão como professor, poeta e músico”, disse.

Ele defende a escola como a responsável por plantar a semente da valorização regional e a família por cultivá-la. “A letargia e a ignorância da nossa história é algo cruel. Aprofundar, ler nas entrelinhas, assumir nossa cara na paisagem é a mensagem que deixo, sempre na utopia de que esta conversa passe para uma terceira ou quarta pessoa”, afirmou. “Que cada um possa encontrar algo na paisagem com que se identifique, que seja ‘a sua cara’ e não apenas ‘a minha cara’, com costumo escutar. O que nos representa, passamos a defender”, completou.

*Com informações da assessoria de imprensa

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