Publicidade
Entretenimento
Vida

Centenário de bossa nova é celebrado com espetáculo 'Vinícius e Tom', em Manaus

A homenagem – conforme define o cantor, compositor e artista plástico Sinézio Rolim, que emprestará sua voz aos clássicos da apresentação – à Jobim e Moraes é dedicada ao centenário de vida dos dois compositores 31/05/2013 às 21:14
Show 1
Jobim e Moraes são tidos por muitos como os pais da bossa nova
Laynna Feitoza Manaus, AM

"Chega de saudade, garota de Ipanema". A afirmação anterior repleta de nostalgia soma partículas de obras dos indissociáveis pilares da música brasileira, Vinícius de Moraes e Tom Jobim, cujo ‘matrimônio musical’, iniciado em meados da década de 50, celebrou um dos principais carros-chefes da história artística nacional. Tal acervo artístico carregado por bossa nova e poesia será rememorado no espetáculo ‘Vinícius e Tom’, a ser realizado no próximo dia 13 de junho, às 21h, na Estação Cultural Arte e Fato, localizada na Rua 10 de Julho, 443, bairro Centro.

A homenagem – conforme define o cantor, compositor e artista plástico Sinézio Rolim, que emprestará sua voz aos clássicos da apresentação – à Jobim e Moraes é dedicada ao centenário de vida dos dois compositores. A iniciativa em Manaus partiu da Artrupe Produções, mas é inspirada em movimentos que, por todo o país, celebram os 100 anos de existência de Jobim e Moraes, segundo Rolim.

“Por conta do centenário dos dois artistas, vários grupos no país têm feito shows em homenagem. Como eles são os pais da bossa nova, mas a compartilharam com grandes parceiros, neste show não vamos tocar apenas músicas isoladas do Tom ou do Vinícius. Vamos tocar composições compartilhadas com outros nomes da bossa nova que auxiliaram na difusão dela ao público”, ressaltou Rolim, que terá como companheiros de palco os também cantores e compositores Camila Nakano, Ellen Mendonça e os instrumentistas Jef Silva e Ediel Castro.

A escolha dos artistas para o memorial à música popular brasileira, segundo Sinézio, se deve à versatilidade dos artistas e do emprego de novos elementos às canções. “A Camila, por exemplo, é uma cantora muito versátil, toca em orquestra, em banda... tem um perfil muito vasto de bossa nova e jazz. A Ellen é uma convidada especial do show. Já Ediel também tem um vasto conhecimento sobre este universo”, confirmou Rolim, lembrando que ele, Camila e Ediel já têm no currículo uma parceria artística no espetáculo ‘Encontro’.

Samba e poesia não apenas por Jobim e Moraes

A fusão entre samba e poesia não concerne apenas aos aspectos das obras de Tom e Vinícius. No espetáculo musical, paralelo às canções, haverá declamações de poemas de Moraes, destacou Rolim. O contexto histórico das canções também será revisitado na noite. “Talvez nós vamos começar com uma declamação, e queremos fazer umas referências históricas, falar acerca de quem escreveu tal canção, e em que período foi escrita. Nós mesmos é quem iremos fazer a apresentação do contexto histórico das músicas, vamos comentar um pouco. Mas não será nada muito estendido”, lembrou o cantor.

Na fan page da Artrupe Produções no Facebook, há uma enquete disponível para que o público possa influenciar na escolha do repertório do show. Porém, Sinézio afirma que já é possível adiantar alguns clássicos que não estarão ausentes. Dentre estes, o artista cita ‘Insensatez’, ‘Wave’, ‘Garota de Ipanema’, ‘Águas de Março’, ‘Demais’ e ‘Preciso Aprender A Ser Só’.

“Estamos trabalhando com algumas roupagens diferenciadas. Vamos adicionar alguns outros arranjos, porque os músicos com quem trabalhamos são extremamente versáteis: tem experiência em banda, orquestra e teatro. Vamos dar uma instrumentalizada a mais nas músicas e claro, dar um ar muito charmoso a cada uma delas. Vamos contar com duas bases de violão (um de nylon e outro de metal), o que gera um som muito diversificado”, revelou Rolim.

Recheio de clássicos e tímidas composições difundidas em outras vozes

Sobre o repertório, Sinézio aponta que não são apenas as canções mais famosas dos artistas que terão espaço. “Além dos clássicos, teremos também algumas canções mais ‘underground’ deles. São músicas que fizeram sucesso na voz de grandes intérpretes”, ponderou Sinézio. A apresentação durará aproximadamente duas horas, sendo que uma hora e meia será voltada às músicas, e a meia hora restante, às intervenções literárias.

Símbolos da vanguarda

Tom Jobim e Vinícius de Moraes são símbolos de uma vanguarda que mesclou origens às novas formas musicais, destacou Rolim. O samba é originário das raízes negras oriundas da Bahia. Quando houve sua disseminação, na década de 50 a 60, despontou a bossa nova, que é o samba mesclado ao jazz, informou Sinézio. “A bossa nova tem a batida do samba com a qualidade jazzística da melodia”, complementou.

“O samba foi o que deu o impacto inicial para essa mesclagem de música e, junto com as pessoas daquela época, os contemporâneos, a bossa nova foi fortificada. A própria Maysa, ao cantar a canção ‘Eu Sempre Vou Te Amar’, se tornou a precursora da bossa nova. Foi a primeira cantora em destaque ao cantar o gênero no país. A bossa nova veio a se fortalecer com a Elis Regina, ela é quem mais propagou o estilo. Mas Maysa foi a primeira”, enfatizou Sinézio, destacando a importância dos difusores intérpretes das canções da bossa nova no país.

‘O samba evidencia raízes’



Rolim defende a forte influência do samba em Manaus e no Brasil afora. “Percebemos no Brasil inteiro a influência dessa música de raiz, que é o samba. Todos os cantores que estão próximos a mim, na cidade ou não, passam pelo samba e não por serem obrigados a passar, a experimentar... mas por raiz mesmo. Alguns cantores têm, fora os projetos em outros gêneros, um projeto paralelo de samba. O samba influencia qualquer artista do país, porque evidencia raízes, que são várias. O samba pode se transformar em bossa nova, samba jazz, samba soul, samba de enredo, samba canção, e por aí vai”, completou Sinézio.

Sinézio integra o projeto ‘Eu Sou o Samba’, que acontece às primeiras quartas-feiras de cada mês. Segundo ele, o público solicitou a iniciativa. “A primeira noite foi um sucesso. Só para termos noção e fazer referência de como o samba realmente influencia”, argumentou. Ainda segundo Sinézio, a homenagem ao centenário dos artistas é uma preparação para um projeto maior. “Queremos realizar no outro ano um projeto abordando a obra de Vinícius de Moraes”, finalizou.

Com as iniciativas voltadas à celebração de um dos centenários artísticos de maior peso na musicalidade nacional, só cabe aos apreciadores de samba e poesia repousarem as conclusões, individualmente, sobre o primeiro verso de uma composição partilhada por Vinícius de Moraes e Tom Jobim: “Vai minha tristeza”.

Serviço

O que é: Espetáculo musical ‘Vinícius e Tom’
Quando: 13 de junho, às 21h
Onde: Estação Cultural Arte e Fato, localizada na Rua 10 de Julho, 443, bairro Centro
Quanto: R$ 10 (meia)

* Os ingressos podem ser obtidos com os membros da Artrupe Produções ou na bilheteria do local, no dia do evento

Publicidade
Publicidade