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Chef brasileira brilha nas fases finais da edição britânica do reality show 'Masterchef'

Em Londres há uma década, Luciana Berry está entre os semifinalistas na principal competição culinária inglesa 07/12/2014 às 21:51
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Luciana Berry passando pela criteriosa e temida avaliação dos jurados do programa
CAMILA BARANDA/ESPECIAL PARA A CRÍTICA Londres, Reino Unido

Quando Luciana Berry desembarcou em Londres, há 10 anos, a cozinha era o lugar da casa onde ela se sentia mais desconfortável e a intimidade com as panelas era mínima. Porém, tudo começou a mudar quando a saudade da comida brasileira falou mais alto e a baiana precisou aprender a cozinhar.

Não demorou muito tempo para ela perceber que tinha talento. Começou a fazer jantares por encomenda e a demanda de pedidos cresceu bastante ao longo dos anos. Em 2010, fundou a empresa ‘Catering on the Hill’, especializada em preparar comidas para eventos. Entre os clientes mais marcantes, um membro da Família Real Britânica: o Príncipe Edward, filho mais novo da Rainha Elizabeth II. 

Hoje, Luciana é chef de cozinha formada pela escola de culinária Le Cordon Bleu de Londres, uma das mais prestigiadas do mundo, e está entre os semifinalistas do programa de TV ‘Masterchef: Os Profissionais’, a principal competição culinária da Inglaterra, exibida na BBC, que busca o melhor chef de cozinha do país.

PARTICIPAÇÃO

Ela não foi a primeira brasileira a participar do programa, mas é a única a chegar tão longe na atração. O formato ‘Masterchef‘ foi criado há 24 anos e é um sucesso internacional. A versão para profissionais é a mais difícil de entrar e exige dos competidores técnica e muita experiência. “Eu me formei em março deste ano e as inscrições do programa começaram em abril. Eu mandei meu material, recebi uma ligação da produção e fiquei sabendo que tinha sido selecionada para a entrevista. Na época, um dos meus professores do Le Cordon Bleu disse que eu tinha que me preparar emocionalmente, porque dificilmente teria condições de competir com os chefs, já que no programa o nível era muito alto”, explicou.

Mas esta era a menor das preocupações da baiana, pois quando soube que estava entre os 40 escolhidos, Luciana já se sentiu vitoriosa. “A minha felicidade foi maior não somente por ter passado, mas sim por saber que os jurados iriam provar o verdadeiro tempero do Brasil. Eu já estava de saco cheio de ouvir as pessoas dizendo que comida brasileira se resumia a feijoada e rodízio em churrascaria. O nosso país tem tantos ingredientes maravilhosos e muita gente não valoriza isso quando vai mostrar a nossa culinária para o mundo”, desabafou.

PRATOS E DESAFIOS

Na primeira fase do programa, os chefs tiveram a liberdade de apresentar o prato que melhor sabiam fazer. A brasileira preparou uma Moqueca de Lagosta, regada a leite de coco, azeite de dendê e um toque de pimenta. Com esta versão refinada da receita, Luciana caiu logo nas graças do jurado Marcus Wareing, que a descreveu como “um verdadeiro talento”. Wareingé respeitado na Inglaterra por ter em seus restaurantes 5 AA Rosettes e 2 Estrelas Michelin, prêmios de alto renome na gastronomia internacional.

Outro ponto alto da participação da baiana foi durante as quartas de final, quando teve que cozinhar para 3 críticos culinários ingleses. Luciana combinou pato defumado, purê de mandioca e uma farofa de chouriço com feijão. “Quando eu entrei no programa, eu não fazia ideia por quais etapas iria

passar, mas o meu foco era apenas um: mostrar a comida brasileira. Este prato foi um pouco arriscado, porque tinha elementos que eles não conheciam, como a farofa, mas eu tentei balancear e deu certo”. Na avaliação, um dos críticos considerou o prato “memorável”.

Já o pior momento da chef foi em um teste de técnica no qual precisou limpar e preparar, em 15 minutos, uma sépia, molusco marinho parecido com uma lula. “Teve um ponto em que os jurados falaram que a minha respiração estava tão alta que eles não conseguiam se concentrar para me avaliar. E olha que eusou uma pessoa super calma, nunca senti isso! Minha mão tremia”, explicou a competidora, mostrando que o nervosismo quase a tirou do programa.

RECONHECIMENTO

Todos os episódios do ‘Masterchef: Os Profissionais’ foram gravados nos meses de maio e junho deste ano, mas por questões contratuais, a chef não pôde revelar muitos detalhes sobre o programa, que começou em novembro e vai até o dia 23 de dezembro. Para ela, a melhor parte desta experiência tem sido o apoio do público. “É maravilhoso, porque toda a minha família está reunida me acompanhando da Bahia. Até o Consulado Brasileiro escreveu uma carta me parabenizando pela participação e por representar o nosso país lá dentro. Eu também passei a receber e-mails de pessoas que eu nunca vi na minha vida, mas que assistem ao programa pela Internet”, disse emocionada.

“Eu me sinto tão feliz de ver aonde a minha carreira chegou. Eu vim de longe para cá e conquistei o meu espaço, algo muito difícil! Eu já tentei fazer várias coisas na vida, levei muitos ‘nãos’, mas nunca tive medo de ser rejeitada. O segredo é trabalhar duro e ser fiel aos objetivos”. Ela espera que depois do programa passe a ser vista como uma chef brasileira de verdade, que tenta mostrar por meio da comida tudo o que há de melhor no nosso país.

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