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Chef de restaurante em Manaus revela experiência obtida em viagem ao Japão

Chef e colunista de A CRÍTICA, Felipe Schadler, conta como foi conhecer o Japão, os costumes do seu povo e o aprendizado no país asiático. Cozinheiro foi eleito por três anos melhor chef pela revista “Veja Manaus” 22/11/2014 às 17:55
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Felipe Schaedler é chef do restaurante Banzeiro, em Manaus
RAFAEL SEIXAS Manaus (AM)

Sempre em busca de novos temperos, de conhecimentos gastronômicos e de experiências. Esse é Felipe Schaedler, chef à frente do restaurante Banzeiro, que procura sempre se atualizar profissionalmente – não é à toa que ele é um dos profissionais mais premiados da capital amazonense. No entanto, o legado de sua última aventura não é gastronômico, mas sim ter conhecido um povo de cultura milenar. O Japão, de forma simples, tornou-se um lugar inesquecível para este catarinense, radicado há anos em Manaus.

O motivo da viagem? Schaedler foi a convite de sua amiga, Noemia Ishikawa, visitar um festival de cogumelos de Tottori, cidade sede de um dos institutos mais importantes do mundo sobre cogumelos. Esta é uma iguaria que o chef está pesquisando há algum tempo.

“Tottori é uma cidade pequena, do interior. Lá não passam muitos turistas não japoneses, então nós parecíamos famosos (risos). Por onde passávamos, as pessoas nos olhavam. Até parecia que eles nunca tinham visto um não oriental. Isso foi bacana. Quando falávamos que éramos da Amazônia, eles ficavam espantados e curiosos”, disse o chef, que vivenciou a Terra do Sol Nascente de 30 de setembro a 18 de outubro.

Cogumelos custam cerca de 3 mil ienes no Japão (Foto: Divulgação)

“Conheci os cogumelos por meio da Dra. Noemia Ishikawa, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Nos tornamos amigos e ela me convidou para essa feira. Ela estudou nesse instituto, fomos recebidos por todos com muito carinho. Estamos desenvolvendo uns experimentos de cogumelos comestíveis aqui da Amazônia, mas ainda não temos demanda para colocar no restaurante”, acrescentou.

Instituto

Além dos cogumelos, ele se chocou (positivamente) culturalmente com a educação do povo japonês. “Todos lhe tratam com um respeito impressionante. Além disso, o valor que eles dão para o alimento é algo que nós precisamos aprender e evoluir. Eles dão valor porque sabem bem o que é passar fome, em virtude do histórico de desastres naturais e da guerra”, declarou Schaedler, que foi eleito por três anos consecutivos como o Melhor Chef pela revista “Veja Manaus”.

Sem desperdícios

Ver de perto que os japoneses não desperdiçam nada emocionou bastante o cozinheiro. “Lembrei de quanta farinha eu vejo indo pro lixo nos lugares em que eu passo, seja em casas de pessoas ricas ou mais pobres. As pessoas esquecem o suor que tem por trás de uma simples farinha. Se acompanhar o cultivo da mandioca e depois ver a pessoa na frente de um tacho quente fazendo a torra, entenderá o que estou dizendo. Farinha é apenas um dos elementos que temos aqui, mas o mesmo acontece com vários outros ingredientes. Comi sushis impecáveis em que o chef não desperdiçava um só grão de arroz”, relembra.

Gratidão

Falando em sushi, ele recebeu uma homenagem no restaurante Den, de um chef amigo. “Quando chegamos lá, ele fez uma surpresa: colocou nos hashis o nome do Banzeiro em minha homenagem. Fiquei extremamente emocionado com o carinho. Ele teve a preocupação de pegar a logomarca do meu restaurante e desenhar à mão. A propósito, fiz um quadro com os hashis”.

Os ensinamentos adquiridos pelo chef no Japão, aliás, já começaram a ser repassados. “Fiz uma reunião com parte da equipe para falar um pouco de como o Japão é incrível. Pretendo passar para eles o fato de sempre o japonês lhe atender com um sorriso no rosto”.

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