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Chef por um dia: Restaurante Fiorentina do AM Shopping ‘promove’ clientes a chefs

Pensando no fortalecimento da relação com o cliente, o restaurante busca aproximar quem serve e quem é servido e promover uma experiência gastronômica completa para o cliente. 05/02/2016 às 16:42
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De chef, Bernardo serve esposa após preparar Filé Chatebriand
Felipe Wanderley Manaus (AM)

“Cozinhar é uma maneira de amar os outros”. A frase do escritor moçambicano Mia Couto é tão emblemática quanto verdadeira. De fato, a arte dos sabores tem compromisso direto com a partilha e com a comunhão e nisso encontra um dos ingredientes essenciais de sua técnica. Contudo, a correria do dia a dia e o excesso de trabalho acabam por fazer desta nobre atividade uma ocupação cada vez mais rara para quem tem outra profissão, muitos dos quais nunca aprenderam a cozinhar. Mas nunca é tarde para começar.

Pensando no fortalecimento da relação com o cliente, o restaurante Fiorentina do Amazonas Shopping decidiu apostar em algo que possa não apenas aproximar quem serve e quem é servido, mas promover uma experiência gastronômica completa para o cliente.  A ideia é convidar os frequentadores para um dia de chef de cozinha. E nem precisa saber cozinhar! Todos os sábados, o chef da casa, Lacy Ramalho Neto, convoca um cliente para assumir seu posto e cozinhar para sua família. Tudo assessorado de perto por Lacy.

Para melhorar ainda mais, o novo aspirante a chef de alta gastronomia ainda recebe das mãos de seu tutor uma doma (traje do chef de cozinha) e tem seu prato isento de pagamento. Cliente do restaurante há pelo menos 15 anos, o empresário Bernardo Correa gostou da ideia. Mesmo admitindo que sua experiência na cozinha era mínima, para não dizer inexistente, ele resolveu encarar o desafio. E, com o auxílio luxuoso do “assistente” Lacy, vestiu a doma, botou a mão na massa e preparou um filé a chateaubriand, um dos nobres pratos da casa.

 “É uma responsabilidade grande, né? O Fiorentina é um restaurante que tem tradição de alta qualidade na refeição, então é um desafio e tanto, até pela família, que está esperando com certa ansiedade”, disse o empresário, antes de preparar o prato feito do “coração do filé” de molho madeira, arroz à grega, batata frita e salada.bom aprendizEnquanto a esposa e a filha riam e tiravam fotos, entusiasmadas com a novidade, Bernardo levava tudo muito a sério e perguntava cada detalhe para o chef, que respondia com paciência e interesse recíproco no aprendiz.

“É bom que podemos ensinar o certo, porque (o cozinheiro iniciante) não vem com vício, que fica muito difícil de tirar depois”, diz o chef Lacy, explicando que a ação, iniciativa do marketing do restaurante, tem sido um sucesso. “Já teve cliente que veio passar o dia todo aqui comigo aprendendo sobre cozinha. É uma aproximação muito boa com o cliente. Já teve um que me convidou até para a casa dele”, diz Lacy. Mas e o filé, agradou? “Com certeza”, diz a esposa de Bernardo. “O pior agora é que vão querer mais”, brincou o novo “chef”.

Se Maomé não vai à montanha

O personal chef, do inglês chef pessoal (em tradução livre), é um conceito relativamente novo, mas que já tem criado adeptos, inclusive em Manaus. Trazer a alta gastronomia para dentro de casa e introduzir pratos, ingredientes e apresentações diferentes para a família é a proposta desses mestres-cuca.  O preço médio do serviço é de 500 a 600 reais para um almoço ou jantar de até 10 pessoas, isso se você comprar os ingredientes. “Aqui em Manaus este conceito está crescendo”, diz Klinger Moraes, que comanda a cozinha do Restaurante Domus. Especializado em cozinha francesa, ele prepara as iguarias conhecidosdo Domus, como o Pirarucu ao molho de uva passa e purê roxo, o Salmão ao molho de laranja com cuscus marroquino e o Filé mignon ao molho de queijo gorgonzola.

O chef Ramiro Hitotuze, do bistrô Maison Gomes, acredita que o crescimento do conceito de personal chef vem com a valorização da alta gastronomia redefine o relacionamento do chef com o cliente. “Quando você prepara na casa do cliente quebra essa barreira da cortina do restaurante”, diz ele, que é especializado em pratos franceses e italianos, como o Tournedos Rossini, o Filé com fois gras ou os celebrados Nhoque e Espaguete Carbonara. “A alta gastronomia apresenta novos ingredientes, novos pratos, novas maneiras de finalização e por aí por diante”, explica chef Adalberto Vieira, do  8 Segundos Bar. Em domicílio, ele prepara releituras de pratos amazônicos, da Europa e dos Andes, entre estes Ceviche de pirarucu, o mexicano Guacamole e o já consagrado Pirarucu com pesto de jambu e purê de jerimum.


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