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Cia. de dança cearense cria espetáculo inspirado no Festival Folclórico de Parintins

O grupo Oré Anacã é coreografado por Marcos Campos, e é como uma espécie de homenagem e divulgação da cultura amazonense pelo Nordeste 03/02/2016 às 21:00
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Projeto será inscrito em edital de circulação para vir ao Norte
Laynna Feitoza Manaus, AM

O compositor Jorge Aragão já havia prenunciado em uma toada: “Você não viu nada igual, nem tão cedo vai ver”. O trecho faz clara referência ao Festival Folclórico de Parintins, que acontece anualmente na Ilha Tupinambarana.

Tal magia assolou a mente do coreógrafo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcos Campos. “Trabalho há 16 anos com pesquisa em cultura popular e, depois que fui em Parintins, no Festival de 2008, prometi a mim mesmo que iria fazer um espetáculo sobre o evento”, pondera ele.

A inquietação o trouxe aos Festivais dos anos de 2012, 2013 e em gravações dos DVD’s dos bois. Baseado no folclore dos nossos bumbás, o coreógrafo criou o espetáculo de dança “Parintins em Festa”, como uma espécie de homenagem e divulgação da nossa cultura.

“As coreografias são equilibradas. A própria entrada dos bois também, para seguir a lógica do que acontece em Parintins. Tive contato com as comissões de arte dos dois bois, então eu venho trabalhando todo o repertório estético, gestual, musical, sempre com base nos dois”, declara ele.

O espetáculo completo está previsto para estrear no Ceará em junho, mas alguns fragmentos das coreografias já vêm sendo apresentados em eventos pontuais de Fortaleza. Como professor, Marcos trabalha com as áreas de ritmo, danças tradicionais e cultura popular, além de liderar o grupo de dança Oré Anacã – composto por 30 dançarinos, entre universitários e jovens do Ensino Médio.

É este grupo quem exala com ele o espetáculo inspirado no nosso folclore. O espetáculo estava sendo “cozinhado” na mente de Campos desde 2011. Mas em meados de 2013 o grupo foi aprovado em um edital de auxílio a projetos de extensão em universidades.

“Foram 14 viagens de pesquisas, e Parintins foi uma dessas viagens. Levei bolsistas, alunos da graduação para poder participar da pesquisa comigo. Também pesquisei Juruti, as danças tribais – fui duas vezes ao Festribal. Fui no Çairé em Santarém; na Ilha do Marajó para pesquisar o carimbó tradicional; em Manacapuru, para pesquisar a ciranda”, diz ele, que ainda pretende montar um espetáculo de dança só sobre a cultura amazônica.

Como será

O roteiro da produção começa com o ritual, sob a toada “Pachamama”, do Caprichoso, que fala sobre as questões da natureza e preservação dos índios como um todo. “Logo em seguida fazemos duas coreografias. Uma intitulada ‘Exaltação ao Garantido’, e outra ‘Exaltação ao Caprichoso’”, coloca.

Na obra, também se mostra a figura típica regional na figura dos vaqueiros, e depois uma coreografia chamada “Folguedo”, que traz o bailado corrido. Na sequência vem a lenda Macunaíma, do Garantido. Os cinco itens principais, como Porta-Estandarte, Rainha do Folclore, Pajé, Sinhazinha e Cunhã-Poranga se fazem presentes no espetáculo.

As estrelas de Parintins – os dois bois – não ficam de fora. “Um artesão de Manaus, Ed Soares, fez réplicas menores dos dois bois. Eles fazem toda a movimentação e também sai talco do nariz deles”, pontua Campos. No fim da apresentação, os dançarinos chamam a plateia para ser a galera, visto que é um item oficial do Festival.

“Tudo para criar a possibilidade da plateia brincar de boi. Fazemos movimentos de braço conforme é feito no Bumbódromo, sob a toada “Coração de Torcedor”. Nesse momento, todos os itens oficiais já estão no palco. E assim eles continuam bailando, até chegar a hora tão sonhada em que o grupo virá devolver a gratidão pela beleza do Festival aqui, na nossa terra.

Olhar atento

Como coreógrafo, Marcos – que tem todos os DVD’s dos bois e vídeos de coreografias mais antigas - conseguiu observar algumas características específicas das danças de cada boi, o que ele considera sua visão pessoal – mas ainda assim vale contar.

“Consigo ver que o boi Caprichoso utiliza mais palmas nos passos. Já o Garantido atinge a marca de 42 passos numa coreografia de 4 minutos. A ideia é mostrar a diversidade mesmo”.


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