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Cigano e divino: Belchior ganha tributo em Manaus nesta sexta (28)

Homenagem ao artista cearense acontecerá no Bar do Cabelo, localizado na Av. Presidente Médici, 33, Coroado 28/10/2016 às 14:11
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Na última quarta (26), o cantor e compositor completou 70 anos de uma vida misteriosa e intrigante (Foto: Reprodução)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

“Doce, formidável, bonachão e magnético”. Assim o advogado amazonense Juan Pablo Gomes adjetiva o cantor e compositor Belchior. Na adolescência, ele teve a chance de conhecer o artista em 2002, no Ceará. “Eu vivia em Juazeiro do Norte e frequentava uma livraria chamada Nobel e um dia ele apareceu por lá. Ainda tenho um autógrafo dele. Depois de pouco tempo ele voltou pra SP e começou o tal do ‘desaparecimento’”, revela. “Eu posso me considerar um ‘sujeito de sorte’”, diz ele, parafraseando a canção homônima.

Na última quarta (26), o cantor e compositor completou 70 anos de uma vida misteriosa e intrigante, cuja obra soma um dos patrimônios musicais mais corajosos do País. “Os conflitos e dilemas que Belchior canta estão ainda presentes na sociedade brasileira que busca sua identidade, consolidar sua democracia, um futuro melhor, menos desigual”, diz o advogado, que é um dos organizadores do “Tributo ao Belchior”, a acontecer hoje (28), às 20h, no Bar do Cabelo.

O tributo será um encontro de fãs, onde haverá um debate sobre a obra e a execução de um apanhado da carreira musical dele, em vinil. “Alguns participantes pretendem tocar e dar uma palhinha [das músicas], mas não será em formato de show”, coloca Juan, que organiza o evento ao lado de Carlos Coelho, do Bar do Cabelo, e Maurício Sá, do Clube do Vinil.

“Entendemos que a obra dele permanece extremamente atual, embora esquecida. Ele vem sendo lembrado tão somente pelo seu suposto desaparecimento, enquanto sua obra retrata as dores de toda uma geração marcada pela ditadura militar, pela repressão, pela incerteza quanto ao futuro, além de ter um lirismo único na MPB”, pondera Juan.

Feito brisa

Na mídia, muito se fala que Belchior “sumiu dos holofotes” por tempo indeterminado. Para Gomes, o desaparecimento não vem de hoje. “Belchior sempre foi um sujeito deslocado, gauche, não se enquadrou no mainstream e no panteão da MPB, formado por Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e cia. As músicas dele falam isso, ‘andar caminho errado pela simples alegria de ser’”, coloca ele, que ainda tem contato com um dos irmãos de Belchior, que vive no Ceará.

Juan Pablo acredita que o artista cansou da cena musical. “Pessoas próximas a ele dizem que ele segue pintando, compondo e vivendo como nômade pelo sul do Brasil, Uruguai e Argentina. Muitos atribuem esse comportamento à atual esposa dele, mas não consigo ver isso de outra forma se não uma recusa ao cotidiano e as obrigações de nossa vida diária, que tudo nos impõe e nos sufoca”, complementa.

Serviço

o quê: Tributo a Belchior, no Bar do Cabelo (Av. Pres. Médici, 33, Coroado)

quando: Hoje (28), às 20h

quanto: Gratuito

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