Domingo, 17 de Novembro de 2019
Vida

Cineasta Vincent Moon grava com Raízes Caboclas e realiza mostra de filmes em Manaus

Codiretor do DVD “Live in Jurunas”, gravado em 2011 em frente à casa da cantora paraense Gaby Amarantos, Moon também está por trás do projeto “Collection Petites Planètes”, que já registrou sessões musicais com figuras anônimas e consagradas dos quatro cantos do mundo, incluindo brasileiros como Elza Soares, Ney Matogrosso e Thiago Pethit



1.jpg Para o filmmaker, o Brasil tem um quê de “canibal”, pois tem a capacidade de incorporar energias e influências de outras culturas
11/04/2013 às 10:38

Logo no primeiro contato, o francês Vincent Moon aparenta ser um espírito desencanado, com uma energia pessoal e inventiva que emana dos seus rápidos movimentos. Conhecido por filmar e publicar na Internet performances improváveis de bandas de indie rock para o projeto “Take Away Shows”, o cineasta independente está de passagem por Manaus, onde participa nesta quinta (11) à noite de um bate-papo sobre o seu trabalho na Estação Cultural Arte & Fato, a partir das 20h.

Codiretor do DVD “Live in Jurunas”, gravado em 2011 em frente à casa da cantora paraense Gaby Amarantos, Moon também está por trás do projeto “Collection Petites Planètes”, que já registrou sessões musicais com figuras anônimas e consagradas dos quatro cantos do mundo, incluindo brasileiros como Elza Soares, Ney Matogrosso e Thiago Pethit.



Aqui em Manaus, o cineasta vai apontar suas lentes para o grupo Raízes Caboclas durante uma gravação que vai rolar ainda nesta quinta (11), no Jardim Botânico Adolpho Ducke. “Para nós é uma honra poder participar desse projeto e estar ao lado de tantas expressões musicais do mundo inteiro”, declarou o líder da banda, Eliberto Barroncas.

Para o “Petites Planètes”, o Raízes Caboclas compôs, inclusive, uma canção nova, chamada “Trilha”. “É como se fosse um convite para uma caminhada coletiva. A música diz que a Terra é a aldeia de todos”, complementou ele.

ESTILO

Dono de um estilo livre e peculiar, Vincent Moon fala com segurança da sua forma de registrar a música. “Quando comecei esse trabalho, há dez anos, eu queria fazê-lo da forma mais simples possível. Definitivamente, não queria filmar apresentações de palco, e sim estabelecer uma relação de intimidade com os músicos”, contou ele, explicando que usa a câmera como se fosse parte da própria banda, em longos planos-sequência.

NÔMADE

Acostumado a comprar apenas passagens de ida, Moon vive com o pé na estrada há pelo menos quatro anos. Desde o lançamento de “Live in Jurunas”, no mês passado, o cineasta tem cumprido um trajeto através dos rios amazônicos – aqui no Amazonas, ele já passou por Parintins, onde registrou as toadas de boi bumbá em sua forma mais tradicional, e por Maués, onde filmou a Dança do Gambá. De Manaus, ele segue para Tabatinga, onde termina sua segunda viagem pelo Brasil.

“Entro em contato com a música local conversando com as pessoas, mas eu também pesquiso bastante, é um trabalho quase investigativo”, pontuou o francês, que sempre encontra um lar por onde passa; na capital amazonense, ele foi acolhido pelo Coletivo Difusão. “Viajando dessa forma, eu não preciso de muito dinheiro, eu só ganho alguma coisa quando faço alguns workshops ou palestras”, pontuou.

CARINHO PELO BRASIL

Moon nutre um carinho especial pelo Brasil, País que ele pretende voltar a visitar em breve. “É o País mais surpreendente que conheço até agora, principalmente por conta desse imenso mix de culturas e pessoas, sempre muito calorosas e amigáveis”, confessou.

Para o filmmaker, o Brasil tem um quê de “canibal”, pois tem a capacidade de incorporar energias e influências de outras culturas. Não é por menos que o foco atual do interesse do francês tem sido o registro de manifestações tradicionais e sacras, como rituais de Candomblé. “Eu adoraria captar algumas celebrações indígenas, fazendo uma viagem mais pela selva e entrando em contato com as tribos. Isso me atrai bastante”, concluiu ele, apontando uma nova direção na sua carreira: a etnografia experimental.

Enquanto Tom Zé estrelou o primeiro “Petites Planètes”, banda Beirut foi o foco do filmes “Cheap Magic Inside”. Banda R.E.M., Sigur Rós e Gaby Amarantos também já foram registrados por Moon.

Serviço

Onde: “O olhar nômade de Vincent Moon”, com exibição de vídeos e bate-papo com o cineasta

Onde: Estação Cultural Arte & Fato

Onde: Hoje, às 20h

Quanto: Gratuito


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