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SÉTIMA ARTE

Cinema de terror brasileiro conquista prêmios e passa por renovação

Produções nacionais chamam a atenção e refletem novo olhar sobre o gênero 28/08/2018 às 16:37 - Atualizado em 28/08/2018 às 16:51
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“O animal cordial” recebeu prêmios de melhor ator, atriz, diretora e roteiro original. Foto: Divulgação
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Os filmes de José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, ainda podem ser a principal referência quando se pensa em cinema de terror brasileiro, mas uma turma de novos realizadores vem dando sua contribuição para o avanço desse gênero no País. É o caso da cineasta Gabriela Amaral Almeida, que acaba de lançar no circuito comercial o seu primeiro longa-metragem, “O animal cordial”, que está em cartaz em Manaus no Cinépolis do Shopping Ponta Negra.

Com Murilo Benício, Irandhir Santos e Camila Morgado no elenco, o slasher movie (subgênero do terror caracterizado pelo uso de violência gráfica extrema) se passa numa única noite em um restaurante de classe média alta em São Paulo que é invadido, no fim do expediente, por dois ladrões armados.

Premiado em festivais, “O animal cordial” é considerado um dos expoentes da recente safra de produções de terror brasileira, que também se alinha a uma nova forma de fazer filmes do gênero no cinema mundial. O interesse agora é em envolver a plateia com menos sustos fáceis e truques clichês, e o resultado são filmes mais complexos, com diretores que dialogam com o cinema de arte e também buscam apresentar reflexões sociais.

Para o produtor de “O animal cordial”, Rodrigo Teixeira, essa investida numa diferenciação do gênero não deixa de ser uma aposta comercial. “Acho que existe um tipo de filme de terror que faz terror com menos clichês como uma opção de subverter o gênero de uma maneira inteligente, e isso também atrai público”, diz ele.

Na opinião do realizador amazonense Rod Castro, essa renovação mostra que o cinema nacional está cada vez mais plural. “Espero que essa pluralidade chegue a fazer parte da realidade do cinema amazonense. Ainda acredito que há mais para desbravarmos, principalmente no horror/terror. Somos um País e um Estado com diversas lendas e mitos pouco explorados”, comenta ele, que vê no cinema de gênero uma saída para o cineasta exercitar seu lado criativo.

“Também penso que o cinema de gênero possui regras e estilos que muitas vezes vão desafiar o criador, seja ele roteirista ou diretor. E isso, na maioria das vezes, resulta em boas coisas, é daí que sai a renovação do ‘olhar’ de um filme realizado por alguém que não tem o hábito de fazer aquilo”.

Preconceito do público

A diretora e roteirista Deborah Sacha Haven, ligada à produtora independente Dream House Pictures, vê com ressalvas esse cenário. “O que eu vejo é o cinema brasileiro tentando partir para outros gêneros, mas sem tirar do topo o cinema de drama, comédia e ‘militante’. Isso não é bom”, opina a amazonense, que já assinou alguns curtas de terror, suspense e fantasia como “A Carta”, “The Tall Man” e “The Wild Rose”.

“Sabemos que a ‘indústria’ do cinema brasileiro se concentra em uma elite e poucas pessoas têm a chance de sair dessa mesmice. Até mesmo há falta de editais voltados para o gênero de terror. Então, pra mim, não há tanta evolução, muito menos espaço”, completa.

Para Deborah, a resistência e o preconceito do público brasileiro também acabam enfraquecendo o terror produzido no País. “Eles julgam os filmes antes mesmo de assistir e isso é péssimo. E aí partimos para as características dessas produções. Para mim, alguns diretores inserem fatores reais e do cotidiano brasileiro justamente para conseguirem esse ‘espaço’”.

Destaque

“O animal cordial” mal estreou nos cinemas e a diretora Gabriela Amaral já prepara o lançamento do seu próximo longa. Com narração realista e toques de horror e fantasia, “A sombra do pai” estreará em setembro no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Conta a história de Dalva, uma menina de nove anos que acredita ter poderes sobrena-turais e ser capaz de trazer a mãe de volta à vida.

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