Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
ARTES CÊNICAS

Cinema e teatro se misturam no espetáculo 'Misanthrofreak', em cartaz no Café Teatro

Peça de grupo brasiliense será apresentada neste fim de semana com entrada gratuita mediante doação de livro



b0810-12f.jpg Diego Bresani/Divulgação
10/11/2016 às 17:03

No palco, com um controle de Nintendo Wii na mão, um sujeito experimenta sucessivos fracassos na tentativa de contar uma história ao público. Mas, ao contrário do que ele pensa, seus próprios erros fazem sentido e afetam quem está na plateia – o teatro acontece. Esse é o mote do espetáculo “Misanthrofreak”, do Grupo Desvio (DF), que fica em cartaz no Café Teatro (Avenida Sete de Setembro, 377, Centro) de 11 a 13 de novembro.

À frente do trabalho está o ator Rodrigo Fischer, que assina a direção, concepção e dramaturgia. Um dos destaques de “Misanthrofreak” é a linguagem híbrida, que flerta com o cinema e outras tecnologias, permitindo que o ator controle em cena a luz, o som, as projeções e câmeras do espetáculo.



Segundo Fischer, doutor em Processos Composicionais para a Cena pela UnB, esses recursos ganharam mais evidência no teatro nos últimos dez anos. “Não posso negar que há certa banalização, mas desde que começamos a trabalhar com essas possibilidades temos o cuidado de colocar esses recursos a serviço do discurso da cena e da narrativa, no sentido de potencializá-las”, explica.

Investigação

A peça surgiu em 2013, enquanto Rodrigo se especializava em Nova York. Com a tarefa de produzir um espetáculo durante o curso, e sem o suporte do grupo Desvio, o ator buscou meios de ter autonomia total no novo trabalho.

“Resolvi trabalhar a relação do teatro com o cinema, que era a pesquisa que eu estava realizando. De que maneira o cinema podia contribuir com o teatro em termos de atuação? Então esse diálogo não acontece só por meio da projeção, é uma coisa de linguagem mesmo”, diz.

“O audiovisual amplia muito a produção estética de uma peça e possibilita outros caminhos. Essa busca não é necessariamente nova, nem sei se vou seguir fazendo isso no futuro, mas temos muita coisa para descobrir. Nosso objetivo é ampliar as possibilidades do teatro, sem negar a investigação tecnológica em torno dele”.

Em construção

Embora o espetáculo não seja exatamente interativo, a plateia tem sua função direta e indireta na construção da narrativa. Tudo isso porque Rodrigo Fischer, ao se colocar em uma posição de risco e vulnerabilidade no palco, acaba afetado pela atmosfera criada a partir do público. “A peça não é um discurso fechado, ele é reconstruído a cada dia”, acrescenta o diretor.

Quanto à ideia do fracasso presente em “Misanthrofreak”, ele Fischer conta que é uma tentativa de trazer para dentro do processo criativo o que costuma ser deixado de fora. “Eu questionava isso enquanto estava na sala de ensaio. Por que o que dá errado costuma ser descartado? Então comecei a me apropriar disso, do patético e do poético. É simplesmente uma questão de ponto de vista”.

Serviço

“Misanthrofreak”, Grupo Desvio (DF)
Café Teatro (Avenida Sete de Setembro, 377, Centro)
Dias 11, 12 e 13 de novembro, às 20h
Entrada gratuita mediante a doação de um livro


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