Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
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CULTURA

Cinquenta anos de Tropicália: movimento ganhou impulsou em programas da televisão

Artistas apresentaram o tropicalismo ao Brasil em festivais de MPB e programas como "Divino, Maravilhoso"


09/04/2017 às 14:01

No início de 1968, quem estava sintonizado com a cena cultural do Rio e São Paulo tinha a nítida impressão de que alguma coisa importante estava acontecendo. A revista O Cruzeiro dava a pista: “De repente todo mundo começou a falar em Tropicalismo”. O burburinho era o prenúncio de um dos mais inventivos movimentos culturais brasileiros, também conhecido como Tropicália, que injetou novos ares na música, nas artes plásticas, no cinema e no teatro produzidos no País.

E para disseminar as novas ideias e estéticas do movimento, tropicalistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil encontraram na televisão uma grande aliada. Dizem que tudo começou para valer na noite de 21 de outubro de 1967, quando Gil e Caetano defenderam “Domingo no parque” e “Alegria, Alegria” (respectivamente) na final do terceiro Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record. 

Eles não levaram o grande prêmio, mas marcaram o lugar de uma nova fase da música no País, que subvertia a MPB para flertar com o rock, o pop e outras influências universais. 

Divino, Maravilhoso

O ponto alto dos tropicalistas nas ondas da TV, além das aparições no programa do Chacrinha, foi o programa “Divino, Maravilhoso”, que a TV Tupi entregou nas mãos da turma de artistas já em 1968, após o lançamento do disco-manifesto “Tropicalia ou Panis et Circensis”.

A ousadia estética e comportamental da atração, conduzida por Caetano, Gil, Os Mutantes e Gal Costa, chocou tanto a produção da Tupi quanto os telespectadores. “Caótica”, “extravagante” e “alucinada” foram algumas das palavras usadas para descrever a experiência dos tropicalistas na TV, que teve vida curta.

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“A televisão é um veículo de massa. Ali, e só ali, a música aconteceria. Mas a música é parte do contexto: a televisão não ousou nada mais além dos festivais”, comenta o poeta amazonense Aldísio Filgueiras, que faz um balanço nada positivo do que veio depois do tropicalismo. “A Tropicália promoveu uma releitura da cultura brasileira, mas logo foi esvaziada por uma nova geração gerada sob o signo do pós-modernismo, que não tem olhar crítico sobre coisa nenhuma”.


(Tropicalistas faziam aparições no programa do Chacrinha e no "Divino, Maravilhoso")

Segundo ele, Manaus também estava afinada com o que de melhor acontecia no País nos anos 60, inclusive o tropicalismo. Talvez não haja exemplo melhor que a música “Jogo de Calçada”, composição dos amazonenses Wandler Cunha e Ilton Oliveira, gravada pelos Mutantes depois de uma passagem pela cidade.

“Fazia-se cinema, teatro, artes plásticas, dança e até a universidade tinha voz na sociedade. Depois da Tropicália, o Brasil foi castrado e o universo amazonense virou um curral eletrônico de boi-bumbá. Até parece que nunca, jamais, em tempo algum Manaus teve vida inteligente”, completa Aldísio.

O rastro do cometa

O artista plástico Óscar Ramos foi outro a conviver sob a atmosfera do tropicalismo, embora ele nunca tenha se considerado tropicalista. Natural de Itacoatiara, ele se aproximou do movimento graças a amigos e ao também artista Luciano Figueiredo, com quem assinou capas de LP para Gal Costa (“Fa-Tal”), Caetano Veloso (“Araçá Azul”) e outros.

“Eu tomava parte nos festivais e sempre torci por Caetano e Chico Buarque. A Tropicália não me interessava tanto porque eu estava mais para a Bossa Nova. Acho que a conotação que existe entre meu nome e o movimento é por eu ter trabalho com Torquatto Neto, Waly Salomão, Rogério Duarte, esses que são para mim os nomes da Tropicália”, afirma.

Cinquenta anos depois, Óscar também faz sua leitura do que foi esse foco de efervescência  cultural: “Naquele momento, cheguei a uma conclusão, que é inteiramente minha e pela qual me responsabilizo. Acho que a Tropicália foi uma tradução do inglês falado pelo pop art americano para o português, além da referência à imagem fantástica da Carmen Miranda. Mas nunca me senti influenciado, nem fiz uma obra que pudesse ser considerada tropicalista. Acho que ficou muito claro que esse era um cometa que ia deixar um rastro e ia se apagar”.

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