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Cláudia Rodrigues fala sobre nova peça e a esclerose múltipla

Atriz é exemplo de luta contra a doença e está de volta aos palcos, após quatro anos afastada, com a peça "Muito Viva!" 18/08/2013 às 19:57
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Cláudia Rodrigues
Rafael Seixas ---

Alegria é um ingrediente que não falta nas personagens da atriz e humorista Cláudia Rodrigues. Afastada do teatro desde 2009, devido ao agravamento da esclerose múltipla (diagnosticada em 2000), ela retornou aos palcos este ano com o espetáculo “Muito Viva!”, comédia em que interpreta novamente uma diarista. Em entrevista concedida à reportagem do jornal A Crítica, a artista carioca falou sobre a doença, carreira e agradeceu o carinho dos fãs de Manaus. Nos dias 24 e 25 deste mês, no Teatro Direcional, localizado no piso Buriti do Manauara Shopping (Adrianópolis), os amazonenses terão a oportunidade de assistir o espetáculo.

Em 2009, Cláudia Rodrigues teve que cancelar as gravações do seriado “A Diarista” (TV Globo) por sua doença ter se agravado, resultando numa certa dificuldade para decorar textos. A atriz é portadora de esclerose múltipla, doença que provoca sintomas como perda de memória, dificuldades motoras e na fala – atinge 2,5 milhões de pessoas no mundo, sendo 30 mil no Brasil, em uma proporção de três mulheres para cada homem. Segundo Cláudia, o título do espetáculo (“Muito Viva!”) não foi uma maneira de mostrar no palco que está bem para voltar para a TV, como noticiaram muitos veículos de imprensa no primeiro semestre deste ano, tudo não passou de uma “feliz coincidência” (leia na entrevista completa abaixo).

A doença

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica, autoimune. De acordo com o Ministério da Saúde, por motivos genéticos ou ambientais, na esclerose múltipla, o sistema imunológico começa a agredir a bainha de mielina (capa que envolve todos os axônios) que recobre os neurônios e isso compromete a função do sistema nervoso. A característica mais importante da esclerose múltipla é a imprevisibilidade dos surtos.

“Como a esclerose múltipla pode acometer qualquer região do sistema nervoso central, o paciente pode apresentar qualquer sintoma neurológico, sendo os mais frequentes: tontura, alterações de sensibilidade, como dormências e formigamentos em áreas do corpo, alterações visuais e, até mesmo, a perda da visão; pode haver fraqueza muscular, causando as paralisias”, informou a neurologista Nise Alessandra de Carvalho Sousa.

O diagnóstico é basicamente clínico, complementado por exames de imagem, como, por exemplo, ressonância magnética.

Maior incidência

Não se conhecem ainda as causas da doença. Sabe-se, porém, que a evolução difere de uma pessoa para outra e que é mais comum nas mulheres, pessoas de pele branca e que vivem em zonas temperadas. Em geral, a doença acomete pessoas jovens na faixa de 20 a 40 anos de idade, tendo o maior pico por volta dos 30 anos.

“Não existe uma maneira de prevenção para a esclerose múltipla, mas quando diagnosticada e corretamente tratada, existem meios para evitar sua progressão, como exposição ao sol, dieta saudável e exercícios físicos”, explicou a neurologista. O tratamento da doença é feito por meio de medicamentos corticosteróides, imunossupressores e imunomoduladores.

Muita fé

Para as pessoas que estão lutando contra a esclerose múltipla, Cláudia se limitou a dizer que o importante é saber que “a fé é fundamental”. Para os fãs, ela agradeceu o carinho. “Estamos viajando todo fim de semana, rodando o País inteiro. Em qualquer lugar que chego, eu fico emocionada com a receptividade do público. Isso é muito gratificante para todo artista”.

Entrevista

A peça “Muito Viva” foi uma maneira de mostrar no palco que você está bem para voltar para a TV? O título do espetáculo foi por acaso ou faz alguma alusão, mesmo que pequena, à sua doença (esclerose múltipla)?

Não, a peça veio da minha vontade de voltar aos palcos. A última peça que eu fiz foi em 2009, estava com saudade do teatro, que foi onde eu comecei, o teatro é a minha casa. Com relação ao título da peça, foi uma feliz coincidência. Quando chamamos o Rogério Blat para escrever, conversamos sobre a Litinha (personagem que vive na comédia), contei como era a personagem. Quando ele trouxe o texto, veio com esse título.

Apesar de ter um laudo médico que comprova que você está bem para voltar às suas atividades profissionais, você encontra uma certa resistência para voltar para a TV – assim como noticiaram alguns veículos de comunicação?

Eu não vejo resistência (para voltar a atuar na TV), mesmo porque, depois que tive alta médica, voltei para o “Zorra Total” fazendo a Ofélia. Parei de gravar porque o programa passou por uma grande reformulação, mas sou funcionária da TV Globo e muito em breve vocês terão novidades.

Você já interpretou diversas diaristas, como em “Sai de baixo” e “A diarista”, agora em “Muito Viva” novamente interpreta uma. Qual sua fonte de inspiração para “viver” essas profissionais e como é representar essa classe trabalhadora?

Eu sou uma pessoa muito observadora e, na maioria dos casos, minha inspiração vem disso. Fico muito feliz em representar uma classe de mulheres batalhadoras. Elas (diaristas) adoram, sempre falam comigo com muito carinho.

Como você define o espetáculo? O que há de comum entre você e sua personagem, a Litinha?

“Muito Viva!” é uma comédia leve e para toda a família. Ela conta a história de Litinha, uma mulher batalhadora, que está sempre em busca de uma diária extra para conseguir sustentar a sua família. O que nós  temos em comum é o bom humor e a alegria.

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