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Clientes fiéis e seus barbeiros contam como é a relação de confiança entre eles

Hoje, os barbeiros ou cabeleireiros – versão moderna da profissão (geralmente mais voltada ao público feminino) – deixaram a saúde para se dedicar exclusivamente ao visual de homens e mulheres, criando com eles tal vínculo que muitos desses clientes não sabem o que é cortar o cabelo ou fazer a barba em outra cadeira 14/03/2013 às 08:26
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Laços de confiança são construídos com o passar dos anos entre barbeiros e clientes
Felipe De Paula Manaus, AM

Barbeiro é um ofício que demanda a confiança do cliente. Afinal, quem entregaria, livre de preocupações, sua barba ou cabelo a uma navalha ou tesoura desconhecida?

Brincadeiras à parte, sabe-se que esta profissão já teve um forte vínculo com a ciência na Idade Média. Eram os cirurgiões-barbeiros os profissionais responsáveis por realizar procedimentos médicos e cirúrgicos nos doentes.

Hoje, os barbeiros ou cabeleireiros – versão moderna da profissão (geralmente mais voltada ao público feminino) – deixaram a saúde para se dedicar exclusivamente ao visual de homens e mulheres, criando com eles tal vínculo que muitos desses clientes não sabem o que é cortar o cabelo ou fazer a barba em outra cadeira.

“Seu cabelo é seu visual. Eu não tenho coragem de ir a outro cabeleireiro”, diz Juvêncio Bisneto, empresário, 28 anos, cliente assíduo do cabeleireiro Miguel Souza há cerca de 20 anos. “Vinha com meus pais quando era criança. Ele já sabe até quantos fios de cabelo eu tenho”, brinca Juvêncio, acrescentando: “Acabamos virando amigos, batendo papo e dando boas risadas”, diz ele.

O cabeleireiro Miguel, além de um cliente com “cartão de fidelidade intransferível”, ganhou também um amigo. “A gente acaba conversando sobre coisas particulares da vida. Cria um vínculo”, disse ele à reportagem do jornal A CRÍTICA.

Cenário histórico

O barbeiro Edmilson Barreiros, 75, é um dos mais antigos profissionais de Manaus ainda em atividade na sua área, com 58 anos de ofício. Com elegância e simpatia, ele recebeu nossa equipe de reportagem em seu Salão Tropical, localizado no coração do Centro Histórico de Manaus, entre as ruas Tapajós e 10 de Julho.

Ali, ele também recebeu gerações de clientes de todas as classes sociais, com destaque para um grande número de intelectuais e políticos importantes, como o ex-governador do Amazonas, Gilberto Mestrinho, que nos últimos anos de vida era atendido em casa. Mas isso não era prerrogativa dos mais ilustres (entre eles também o poeta Luis Bacellar falecido no ano passado), mas de todo e qualquer cliente que não tivesse nas melhores condições de locomoção. “Nós os servimos por tanto tempo, não vejo porque os abandonar nessa hora”, diz ele, com sabedoria.

Um de seus clientes fiéis é o poeta Dori Carvalho, cliente do salão há cerca de 30 anos. “Aqui é um lugar em que você pode falar de tudo - de futebol à política. Se falar mal da oposição, ele ouve, se falar mal da situação, também. Eles são muito pacientes”, diz Dori, ao que completa Edmilson. “O cliente sempre tem razão”, sorri.

Por acaso

Edmilson Barreiros, que criou quatro filhos por meio do ofício - dois advogados, um jornalista e um engenheiro - começou na profissão por um truque do destino. Ao servir ao exército, no ano de 1956, ele se juntava ao grupo dos que não tinham declarado conhecimento prático em nenhuma área. Foi quando ele descobriu que iria ter que trabalhar quebrando umas pedras. “Foi quando perguntaram: alguém sabe cortar cabelo? E eu disse: eu sei”. E assim começava uma grande história.

Serviço

o que é: Salão Tropical

onde: Na rua Tapajós, Centro, quase na esquina com a 10 de julho.

o que é: Salão Grajaúonde Epaminonas, 223, esquina com a Joaquim Sarmento

o que é: Salão do Seu Luisonde Avenidade Tancredo Neves, 620, Shangri-lá

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