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Literatura

Clube de leitura valoriza produções de escritoras e debate feminismo

Primeiro encontro acontece neste sábado (23), no Local Hostel, a partir das 18h 23/04/2016 às 10:21 - Atualizado em 23/04/2016 às 10:22
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Três das organizadoras do “Leia Mulheres” em Manaus: Fernanda Fernandes, Anita Moreno e Ananda Aline / Foto: Divulgação
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Quantos livros escritos por mulheres você já leu na vida? Quais são as suas autoras preferidas? Quando a escritora britânica Joanna Walsh criou a campanha #readwomen (“leia mulheres”), em 2014, o objetivo era estimular as pessoas a terem mais contato com a escrita feminina, muitas vezes deixada à margem no mercado editorial. A ideia se espalhou e, dois anos depois, já são diversos clubes de leitura com essa proposta espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Manaus embarca nesse projeto na tarde deste sábado (23), quando quatro amigas realizam um primeiro bate-papo sobre literatura e feminismo no Local Hostel, no Centro, com acesso gratuito.

O livro escolhido para o encontro inicial é “Sejamos todos feministas”, ensaio da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, lançado no Brasil pela Companhia das Letras. “É um livro simples e bom de ler, por isso resolvemos começar com ele. Além disso, a obra suscita outras pautas como o que é ser mulher hoje na Nigéria a partir da experiência pessoal da autora”, justifica a educadora Fernanda Fernandes. Ela vai protagonizar o debate ao lado de Anita Moreno, Lalita Lopes e Ananda Aline.

“A Chimamanda coloca a questão de gênero e emancipação da mulher como uma luta que não é só nossa, mas de toda a sociedade”, completa Fernanda, explicando que o encontro será aberto a todos os públicos, inclusive os que ainda não conhecem a obra escolhida para discussão.

Segundo ela, porém, a ideia é que todos possam se envolver com o assunto. Para isso, outros nomes como Rachel de Queiroz e Jane Austen estão sendo cogitados para as próximas edições do clube, que promete ser mensal. “Vemos que na nossa literatura são exaltados sempre os homens, mas cadê as mulheres? Elas estão aí escrevendo, e tão bem quanto, mas de certa forma são silenciadas e recebem pouca visibilidade”, pondera Fernanda.

Visibilidade

De acordo com Lalita Lopes, o “Leia Mulheres” em Manaus também vai abrir espaço para o debate sobre autoras amazonenses e da região Norte, incluindo as próprias organizadoras. “Eu escrevo prosa e poesia. Em julho vai sair uma coletânea com uma poesia minha que foi premiada em um concurso só para escritoras, realizado pela Editora Vivara”, adianta a estudante de Economia Lalita Lopes. Além disso, ela deve lançar até o mês de novembro o seu primeiro livro de contos.

Num tempo em que a fórmula “bela, recatada e do lar” ainda persiste como perfil de mulher ideal para vários setores da sociedade, a literatura também é uma trincheira importante no combate ao machismo enraizado. É por aí que vai a escrita de Lalita.

“Abordo muito o feminismo nos meus contos. A proposta de trazer obras de escritoras para o debate é expandir a ideia da mulher na sociedade e a importância da igualdade de gênero. Os sentimentos e questionamentos da mulher... tudo isso faz parte da minha forma de escrever”.

Troca de livros e gibis

Tem mais programação literária no fim de semana: amanhã, a partir das 9h, acontece a Feira de Troca de Livros e Gibis, com o objetivo de valorizar o livro como instrumento de veiculação cultural. A ação acontecerá no Hall Superior da Biblioteca Pública do Amazonas, localizada na Rua Barroso, Centro. A organização é da Secretaria de Estado de  Cultura (SEC).

Os participantes poderão trocar cada livro ou gibi por um cupom que dará direito a outro livro ou gibi, a ser escolhido no dia da Feira. As obras serão analisadas no ato da entrega por um bibliotecário, cabendo a este julgar se o material será aceito ou não. Serão aceitos materiais nas seguintes categorias: literatura geral; literatura brasileira; literatura da Amazônia; literatura infanto-juvenil; gibis; livros relacionados à Amazônia; biografias; livros de cunho religioso e autoajuda.

Não serão aceitos materiais didáticos, livros de cunho político/partidário, lista de endereços e telefones, teses e dissertações, enciclopédias, pornográficos e sobre sexologia, código civil e legislação e livros de informática. Também não serão aceitos materiais em péssimo estado de conservação. Será permitida a troca de no máximo três exemplares iguais (mesmo livro) por participante.

O cineclube

“Tudo muda após o play”, do Coletivo Difusão, dedicou a sua programação de abril ao protagonismo feminino. Na próxima quinta-feira, dia 28, será exibido o documentário “What happened, Miss Simone?”, a partir das 19h. O acesso custa R$ 2.

Serviço

O quê: Leia Mulheres: “Sejamos todas feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie

Quando: Hoje, às 18h

Onde: Local Hostel (rua Marçal, 72, Centro)

Quanto: Gratuito

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