Domingo, 26 de Maio de 2019
Vida

'Coaching kids': como alimentar nos seus filhos o desejo de cumprir suas próprias metas

A psicóloga Mara Suassuna observou que, na prática, crianças e adolescentes têm dificuldades de definir e de alcançar objetivos



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Pais precisam incentivar os sonhos dos filhos, mesmo que pareçam impossíveis
10/01/2016 às 15:52

A doçura da infância já nos fez considerar mil profissões a escolher quando crescer. Você, com certeza, já ouviu ao dizer “mãe, quero ser isso ou aquilo” a sua genitora afirmar que tal função “não dava dinheiro” ou “que não era para você”. Ou quando quis fazer aulas de dança, ouvir que não era talentoso o bastante. Ao entrarmos em um novo ano, costumamos traçar as nossas metas pessoais e profissionais, mas... e as metas dos nossos filhos? Aí cabe uma reflexão. Onde elas se encaixam? Será que tem que ser tudo o que ele quer? Será que tem que ser tudo o que nós queremos para eles?

A psicóloga Mara Suassuna observou que, na prática, crianças e adolescentes têm dificuldades de definir e de alcançar metas. “Se observa nas crianças e adolescentes muito conteúdo de escola e pouco conteúdo voltado para o direcionamento da vida”, diz ela, que lançará no próximo dia 14 o livro “Coaching Kids”, justamente para ir contra a dificuldade entre crianças e adolescentes de fazer as próprias escolhas em função da influência dos outros.

O livro relata 20 encontros entre ela e outras crianças e adolescentes – separadamente, claro. Os encontros são auto-instrutivos e abordam desde o processo de identificação da criança, até a valoração das qualidades (o que ela tem de bom, quais são seus valores, sonhos e missões). “As crianças têm sonhos e os adultos tratam de limitar esses sonhos. Isso influencia na vida adulta. Todo o processo de socializar a criança no querer familiar vai impedir ela de conquistar seus objetivos.

Cada sessão de coach possui uma metodologia para propiciar a reflexão, e mais do que isso: propiciar qual reflexo tem um diário de atitudes, em que ela deve colocar as ações em prática, até chegar ao objetivo. “Nessa etapa vamos pontuar a vida da criança na escola, na família e com os amigos. Trabalhamos todas as dimensões espirituais e escolares da criança e adolescente, para que eles reflitam sobre o que eles são hoje e o que querem ser amanhã, bem como o que devem fazer para conseguir isso”, dialoga Mara.

Dentro dos planos

Para ajudar os filhos a traçarem e realizarem suas metas, os pais precisam acreditar em seus sonhos, mesmo que para eles o desejo pareça inatingível. “Segundo: ouça mais do que fale. Os pais estão acostumados a educar de forma mais autoritária, ouvindo pouco aos filhos. Essa escuta ativa o respeito ao universo da criança. Outra questão é não subestimar o conhecimento tácito da criança. As pessoas associam maturidade ao tempo cronológico, o que não é assim. Valorizar o conhecimento que eles trazem é se preocupar em constituir seres humanos éticos”, pondera Suassuna.

Vale, no início do ano, fazer uma lista com o filho, para ajudá-lo a traçar o que ele quer, o que você pode fazer para ajudá-lo e o que ele pode fazer para se ajudar. “No começo do ano os pais se preocupam com material escolar, com o livro que o filho vai ostentar. No meio do ano, vê que o rendimento não foi bom. Uma boa dica dentro disso é criar uma rotina de estudos. A criança tem que ter tempo para brincar e estudar, e ter um tempo mais produtivo”, confirma ela. Mara lembra que os riscos de uma criança que tem suas metas abafadas é de se tornar, no futuro, um profissional que não produz com qualidade e que vive sob frustração.

Alimentando os sonhos das filhas

O empresário e educador Durval Braga é fascinado por artes e em ajudar as filhas Valentina (2) e Maria Eduarda (5) a criarem suas metas. “Procuro vincular novos brinquedos, viagens e novas habilidades, como artes e música a algum propósito específico. Duda pediu uma máquina de costura no Natal, assim mostramos para ela que tem gente que faz daquela brincadeira uma profissão, um negócio, uma forma de ganhar dinheiro e viver. Uma viagem para a Disney, vinculamos a ter novas experiências, conhecer pessoas ‘diferentes’, praticar o idioma (ela possui algum conhecimento, pois estuda desde os três anos)”, pondera o pai.

Eduarda também estuda piano e tanto o pai quanto a mãe tentam mostrar a ela que a escola da música transcende a questão de tocar. “É onde ela faz novos colegas, participa de festivais, além de melhorar as habilidades cognitivas e ser um excelente hobby. E o exemplo ajuda muito. Temos um piano em casa e eu toco tudo para elas, desde que estavam na barriga da mãe. Dois dias atrás, a levamos a uma loja para comprar materiais de pintura, daí aproveitamos para explicar que existem pessoas que ganham dinheiro com isso, viajando o mundo expondo sua arte, etc”, diz ele.

Durval lembra que Duda sempre fala que, quando crescer, quer montar uma loja de brinquedos e uma escola. “Acho que ambos fazem sentido (negócio+brincadeira+diversão). Nós acreditamos que tão importante quanto estudar português e matemática é estudar música e artes. Porque português e matemática tem mais horas que música e artes?”, encerra.

Lista de desejos como tradição familiar

No final de 2015, a empresária Michelle Bianchi, mãe de Daniel (7), Matteo (5), Nicole (5) e Saul (1) sentou com as crianças e fizeram uma lista com os objetivos para 2016. “Daniel já escreve sua própria lista, mas ainda ajuda Matteo e Nicole a escreverem as suas. Nela, eles dizem qual esporte querem fazer durante o ano, quais destinos de viagens e desejos pessoais possuem. Nossa tradição é ler essa lista no final do ano e verificar o que conseguimos realizar antes de fazermos a lista do ano seguinte”, pondera ela, que é diretora da Escola-Creche Morada Bebê. “É necessário ter equilíbrio, pois os pais têm que orientar e encorajar, porém devem mostrar a realidade para que seus filhos não criem falsas expectativas, que depois se tornam frustrações”, coloca.



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