Domingo, 21 de Abril de 2019
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LITERATURA

Com mapas e fotos, livro percorre os caminhos de Clarice Lispector pelo RJ

'O Rio de Clarice' é uma espécie de guia afetivo escrito pela biógrafa de Clarice, Teresa Montero


09/12/2018 às 09:02

“Agora, minha terra é o Leme”, disse a escritora Clarice Lispector ao fixar residência no bairro carioca, no fim da década de 1950, depois de alguns anos morando fora do Brasil. Àquela altura, ela já era a célebre autora de “Perto do coração selvagem”, mas seria no Leme, a poucos metros do mar, que Clarice escreveria a maioria dos seus livros, entre eles os clássicos “A paixão segundo G.H.” e “A hora da estrela”.

A relação dela com a cidade transparece em diversas passagens da sua obra, às vezes de maneira mais literal, outras numa roupagem mais poética e até crítica, se também levarmos em consideração a faceta cronista da autora. E são essas relações que servem de matéria-prima para o livro “O Rio de Clarice” (Autêntica), em que Teresa Montero leva o leitor a fazer um passeio afetivo pelo Rio de Janeiro a partir da história pessoal e profissional da ucraniana naturalizada brasileira.

O livro nasceu de um projeto que Teresa realiza há dez anos. Inspirada nas placas do Museu de Território Caminhos Drummondianos, em Itabira (MG), ela guia grupos de pessoas, muitas delas turistas, pelos lugares do Rio onde Clarice morou ou que costumava frequentar.  Passando pela Tijuca, Catete, Botafogo e Jardim Botânico, a depender do roteiro seguido a cada edição, ela apresenta a cidade pelo filtro do olhar clariceano.

“Nós paramos para contemplar o lugar, lemos textos dela, conto curiosidades, falo sobre o bairro... Esse projeto mudou radicalmente a minha maneira de ver a cidade. O dia a dia é tão corrido que quase não percebemos as coisas”, conta Teresa, que também é professora universitária e biógrafa de Clarice. “Desde sempre eu tive vontade de transformar essa experiência em livro, até para torná-la mais acessível a pessoas que moram fora do Rio”.

O material de pesquisa para o livro remonta aos anos 90, quando Teresa lançou a biografia “Eu sou uma pergunta”, e foi complementado com entrevistas que ajudaram a reconstituir a cidade que Clarice conheceu e vivenciou. “Esse é o primeiro guia sobre um escritor brasileiro, diria até de um artista brasileiro. Trago novidades principalmente sobre o período em que ela morou na Tijuca. Resgatei, por exemplo, o depoimento do irmão de um colega de colégio, de pessoas que tiveram alguma relação com ela no Leme e mesmo de quem só a viu de longe”.

E como o Rio de Janeiro foi transportado para os textos da autora de “Laços de Família”? Teresa explica que Clarice não privilegiava o que era mais palpável, por isso ela não estava muito preocupada com a geografia da cidade num primeiro plano. 

“O que ela escreveu está muito no interior da pessoa. É a parte mais íntima que ela vai descortinar, mas em vários momentos os personagens passam pela cidade e deixam transparecer um pouco de como Clarice dialogava com o Rio. Ela gostava muito da natureza, basicamente era o passeio preferido dela. Isso aparece principalmente nos contos, como o Jardim Botânico, que foi tema do texto ‘Amor’. Outra coisa é a presença do mar, ela falava muito sobre a praia”.

Por outro lado, as contradições urbanas surgem pontualmente nas crônicas, como na que ela escreveu depois da morte do estudante Edson Luís, no auge da ditadura militar. “Ela fez um texto sobre educação e se disse solidária aos estudantes do Brasil naquele momento”, acrescenta Teresa, para quem “O Rio de Clarice” funciona como uma espécie de pedagogia dos sentidos e desperta um desejo de cuidar melhor da cidade.

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